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sexta-feira, 28 de julho de 2017

Os adventistas, Ellen G. White e a certeza de salvação (2)

Este post é parte de uma série apologética sobre erros comuns que as pessoas 
acreditam e ensinam sobre os adventistas, sua história, suas crenças e suas práticas.
Erro comum: Ellen G. White escreveu nos livros "Mensagens Escolhidas" e "Parábolas de Jesus"que ninguém deveria dizer "estou salvo".

Sim, ela disse isso. Mas essas passagens foram escritas para condenar não a certeza bíblica e genuína que devemos ter em Cristo, mas uma segurança falsa e errada mantida por muitos cristãos. Vejamos abaixo o texto e o contexto dessas declarações.
Texto 1 "Jamais devemos repousar num estado de satisfação, e deixar de fazer progresso, dizendo: 'Estou salvo.' Se é entretida esta ideia, deixam de existir os motivos para a vigilância, a oração, o esforço sincero em seguir para a frente, rumo de realizações mais elevadas. Nenhuma língua santificada será encontrada pronunciando essas palavras antes que venha Cristo, e entremos pelas portas da cidade de Deus. Então, com a maior propriedade, poderemos dar glória a Deus e ao Cordeiro, pelo livramento eterno. Enquanto o homem estiver carregado de fraquezas — pois por si mesmo não pode salvar a alma — não deve nunca atrever-se a dizer: 'Estou salvo.' - Ellen G. White, "Mensagens Escolhidas", vol. 1, pág. 314.
Resposta Tal citação faz de um capítulo (capítulo 47 de "Mensagens Escolhidas", vol. 1) em que Ellen G. White critica cristãos imaturos e presunçosos que, dizendo "Estou salvo", recusam-se a obedecer a lei de Deus e a fazer qualquer progresso na vida cristã. Veja o contexto inteiro clicando aqui.
Texto 2 "O mesmo mal que levou Pedro à queda e excluiu da comunhão com Deus o fariseu, torna-se hoje a ruína de milhares. Nada é tão ofensivo a Deus nem tão perigoso para o espírito humano como o orgulho e a presunção. De todos os pecados é o que menos esperança incute, e o mais irremediável. A queda de Pedro não foi repentina, mas gradual. A confiança em si mesmo induziu-o à crença de que estava salvo, e desceu passo a passo o caminho descendente até negar a Seu Mestre. Jamais podemos confiar seguramente em nós mesmos ou sentir, aquém do Céu, que estamos livres da tentação. Nunca se deve ensinar aos que aceitam o Salvador, conquanto sincera sua conversão, que digam ou sintam que estão salvos. Isso é enganoso. Deve-se ensinar cada pessoa a acariciar esperança e fé; mas, mesmo quando nos entregamos a Cristo e sabemos que Ele nos aceita não estamos fora do alcance da tentação. A Palavra de Deus declara: 'Muitos serão purificados, e embranquecidos, e provados.' Daniel 12:10. Só aquele que 'sofre a tentação... receberá a coroa da vida'. Tiago 1:12. "Os que aceitam a Cristo e dizem em sua primeira confiança: 'Estou salvo!' estão em perigo de depositar confiança em si mesmos. Perdem de vista a sua fraqueza e necessidade constante do poder divino. Estão desapercebidos para as ciladas de Satanás, e quando tentados, muitos, como Pedro, caem nas profundezas do pecado. Somos advertidos: 'Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe que não caia.' 1 Coríntios 10:12. Nossa única segurança está na constante desconfiança de nós mesmos e na confiança em Cristo." - Ellen G. White, "Parábolas de Jesus", pág. 77.
Resposta Tal citação faz de um capítulo (capítulo 13 de "Parábolas de Jesus") em que Ellen G. White comenta a parábola do fariseu e do publicano. Em outros escritos, Ellen G. White fala que podemos ter uma certeza de salvação VERDADEIRA quando confiamos em Jesus e dependemos de Sua misericórdia e poder. Nesse trecho e capítulo de "Parábolas de Jesus", porém, ela condena uma certeza de salvação FALSA, demonstrada tanto pelo fariseu da parábola quanto por Pedro na primeira fase de sua vida. Essa certeza de salvação FALSA é baseada no orgulho que vem das próprias obras, e é presunçosa ao ponto de trocar a necessidade de orar e vigiar pela confiança na própria autossuficiência.
Fonte: As ideias acima foram baseadas na palestra "Are You Saved? Should You Say So? What Ellen White Taught about Assurance", de Jerry Moon, cuja leitura recomendamos.

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Os adventistas, Ellen G. White e a certeza de salvação (1)

Este post é parte de uma série apologética sobre erros comuns que as pessoas 
acreditam e ensinam sobre os adventistas, sua história, suas crenças e suas práticas.
Erro comum: Por causa de Ellen G. White, os adventistas são ensinados a não terem certeza de sua salvação em Cristo.
É preciso reconhecer, inicialmente, que muitos membros e mesmo alguns pastores adventistas alimentam ideias confusas sobre o plano da salvação e a relação entre fé e obras na vida cristã. Outros demoram a crer com o coração aquilo que já creem com a mente, sabendo intelectualmente mas não sentindo a paz de que são salvos em Jesus. Minha amizade com cristãos batistas, presbiterianos e pentecostais, contudo, me mostrou ao longo de 20 anos que esse problema existe em outras comunidades cristãs. 
Em todo caso, porém, a Igreja Adventista do Sétimo Dia exalta a graça de Deus oficialmente através de suas publicações e músicas e promove a certeza de salvação e o descanso na graça de Jesus. Neste post, citaremos alguns textos de Ellen G. White em que ela ensina seus leitores sobre a segurança que temos em Cristo.
Quem clamar a Jesus jamais se perderá "Não olheis para vós mesmos, mas para Cristo. Aquele que curava os doentes e expulsava os demônios, quando andava entre os homens, é ainda hoje o mesmo poderoso Redentor. A fé vem pela palavra de Deus. Apegai-vos, pois, a Sua promessa: 'O que vem a Mim de maneira nenhuma o lançarei fora'. João 6:37. Lançai-vos a Seus pés, com o clamor: 'Eu creio, Senhor! ajuda a minha incredulidade'. Marcos 9:24. Não podeis perecer nunca, enquanto assim fizerdes — nunca." — Ellen G. White, "O Desejado de Todas as Nações", pág. 302. Salvação total e completa em JesusNa cruz, Jesus comprou para nós uma salvação que é total e completa. […] Somos livres, realmente livres, e estamos eternamente livres, se tão-somente crermos.” – Ellen G. White, “Comentário Bíblico Adventista”, vol. 6, pág. 1113.
Quarteto adventista Arautos do Rei cantando a música "Graça".
A fé em Jesus dá certeza de salvação "A fé, a fé salvadora, deve ser ensinada. A definição dessa fé em Jesus Cristo pode ser dada em poucas palavras: é o ato da alma pelo qual o homem todo se entrega à guarda e controle de Jesus Cristo. Ele permanece em Cristo e Cristo habita na alma supremamente, pela fé. O crente confia alma e corpo a Deus, e com convicção pode dizer: Cristo é capaz de guardar aquilo que Lhe confiei, até aquele dia. Todos os que isso fizerem serão salvos para a vida eterna. Haverá a certeza de que a alma foi lavada no sangue de Cristo e revestida com a Sua justiça, sendo preciosa à vista de Jesus. Nossos pensamentos e nossas esperanças estão no segundo advento de nosso Senhor. Este é o dia em que o Juiz de toda a Terra recompensará a confiança de Seu povo." – Ellen G. White, "Mente, Caráter e Personalidade", vol. 2, pág. 531.
Seguros em Jesus como se já estivéssemos dentro da Cidade de Deus “A mensagem que Deus me enviou para ser dada a você [Lizzie Innes, uma mulher que estava deprimida por causa de uma doença que enfrentava] é: ‘O que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora’ (João 6:37). Se você não tiver nada mais a pleitear diante de Deus a não ser esta única promessa de seu Senhor e Salvador, já tem aqui a garantia de que nunca, nunca será mandada embora. Pode lhe parecer que você está se agarrando a uma única promessa, mas aproprie-se dessa única promessa, e ela lhe abrirá o tesouro inteiro das riquezas da graça de Cristo. Apegue-se a essa promessa e você estará segura. ‘O que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora.’ Apresente esta certeza a Jesus, e você estará tão segura como se já estivesse dentro da Cidade de Deus”. – Ellen G. White, "Manuscript Releases", vol. 10, p. 175. [Fonte: http://text.egwwritings.org/publication.php?pubtype=Book&bookCode=10MR&lang=en&collection=2&section=9&pagenumber=175&QUERY=holy+city&resultId=29]
Com Jesus não há momento sem salvação "Pode dizer o pecador, a perecer: 'Sou um pecador perdido; mas Cristo veio buscar e salvar o que se havia perdido. Diz Ele: ‘Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores.’ Marcos 2:17. Sou pecador, e Ele morreu na cruz do Calvário para me salvar. Nem um momento mais preciso ficar sem me salvar. Ele morreu e ressurgiu para minha justificação, e me salvará agora. Aceito o perdão que prometeu.'” — Ellen G. White, "Mensagens Escolhidas", vol. 1, pág. 392. Em comunhão com Jesus, Ele nunca nos soltará "Coisa alguma é aparentemente mais desamparada, e na realidade mais invencível, do que a alma que sente o seu nada, e confia inteiramente nos méritos do Salvador. Pela oração, pelo estudo de Sua Palavra, pela fé em Sua constante presença, a mais fraca das criaturas humanas pode viver em contato com o Cristo vivo, e Ele a segurará com mão que nunca a soltará.” — Ellen G. White, "A Ciência do Bom Viver", pág. 182 É essencial crer em Jesus e na certeza de salvação Ela disse de si mesma: “Jesus me salvou, embora eu não tivesse nada para apresentar a Ele." — Ellen G. White, "Review and Herald", 14 de julho de 1891.
É essencial ter fé em Jesus e crer que você está salvo por meio dele." — Ellen G. White, "Review and Herald", 1º de novembro de 1892. Não demos duvidar de Jesus e da salvação"Ninguém pode tornar-se melhor, mas devemos vir a Jesus como estamos, desejando ardentemente ser purificados de cada mancha e mácula de pecado, e receber o dom do Espírito Santo. Não devemos duvidar de Sua misericórdia, e dizer: 'Não sei se eu serei salvo ou não.' Por meio de uma fé viva devemos tomar posse da sua promessa, pois ele disse: 'Ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã." — Ellen G. White, "Sinais dos Tempos", 4 de abril de 1892.

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terça-feira, 11 de julho de 2017

Os adventistas e o Arcanjo Miguel - 3 (resposta a objeções)

Este post é parte de uma série apologética sobre erros comuns que as pessoas 
acreditam e ensinam sobre os adventistas, sua história, suas crenças e suas práticas.
Erro comum: A Igreja Adventista está errada ao dizer confundir Jesus com o Arcanjo Miguel, algo estranho pois os anjos não podem ser adorados e não há qualquer evidência bíblica para essa posição tão estranha.

Objeção 1 -  Daniel 10:13 nega que Jesus seja Miguel?

Quanto a Daniel 10:13, apenas nesse lugar em toda a Bíblia é dito de Miguel como "um dos primeiros príncipes". Já Daniel 10:21 fala de "Miguel, vosso príncipe" e Daniel 12:1 de "Miguel, o grande príncipe, o defensor dos filhos do teu povo". Em todo o restante das Escrituras, quando não aplicado a seres humanos, o título “príncipe” é usado exclusivamente para Cristo (Js 5:14 e 15; Is 9:6; Dn 8:11 e 25; 9:25; At 5:31) ou para Satanás (Jo 12:31; 14:30; 16:11; Ef 2:12), mas nunca para qualquer outro ser não humano.

Em Josué 5:14 e 15, o Anjo do Senhor Se apresentou a Josué como o “príncipe do exército do Senhor”, aceitando adoração, o que seria uma blasfêmia se esse príncipe fosse apenas um anjo (ver Mt 4:10; Ap 22:8 e 9), e ordenando que Josué tirasse as suas sandálias porque o lugar se tornara santo (ver Êx 3:4-6; At 7:30-33). No próprio livro de Daniel, Cristo é chamado também de “príncipe do exército” (Dn 8:11) e “Princípe dos Princípes” (Dn 8:25).

Miguel é apresentado em Judas 9 como o “arcanjo” – a única passagem que liga Miguel e arcanjo na mesma frase. Nessa passagem, Miguel disputa “a respeito do corpo de Moisés” (Dt 34:5 e 6), enfrentando o diabo com as palavras: “O Senhor te repreenda!” Essa alusão identifica Miguel como o “Anjo do Senhor” que, na contenda sobre o “sumo sacerdote Josué”, disse igualmente ao diabo: “O Senhor te repreenda, ó Satanás” (Zc 3:1 e 2). É interessante notarmos que, tanto em Zacarias 3 como em Gn 22:11-18; Jz 6:11-24; 13:2-22 e At 7:30-33 e 38, o Anjo do Senhor é identificado como sendo o próprio Deus!

Em 1 Tessalonicenses 4:16 relaciona-se a “voz do arcanjo” com a ressurreição dos santos por ocasião da volta do Senhor Jesus. Cristo mesmo declarou que os mortos sairiam do túmulo ao ouvirem SUA VOZ (Jo 5:28, 29). Essa é outra evidência de que Miguel é um dos nomes de honra do Salvador.

Objeção 2 - Ao identificar Jesus com o Arcanjo Miguel, os adventistas não se igualam às testemunhas de Jeová?

A semelhança começa e termina entre os dois grupos quando afirmam que o Arcanjo Miguel é Jesus. Mas as diferenças são gritantes.

Posição das testemunhas de Jeová: "A CRIATURA espiritual chamada Miguel (...) não é outro senão o próprio Jesus Cristo no seu papel celestial." {os grifos são do original}

Posição dos adventistas: "O nome Miguel significa: 'Quem é semelhante a Deus?'. É um desafio a Satanás que, desde o princípio, quis ser igual ao Criador (Isaías 14:12-14). Sempre que Miguel é mencionado na Bíblia, se refere à pessoa de Jesus como Comandante dos exércitos celestiais em direta disputa com Satanás. (...) Detalhe: quando nós Adventistas afirmamos que Miguel significa 'semelhante a Deus', no original e para a cultura hebraica, entendemos que 'semelhante' significa 'igual' (ver João 5:18; 19:7). Miguel, portanto, é um dos nomes de honra de Jesus e em nada interfere na Divindade dEle."

Objeção 3 - Além de João calvino e os adventistas, quem mais sustenta que Miguel seja Jesus no mundo protestante?

  • Matthew Henry (puritano inglês, 1662-1714) escreveu:

Sobre Daniel 10:
"Acho que o arcanjo Miguel não é outro senão o próprio Cristo, o anjo da aliança, e do Senhor dos anjos, a quem Daniel teve uma visão, ver. 5. Ele veio para me ajudar, ver verso 13, e não há nenhum, mas que ele se esforce comigo nestas coisas, ver. 21. Cristo é o príncipe da Igreja, os anjos não são.

Sobre Daniel 12
"Jesus Cristo deve aparecer como patrono de sua igreja e protetor." Naquele tempo, "quando houver tempo de angústia tal qual nunca houve", Miguel Se levantará, ver 1. O anjo havia dito a Daniel que o ágil amigo Miguel dirigiu-se em favor da igreja, ver 10:21.

"O anjo havia dito a Daniel que Miguel foi um rápido amigo para a igreja, cap. 10. 21. Ele mostrou que, o tempo todo no mundo superior, os anjos sabiam disso, mas agora 'Miguel se levantará" em sua providência, em trabalho de livramento para os judeus, quando ele vê que seu poder é manifesto", Deut. 32:36. Cristo é o "grande príncipe", por ser o 'príncipe dos reis da terra", Apocalipse 1:5."

Sobre Apocalipse 12:7
""Miguel e seus anjos" de um lado, e 'o dragão e seus anjos" no outro. Cristo, o grande anjo do pacto, e seus fiéis seguidores e Satanás e todos os seus instrumentos. O partido de Satanás seria muito superior em número e força em relação ao outro, mas a força da Igreja está em ter o Senhor Jesus como o capitão de sua salvação."
  • Adam Clarke (metodista britânico, 1762–1832) afirma:

Sobre Judas 9
"Deste personagem muitas coisas são faladas nos escritos judaicos." Rabi Judá Hakkodesh diz: Sempre disse que Michael está a aparecer, a glória da Divina Majestade está sempre a ser compreendido. " Shemoth Rabba, cap. II., Fol. 104, 3. Então, parece que eles consideravam Michael em algum tipo como fazemos com o Messias manifestado na carne. (...) Pela palavra Miguel ("Quem é como Deus?") dada a esta personagem no Apocalipse, muitos entenderam o Senhor Jesus." -

Sobre Apocalipse 12:7
"Miguel era o Filho do Homem que a mulher deu à luz."







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Os adventistas e o Arcanjo Miguel - 2 (ensino da Bíblia)

Este post é parte de uma série apologética sobre erros comuns que as pessoas 
acreditam e ensinam sobre os adventistas, sua história, suas crenças e suas práticas.

Erro comum: A Igreja Adventista está errada ao dizer confundir Jesus com o Arcanjo Miguel, algo estranho pois os anjos não podem ser adorados e não há qualquer evidência bíblica para essa posição tão estranha.

Quem é o Arcanjo Miguel relatado na Bíblia?

1 – O que dizem as diversas religiões?

  • PROTESTANTES  - Os protestantes rejeitam a visão de Miguel como o único arcanjo, mas não identificam os demais da sua categoria. Um hino popular no meio protestante é "Ao coro dos arcanjos eu uno meu louvor, / E adoro humildemente o grande Criador."
  • CATÓLICOS - A teologia católica divide os anjos em nove ordens hierárquicas: anjos, serafins, querubins, tronos, dominações, principados, poderes, virtudes e arcanjos, a saber Miguel, Gabriel e Rafael (mencionado no Livro de Tobias).
  • ORTODOXOS - A teologia ortodoxa oriental menciona "milhares de arcanjos", mas apenas sete são venerados pelo nome: Miguel, Gabriel, Rafael, Uriel, Sealtiel, Jegudiel, Baraquiel e Jeremiel.
  • JUDEUS - A Cabala e os livros apócrifos (Livro de Enoque, Vida de Adão e Eva e Apocalipse de Baruque) falam de Miguel como um de pelo menos 11 arcanjos: Miguel, Rafael, Gabriel, os 3 principais; mais Uriel, Sariel, Raguel e Remiel (ou Ramiel), Zadequiel, Jofiel, Haniel e Chamuel.
  • MUÇULMANOS - O Alcorão diz que Miguel é um dos 4 arcanjos: Miguel, Gabriel, Israfil e Azrael.

2 – O que diz a Palavra de Deus?
A – Quantos arcanjos existem?

A Palavra de Deus fala no plural de:

- anjoS (Gn 3:22-24, Ex 25:17-22; Ez 10 etc.)
- serafinS (Is 6:1-3, único caso)
- principados e potestades (Ef 6:11-12, Cl 1:15-16, Rm 8:38-39, únicos casos)

Antes de prosseguirmos, os críticos estão certos em um ponto: é preciso lembrar que as Escrituras proíbem a adoração aos anjos em Apocalipse 22:8-9. Como criaturas que são, os anjos estão subordinados a Jesus (1Pe 3:22) e o próprio Pai ordena aos anjos que adorem ao Filho de Deus (Hb 1:5-6). Jesus não apenas é superior aos anjos, mas também tem um nome superior ao deles (Hb 1:3-4).

Continuando, embora as Escrituras falem dos anjos e suas ordens no PLURAL, elas falam de ARCANJO apenas duas vezes, e apenas no SINGULAR:

"Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro;"
– 1 Tessalonicenses 4:16, ARA

"Contudo, o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo e disputava a respeito do corpo de Moisés, não se atreveu a proferir juízo infamatório contra ele; pelo contrário, disse: O Senhor te repreenda!"
– Judas 1:9, ARA

Portanto, há apenas UM ARCANJO apresentado na Bíblia. Não há nenhum outro arcanjo mencionado em toda a Bíblia. Como também não há nenhum outro Leão de Judá, Cordeiro de Deus, Estrela da Manhã etc. na Bíblia. Usar títulos e figuras para Jesus não tira o fato de Ele ser uma pessoa.

Judas 1:9 é interessante por identificar o ÚNICO ARCANJO pelo nome de MIGUEL. Este nome aparece apenas em 5 passagens das Escrituras: Daniel 10:13, Daniel 10:21, Daniel 12:1, Judas 1:9, Apocalipse 12:7.

B – O que significam os nomes Arcanjo e Miguel?
O nome MIGUEL vem do hebraico Micha'el or Mîkhā'ēl (מִיכָאֵל‎) e significa: “Quem é semelhante a Deus?” É um ataque direto a Satanás – o anjo querubim que, desde o princípio, rebelou-se contra o Criador desejando ser superior ao Deus que o criou (Is 14:12-14; Ez 28:14-17).

O nome ARCANJO vem do grego arkangélos (αρχάγγελος), uma combinação do prefixo ARCHÉ (significando "chefe ou governante" ou "principal ou superior") e do nome ANGÉLOS (traduzido do hebraico "mallach" e que quer dizer "mensageiro"). Portanto, ARCANJO pode significar tanto "anjo principal" quanto "chefe dos anjos". O prefixo ARCH é o mesmo usado em palavras como arcebispo, arcediago (diácono-chefe), arquiduque e arquiabade, dando a ideia de "superioridade, primazia ou proeminência".

João Calvino identifica o Miguel das passagens de Daniel como sendo o próprio Jesus Cristo, sem que isso implique rebaixar Jesus a um mero anjo criado. Centenas de anos antes de Ellen White e os adventistas fazerem a mesma coisa.

E ainda que alguém não acredite na identidade de Jesus como o Arcanjo Miguel, não pode deixar de lado a misteriosa figura do Anjo de Jeová - que aparece a Abraão, a Jacó, a Moisés, Josué e aos pais de Sansão. Ele se apresenta em nome do próprio Deus e recebe adoração. O Anjo de Jeová, para muitos uma manifestação do Jesus pré-encarnado:

1) se apresenta como o próprio Jeová,
2) carrega Seu nome (Ex 23:20-21) e
3) recebe adoração - Gn 16:7-13; 22:11-12; 31:11-13; 48:15-16; Ex 3:2-6; Jz 6:12-16,21-23; Zc 3:1-2.

Veja os textos neste link.

C ­– O que o Arcanjo Miguel estava fazendo em Judas 1:9?
Nessa passagem, há uma disputa pelo cadáver de Moisés, que foi sepultado em local desconhecido (Ex 34:4-7). Por que Satanás disputaria um corpo morto?

Satanás estava disputando com Miguel Arcanjo, em Judas 9, seu direito e poder sobre o corpo do patriarca. A Bíblia diz que uma das razões da vinda de Jesus era para que "por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo" (Hebreus 2:14, ARA).

As Escrituras também ensinam que os mortos estão inconscientes, nada sabem, nada fazem e não louvam a Deus - Ec 3:19-20; Sl 104:27-29; 146:3-4; Jó 7:9-10; 14:20-21. Mas também registra que Moisés estava VIVO no Monte da Transfiguração lado a lado com Jesus, Elias e 3 apóstolos (Mt 17:1-3).

A partir dessas passagens, é correto afirmar que Moisés foi o primeiro homem a ressuscitar dentre os mortos.

Assim também entenderam Faussett (anglicano) e Jamieson e Brown (presbiterianos), que defendem a ressurreição de Moisés. Os autores desse comentário bíblico famoso (e altamente recomendado por Charles Spurgeon) assim explicam Judas 1:9:

"sobre o corpo de Moisés - o corpo literal. Satanás, como tendo o poder da morte, contrário à ressurreição, em razão do pecado de Moisés em Meribá, e seu assassinato do egípcio. Que Moisés corpo foi gerado, aparece em sua presença com Elias e Jesus (que estavam no corpo) na Transfiguração: a amostra e penhor do reino que vem a ressurreição, a ser introduzido por Michael em pé para o povo de Deus. Assim, em cada dispensação uma amostra e garantia da ressurreição futura foi dado: Enoch na dispensação patriarcal, Moisés no Levítico, Elias no profético."

Fonte: "Commentary Critical and Explanatory on the Whole Bible", de Robert Jamieson, A. R. Fausset e David Brown, publicado em 1871. – http://www.biblestudytools.com/commentaries/jamieson-fausset-brown/jude/jude-1.html

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Os adventistas e o Arcanjo Miguel - 1 (João Calvino)

Este post é parte de uma série apologética sobre erros comuns que as pessoas 
acreditam e ensinam sobre os adventistas, sua história, suas crenças e suas práticas.

Erro comum: A Igreja Adventista está errada ao dizer confundir Jesus com o Arcanjo Miguel, algo estranho pois os anjos não podem ser adorados e não há qualquer evidência bíblica para essa posição tão estranha.


Antes de apresentar as razões bíblicas para a tese de Jesus como Arcanjo Miguel, quero recorrer às palavras de João Calvino - o segundo grande herói da Reforma Protestante e figura altamente respeitada pelos presbiterianos em geral.

João Calvino ensina que Miguel é Jesus em Daniel 10:13

"Ele acrescenta a seguir, Eis que Miguel, um dos principais líderes ou príncipes, veio fortalecer-me. Alguns pensam que a palavra Miguel representa Cristo, e eu não me oponho a esta opinião. Com suficiente clareza, se todos os anjos velam sobre os fiéis e eleitos, Cristo ainda assim detém a primazia entre eles, pois ele é o cabeça deles, e usa o ministério e assistência deles para defender todo o seu povo. Mas como isto não é geralmente admitido, deixo-o em dúvida para o presente, e falarei mais sobre o assunto no capítulo 12."

Fonte: Calvin's Commentaries, Vol. 25: Daniel, Part II, tr. by John King, page 253[1847-50] --- Texto original em inglês em: http://www.sacred-texts.com/chr/calvin/cc25/cc25004.htm. Ver também a reprodução do livro original em fac símile em: http://www.ccel.org/ccel/calvin/calcom25/Page_253.html

João Calvino ensina que Miguel é Jesus em Daniel 12:1 - parte 1

"Por Miguel muitos concordam em compreender Cristo como o cabeça da Igreja. Mas se parece melhor compreender como o arcanjo Miguel, este sentido se revelará adequado, pois sob Cristo como cabeça, os anjos são os guardiões da Igreja. Qualquer que seja o verdadeiro significado, Deus era o preservador da sua Igreja, pela mão de seu Filho unigênito, e porque os anjos estão sob o governo de Cristo, ele pode confiar este dever a Miguel. Que hipócrita sujo: Miguel de Servet se atreveu a apropriar-se da passagem para si; pois ele inscreveu isto como um frontispício em seus horríveis comentários, já que ele se chama Miguel! Observamos que fúria demoníaca se apoderou dele, como se atreveu a reclamar como seu o que aqui é dito sobre a singular ajuda oferecida por Cristo à sua Igreja. Ele era um homem dos sentimentos mais impuros, como já são suficientemente conhecidos. Mas esta era uma prova de sua ousadia e loucura sacrílega - enfeitar-se com o epíteto de Cristo, sem corar, e elevar-se no lugar de Cristo, vangloriando-se de ser Miguel, o guardião da Igreja, e o poderoso príncipe do povo! Este fato é bem conhecido, pois tenho o livro às mãos para qualquer um que não confiar na minha palavra. (...)"

Fonte: Calvin's Commentaries, Vol. 25: Daniel, Part II, tr. by John King, pages 368-369[1847-50] --- Texto original em inglês em: http://www.sacred-texts.com/chr/calvin/cc25/cc25006.htm. Ver também a reprodução do livro original em fax símile em: http://www.ccel.org/ccel/calvin/calcom25/Page_368.htmlhttp://www.ccel.org/ccel/calvin/calcom25/Page_369.html

João Calvino ensina que Miguel é Jesus em Daniel 12:1 - parte 2

"O capítulo 12 começa, como afirmamos na palestra de ontem, com a previsão do anjo a respeito do estado futuro da Igreja após a manifestação de Cristo. Ela deveria sujeitar-se a muitas misérias, e, assim, essa passagem iria aliviar a dor de Daniel, e de todos os devotos, pois ele ainda promete segurança à Igreja através da ajuda de Deus. Daniel, por conseguinte, representado Miguel como o guardião da Igreja, e Deus se agradou de incumbir este dever a Cristo, como nós aprendemos a partir do capítulo 10 de João (João 10:28, 29.) Como dissemos ontem, Miguel pode significar um anjo; mas eu abraço a opinião daqueles que se referem a este ser como a pessoa de Cristo, porque ela adapta melhor o assunto para representá-lo de pé em defesa de seu povo eleito. Ele é chamado de príncipe poderoso, porque ele naturalmente opôs a fortaleza invencível de Deus contra os perigos que o anjo mostra que a Igreja estará sujeita."

Fonte: Calvin's Commentaries, Vol. 25: Daniel, Part II, tr. by John King, pages 368-369[1847-50]--- Texto original em inglês em:
http://www.sacred-texts.com/chr/calvin/cc25/cc25006.htm. Ver também a reprodução do livro original em fac símile


João Calvino não é autoridade bíblica. Mas foi um grande homem de Deus e um sério e respeitadíssimo comentarista da Bíblia. Ele nunca adorou a anjos, nem nunca fez parte da Igreja Adventista. E ele acreditava que o Arcanjo Miguel era uma manifestação do Jesus pré-encarnado.

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Os adventistas creem que serão os únicos salvos?

Este post é parte de uma série apologética sobre erros comuns que as pessoas 
acreditam e ensinam sobre os adventistas, sua história, suas crenças e suas práticas.

Erro comum: A Igreja Adventista é exclusivista, acreditando ser a única igreja verdadeira e/ou os únicos que serão salvos. 

Primeiro, é preciso reconhecer que muitos pastores e membros adventistas acreditam assim, pois enfatizam mais as doutrinas e práticas que separam os adventistas de outros grupos cristãos. Mas eles não estão seguindo a orientação e teologia da Igreja Adventista do Sétimo Dia ao agirem e pensarem dessa maneira.

Vejam, por exemplo, o que diz o Prof. Leandro Quadros, do programa Na Mira da Verdade (TV Novo Tempo), ao responder se somente os adventistas serão salvos: 




Cremos que Deus tem fiéis salvos em todas as igrejas. Que a salvação vem apenas pela fé, independentemente de qualquer obra que o homem possa fazer – incluindo o sábado. Embora haja alguns membros fanáticos e preconceituosos em nosso meio – como em todas as igrejas – os adventistas não são esse grupo sectário e julgador que muitos foram acostumados a acreditar que somos.

Ellen White uma vez inclusive aprovou o aluguel de uma de nossas igrejas a uma igreja presbiteriana – sem que isso envolvesse qualquer crítica ou condenação sobre eles por sua guarda do domingo (ver abaixo).

Vejam também algumas declarações oficiais dos adventistas sobre o assunto:

“A igreja invisível, também conhecida como igreja universal, é composta dos filhos de Deus em todo o mundo. Inclui os crentes que estão dentro da Igreja visível e muitos outros que, embora não pertencendo à Igreja visível, têm seguido a luz que Cristo lhes concedeu (João 1:9). Este último grupo inclui aqueles que jamais tiveram a oportunidade de aprender a respeito de Jesus Cristo, mas que têm respondido ao Espírito Santo e têm procedido “por natureza, de acordo com a lei” (Rom. 2:14)." 
Nisto Cremos: 28 ensinos bíblicos dos adventistas do sétimo dia, p. 199.

“O Senhor tem Seus representantes em todas as igrejas. A essas pessoas as decisivas verdades especiais para estes últimos dias não foram apresentadas sob circunstâncias que trouxessem convicção ao coração e à mente; portanto, ao rejeitar a luz, elas não romperam sua ligação com Deus.”
– Ellen G. White, “Testemunhos para a Igreja”, vol. 6, p. 71.

“Deus tem filhos, muitos deles nas igrejas protestantes, e um grande número nas igrejas católicas, que são mais fiéis para obedecer à luz e para proceder de acordo com o seu conhecimento do que um grande número entre os adventistas observadores do sábado que não andam na luz.”
– Ellen G. White, “Mensagens Escolhidas”, vol. 3, p. 386.

"A luz que me foi dada por Deus coloca este importante assunto acima de qualquer dúvida em minha mente. A justificação é inteiramente de graça, não sendo obtida por nenhuma obra que o homem caído possa efetuar."
– Ellen G. White, “Fé e Obras", p. 18. 

"Há uma semana do último sábado, cumpri um compromisso para falar na igreja em São Francisco. Tivemos uma excelente reunião. Parecia haver ardente desejo de ouvir e interesse nas palavras proferidas. (...) A igreja está alugada aos presbiterianos, para cultos aos domingos. Isto às vezes é um pouco inconveniente para nós, mas como sua casa de culto foi destruída, eles se sentem muito agradecidos pelo privilégio de usar a nossa."
– Ellen G. White, “Mensagens Escolhidas", vol. 3. p. 322-323.

"Entre eles [os católicos] existem muitos que são conscienciosíssimos cristãos, que andam em toda a luz que sobre eles brilha, e Deus operará em seu favor."
— Ellen G. White, "Obreiros Evangélicos", 329.

Eu e os demais adventistas dizemos a todos as palavras da bela canção abaixo, cantada e gravada pelo grupo adventista Prisma Brasil em 1987: 

"A mim não importa o nome que tu tens / Pois sinto que se crês em Cristo ao meu lado estás / E seu amor podemos repartir, por seu poder mudar o mundo / Conhecerão que Cristo é Rei / Meu irmão e minha irmã as mãos nos demos / Pois, lutemos com Jesus contra o mal / Os perigos e temores não mais nos assolarão / O amor de Cristo nos susterá"



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Quantos nomes têm os adventistas?


Este post é parte de uma série apologética sobre erros comuns que as pessoas 
acreditam e ensinam sobre os adventistas, sua história, suas crenças e suas práticas.

Erro comum: A Igreja Adventista teve vários nomes ao longo de sua História.

 O Movimento Milerita, ocorrido no século XIX nos EUA, deu origem a várias denominações adventistas:

1) a Igreja Evangélica Adventista (formalizada em 1845),
2) a Igreja Cristã do Advento (1860),
3) a União do Advento e Vida (1863),
4) a Igreja de Deus (Sétimo Dia) (1858) e
5) a Igreja Adventista do Sétimo Dia (1863).

Essas 5 igrejas não são diferentes nomes da mesma igreja, são denominações diferentes com doutrinas e administração diferentes. 

As igrejas 1, 2 e 3 guardavam o domingo; 4 e 5, o sábado.

A maior, 1, acreditava na consciência na morte e no inferno de tormento eterno; as outras não.

As igrejas 4 e 5 aceitaram o dom de profecia em Ellen White, mas a 4 deixou isso de lado e foi seguir seu próprio caminho.

A 1 desapareceu em 1916, a 3 separou-se da 2 em 1863 e desapareceu um século depois quando se uniu com a 2 de novo, em 1964.

A 5 era o patinho feio do grupo: a menor, mais esquisita e menos popular igreja de toda a ninhada milerita, mas se tornou a maior de todas elas. Essa, liderada por Joseph Bates, Ellen G. White e seu esposo Tiago White, foi fundada em 1863 com o nome de Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Também é importante informar que a Igreja Adventista do Sétimo Dia não possui "convenções" ou "ministérios" independentes e reconhecidos entre si, tal como acontece na Assembléia de Deus (Missão, Madureira, Belém, Betesda etc.) ou na Presbiteriana (do Brasil, Independente, Renovada, Conservadora, Unida etc.).


A Igreja Adventista da Promessa (de origem brasileira, linha pentecostal) e Igreja Adventista do Sétimo Dia Movimento de Reforma (de origem alemã, com crenças e práticas baseadas mais em Ellen G. White do que na Bíblia) são dissidências à parte e movimentos rivais, tendo sido fundadas após expulsão motivada por ensinos e práticas incompatíveis com a compreensão bíblica da denominação da qual saíram. Eles não devem ser confundidos com a Igreja Adventista do Sétimo Dia fundada em 1863.

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quinta-feira, 9 de julho de 2015

Sobre o resultado da ordenação de mulheres

Público presente na Conferência Geral 2015
por Walter Mendes

Foi votada ontem (8/07/2015) a ordenação de mulheres ao pastorado na 60a Conferência Geral dos Adventistas do Sétimo Dia. Por 1381 votos contra, 977 a favor e 5 abstenções, os delegados da Igreja mundial decidiram que as divisões (os escritórios continentais da denominação) não devem fazer provisões para que mulheres sejam ordenadas ao ministério pastoral.

Gostaria de tecer alguns comentários sobre os debates e votação de ontem neste post, mas preciso, antes de mais nada, fazer alguns esclarecimentos:

1. Não estou faltando com a ética ao fazer os comentários e observações abaixo, nem estou vazando quaisquer informações secretas. A assembleia da Conferência Geral é e sempre foi aberta ao público, além de estar sendo divulgada de forma oficial e ao vivo pela administração da Igreja.

2. As observações abaixo não têm relação  com minha opinião a favor da ordenação de mulheres. Se o voto final tivesse sido igual ao meu desejo, ainda assim as observações seriam as mesmas.

3. Creio na Igreja Adventista do Sétimo Dia como meu lar na família de Deus. Mas sou forçado a reconhecer o comentário de um pastor amigo meu: apenas um milagre de Deus vai terminar a pregação do evangelho para estarmos em pé no Advento do Rei.

NÃO FIZERAM A LIÇÃO DE CASA
Eu acompanhei ontem à tarde o período de discussões anterior à votação e foi algo deprimente. Os delegados mundiais claramente não leram nem estudaram o relatório de 120 páginas preparado pela comissão que estudou as 3 propostas (sim, não, cada divisão decide). Existe uma cultura da ignorância (mais importante é evangelizar, não perder tempo com estudos e discussões) muito perigosa em nossa Igreja. Um fato que provoca a existência de membros sem firmeza alguma no estudo e interpretação da Bíblia. E isso explica, em parte, a imagem do balde furado usada em um relatório desta Conferência: nós ganhamos muitos membros para a Igreja ano após ano, mas perdemos quase o mesmo número de adeptos pela apostasia ano após ano.

O (DES)CASO DA AMÉRICA DO SUL
Nenhum delegado ou oficial da Divisão Sul-Americana soltou uma palavra sequer sobre o assunto durante as discussões, tanto no plenário da Conferência Geral quanto em suas contas oficiais no Twitter. Algo bem diferente da representação de outros continentes e regiões, que participaram e contribuíram bastante (às vezes até demais) durante as discussões. Falta de domínio do inglês, falta de estudo da matéria, falta de colhões para ser fiel 'como a bússola o é ao polo'? Faltam explicações e respostas.

MACHO MAN
Não adianta negar: existe um ranço de machismo muito forte na nossa Igreja. Biologia, não teologia, parece dar automaticamente sabedoria e talento para cuidar das coisas de Deus. (Os argumentos ontem para o NÃO giraram em torno da ideia de que a mulher não precisa ser ordenada para fazer o que já faz...) Isso foi visível inclusive no microfone de discussões da Conferência Geral, em que se viu e ouviu dezenas e dezenas de homens e apenas 2 mulheres indo à frente para discutir a ordenação de mulheres...

MEDO E VERGONHA
Sério, tenho medo e vergonha de ser adventista muitas vezes. E ontem foi uma dessas ocasiões, quando percebi que a liderança da Igreja ao redor do mundo sabe tanto quanto ou até menos de Bíblia, Ellen G. White, história do Cristianismo, interpretação de texto, tolerância e empatia, argumentação e lógica do que os membros pobres e sem estudo de igrejas da periferia e interior. Vários delegados contra e favor da ordenação ameaçaram sutilmente ou não que abandonariam a Igreja se o voto final não fosse conforme o que eles desejavam.

PONTOS 'ALTOS' DO DEBATE
Um delegado americano a favor da ordenação falou na cara dura que a América do Norte tem menos membros, mas tem mais dízimo. Uma delegada contra a ordenação sugeriu que a discussão fosse aberta apenas para os que votariam. Um delegado contra disse que Jesus era a verdade e Ele nunca ordenou mulheres, esquecendo-se que o Salvador nunca ordenou ninguém, nem homens, nem mulheres. Um delegado a favor lembrou que os irmãos da África e da Ásia deveriam respeitar a cultura da América do Norte e Europa, pois a Igreja respeitou a cultura da África e da Ásia ao permitir e tolerar a poligamia - sim, poligamia - nesses lugares por razões culturais.

A VOZ DO POVO É A VOZ DE DEUS?
A maioria votou e a questão foi decidida: "é a vontade do Senhor!". Doze espias votaram e 10 foram contra a tomada da Terra Prometida no tempo de Josué e Calebe. A nação inteira votou e escolheu um rei sobre Israel no tempo de Samuel. A multidão votou na sexta-feira e escolheu Barrabás em vez de Jesus. A história sagrada deveria mostrar que a decisão da maioria não significa necessariamente "a vontade de Deus".

PONTOS NOS IS
Que fique bem claro: o voto ontem não foi sobre mulheres pastoras (elas já existem e continuarão a existir), nem sobre ordenar mulheres (diaconisas já são ordenadas). O voto de ontem foi sobre ordenar mulheres pastoras (o que não existe ainda e não vai existir por alguns anos). A Igreja Adventista do Sétimo Dia faz diferença entre "pastores comissionados" (caso das mulheres) e "pastores ordenados" (caso dos homens, com o ritual da imposição de mãos).

VAI TER MULHERES PASTORAS SIM
A Igreja na América do Norte divulgou nota nesta madrugada em sua página do Facebook. Embora respeitem a decisão da Igreja mundial, eles vão continuar a ter mulheres pastoras e pretendem dobrar o número delas nos próximos anos para poder evangelizar seu território. Rebeldia? Não! A Igreja Adventista do Sétimo Dia tem 320 pastoras nos EUA, Holanda, Alemanha e China e elas vão continuar existindo depois da Conferência Geral de 2015.
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terça-feira, 16 de junho de 2015

Argumentos equivocados no debate sobre ordenação de mulheres

por Pr. Matheus Cardoso


O Instituto de Pesquisa Bíblica da Igreja Adventista do Sétimo Dia preparou alguns materiais neutros apontando vários argumentos ilegítimos usados a favor e contra a ordenação de pastoras. {Um tema que será levado a debate e voto na 60º Conferência Geral dos Adventistas do Sétimo Dia, em San Antônio (no Texas, EUA), de 2 a 11 de julho de 2015.} Confira se você já não ouviu algum:

Argumentos equivocados CONTRA a ordenação


"A ordenação de mulheres [ou de pastoras; também ao longo de todo o texto] é inaceitável porque seus defensores usam formas de teologia liberal e abordagens críticas à Bíblia."
"A ordenação de mulheres é inaceitável porque estaria ligada ao apoio do estilo de vida homossexual."
"A ordenação de mulheres é inaceitável por causa da agenda feminista militante e do domínio das mulheres."
"A ordenação de mulheres é inaceitável porque, apesar de discutir o assunto por mais de 40 anos, a igreja nunca a aceitou oficialmente."
"A ordenação de mulheres é inaceitável porque se opõe à compreensão tradicional do papel e das funções das mulheres. Ela milita contra as relações familiares que são descritas [na Bíblia] em termos de submissão."
"A ordenação de mulheres é inaceitável por razões práticas. Novidades criam ansiedade e desestabilizam a situação."

Argumentos equivocados A FAVOR da ordenação


"A ordenação de mulheres é necessária por causa de um consenso cultural e da sociedade."
"A ordenação de mulheres é necessária porque, já que outras igrejas decidiram ordenar pastoras, os adventistas não devem ser os últimos a fazê-lo."
"A ordenação de mulheres é necessária porque os primeiros adventistas possivelmente apoiavam as mulheres no ministério e talvez tenham ordenado algumas mulheres."
"A ordenação de mulheres é necessária porque é antiético não ordenar mulheres."
"A ordenação de mulheres é necessária porque mudanças acontecem regularmente e essa é inevitável."
"A ordenação de mulheres é necessária por razões práticas."


"Em áreas nas quais a Bíblia não contém mandamentos explícitos, os adventistas NÃO aderem a nenhuma das seguintes abordagens: (1) o que as Escrituras não proíbem é permitido [...] e (2) o que as Escrituras não permitem é proibido."

"Parece que, depois que a Comissão de Estudo sobre a Teologia da Ordenação concluiu seus trabalhos, o debate alcançou um novo nível, que, em nossa opinião, é prejudicial à igreja. [...] Temos a impressão de que a discussão não mais é bíblico-teológica, mas que indivíduos e grupos estão criticando e condenando fortemente uns aos outros. Em teologia [assim como em filosofia], nos referimos a isso como argumentos ad hominem [o que é uma falácia, isto é, um argumento ilegítimo]. [...]

"O debate sobre ordenação não tem nada a ver com os ensinos bíblicos mais fundamentais. Esse tema não pertence ao núcleo das crenças adventistas. Portanto, é ainda mais preocupante [...] ver pessoas envolvidas no debate repelindo, ofendendo e condenando um ao outro porque estão em lados diferentes do debate sobre ordenação."

Leia os artigos completos:


"Some Wrong and Right Reasons in the Women’s Ordination Debate", de 
Ekkehardt Mueller.

"The Biblical Research Institute and the Issue of Women’s Ordination to the Pastoral Ministry"
de Ekkehardt Mueller.



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10 Grandes razões contra a ordenação de homens ao pastorado*

Ben Witherington, autor do blog que 
publicou este texto originalmente.
por Ben Witherington
traduzido por Walter Mendes**

(Uma salva de palmas a Jason Jackson*** por isso).

10. Lugar de homem é no quartel.

9. No caso de homens com filhos, seus deveres podem desviá-los das responsabilidades de pai.

8. A constituição física mostra que os homens estão mais adequados a tarefas como cortar cana e caçar onças no meio do mato. Não seria "natural" para eles realizar outras formas de trabalho.

7. O homem foi criado antes da mulher. É óbvio, portanto, que o homem era uma versão preliminar de teste. Dessa maneira, eles são um mero ensaio, não o "gran finale" da criação.

6. Os homens são emocionais demais para serem sacerdotes ou pastores. Pode-se comprovar isso facilmente vendo o comportamento deles num jogo de futebol e assistindo a corridas de Fórmula 1 ou lutas de MMA.

5. Alguns homens são bonitos. Eles vão tirar a atenção das mulheres no momento de adoração.

4. Ser um pastor ordenado é alimentar a congregação. Mas isso não é um papel tradicional dos homens. Pelo contrário: ao longo da história, as mulheres têm sido consideradas não só como mais qualificadas do que os homens na tarefa de alimentar outras pessoas, mas também como atraídas com mais frequência do que eles para esse tipo de atividade. Isso faz delas a escolha óbvia para a ordenação.

3. Homens são propensos demais a agir com violência. Nenhum homem de verdade quer acertar as contas usando outro meio que não seja lutando com as próprias mãos. Por isso, eles seriam modelos ruins de comportamento, além de seres perigosamente instáveis em posições de liderança.

2. Homens ainda podem se envolver nas atividades da igreja, mesmo sem ser ordenados. Eles podem assentar pisos e revestimentos, consertar o forro e fiação do templo, ficar de vigias no estacionamento e talvez até reger o coral no programa do Dia dos Pais. Limitando-os a esses papéis tipicamente masculinos, eles ainda podem ser de grande valia na vida da Igreja.

1. No relato do Novo Testamento, a pessoa que traiu Jesus foi um homem. Por isso, sua falta de fé e sua punição posterior permanecem como um símbolo do lugar de submissão que todos os homens deveriam ocupar.

______
Notas:

*Alerta: Este é um texto carregado de ironia e não tem o propósito de combater a ordenação de pastores homens. Ele apenas procura responder à seguinte pergunta: "Como ficariam os argumentos contra a ordenação de mulheres se usássemos a mesma lógica para falar contra a ordenação de homens?"


**Traduzido do texto original em inglês "Top 10 Reasons Why Men Shouldn’t Be Ordained".


***Ao que tudo indica, este Jason Jackson é um leitor que compartilhou o texto com o autor do blog linkado na nota anterior.

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domingo, 14 de junho de 2015

16 fatos interessantes sobre ordenação de mulheres na Igreja Adventista do Sétimo Dia


por Pr. Matheus Cardoso

1 – A IASD tem pastoras, pelo menos, desde 1872.
2 – Proporcionalmente, havia mais pastoras na época de Ellen White do que hoje.
3 – Ellen White jamais disse algo negativo sobre a existência de pastoras.
4 – Ellen White fez muitas declarações positivas sobre mulheres no ministério.
5 – A ordenação de mulheres tem sido discutida na IASD pelo menos desde 1881. E, a partir desse ano, Ellen White recebeu o salário de um pastor ordenado.
6 – A partir de 1884, Ellen White foi listada como “ministro ordenado" (em inglês, “ordained minister” – gênero neutro) no anuário da Associação Geral (Yearbook). Ela possuiu credenciais ministeriais a partir de 1871, e recebeu certificado de ordenação em 1883 e em outros anos, como 1887, 1899, 1909 e 1913. (No entanto, é verdade que Ellen White jamais foi ordenada por mãos humanas. Em 1911, ela escreveu: “Na cidade de Portland, [em 1845,] o Senhor me ordenou como Sua mensageira, e ali meus primeiros labores foram dedicados à causa da verdade presente” [Filhas de Deus, p. 252]).
7 – O debate atual na IASD não diz respeito à ordenação de mulheres em si. A Associação Geral estabeleceu a ordenação de diaconisas em 1975 (reafirmada em 1985 e 2010).
8 – O voto na assembleia da Associação Geral, em julho deste ano, não estará relacionado à existência de pastoras. Desde 1990, a Associação Geral autoriza mulheres a serem ministros “comissionados”.
9 – Atualmente, a IASD possui mais de 320 pastoras, incluindo mais de 120 na América do Norte {em algumas regiões dos Estados Unidos, além de outras na Holanda, partes da Alemanha e em toda a China}. A igreja continuará a ter pastoras, independentemente do resultado da votação deste ano.
10 – Pastoras “comissionadas” já exercem, nas igrejas locais, os mesmos papéis e funções que os pastores “ordenados”: ambos os grupos pregam; dão estudos bíblicos; batizam; realizam casamentos, dedicação de crianças e funerais; oficiam a ceia; lideram reuniões administrativas etc.
11 – A distinção entre pastoras “comissionadas” e pastores “ordenados” não tem a ver com “ser o cabeça” (em inglês, “headship”). “Cristo, não o ministro, é o cabeça da igreja” (Ellen G. White, Signs of the Times, 21 de janeiro de 1890).
12 – Tanto pastores quanto pastoras são dedicados numa cerimônia de oração e imposição de mãos. A diferença é que o certificado dos pastores diz “ministro ordenado”, enquanto o certificado das pastoras diz “ministro comissionado”.
13 – Em 1975, um comitê de estudiosos adventistas, estabelecido pela Associação Geral, não encontrou obstáculos teológicos para ordenar mulheres ao ministério pastoral.
14 – Em 1976, o Instituto de Pesquisa Bíblica da sede mundial da IASD concluiu: “Se Deus chama uma mulher, e o ministério dela é frutífero, por que a igreja deveria se recusar a oferecer seu reconhecimento oficial?”.
15 – Em 2014, o Comitê de Estudo da Teologia da Ordenação, estabelecido pela Associação Geral, chegou ao consenso de que a Bíblia pode ser usada, de maneira legítima, para apoiar a ordenação e a não ordenação de mulheres ao ministério pastoral, e de que os defensores de ambas as posições estão plenamente comprometidos com a teologia e a missão da IASD. Dois terços dos membros do comitê concluíram que a Bíblia e os escritos de Ellen White permitem a ordenação de mulheres ao ministério pastoral.
16 – Em 2014, a Associação Geral e os líderes das Divisões mundiais declararam, com unanimidade, que a questão não pode ser decidida teologicamente (isto é, pelo estudo da Bíblia {ela não proíbe, nem manda ordenar mulheres}), mas será decidida administrativamente (tendo em vista a unidade e a missão da igreja).

Para saber mais sobre o tema, acesse: http://teologiadaordenacao.blogspot.com.br/

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quinta-feira, 11 de junho de 2015

Sobre a ordenação de mulheres ao pastorado


por Walter Mendes

Em resposta a uma foto que publiquei no Facebook em favor da ordenação de mulheres ao pastorado adventista, um amigo me recomendou assistir a um vídeo postado na página da TV Terceiro Anjo no YouTube. Como quase todos os adventistas sabem, a ordenação de mulheres ao pastorado será votada em julho próximo no Texas (EUA) durante a 60ª Conferência Geral 2015 da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

O que se segue abaixo são uma resposta aos argumentos apresentados no vídeo postado na página da TV Terceiro Anjo no YouTube.

Em primeiro lugar, o pastor cita o texto paulino de 1 Timóteo 2:12-13, em que lemos que a mulher não deve exercer autoridade sobre o homem:

"E não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade de homem; esteja, porém, em silêncio. Porque, primeiro, foi formado Adão, depois, Eva."
– 1 Timóteo 2:12-13, ARA

Mulheres têm tido um papel fundamental no ensino da Bíblia e pregação do evangelho na Igreja Adventista do Sétimo Dia desde sua fundação em 1863. A começar pelo ministério de uma de seus 3 fundadores, a saber a americana Ellen G. White. Elas ensinam crianças, jovens e adultos nas Escolas Bíblicas Sabatinas, além de pregarem regularmente nos púlpitos de diversas igrejas locais.

Há mulheres anciãs (presbíteras, conforme a nomenclatura de outras igrejas) em diversas igrejas locais mundo afora, incluindo no Brasil. Há mulheres pastoras em algumas regiões dos Estados Unidos, na Holanda, partes da Alemanha e em toda a China, mas elas (ainda) não são ordenadas oficialmente dentro do Adventismo. Contudo, diaconisas são ordenadas oficialmente na Igreja Adventista do Sétimo Dia desde 2010.

Se a interpretação bíblica do pastor do vídeo está correta, devemos então rejeitar o ministério e as publicações de Ellen G. White, uma mulher que exerceu e exerce autoridade sobre os homens adventistas desde 1844. E isso não é força de expressão: a história do Adventismo mostra que ela já confrontou presidentes de associações locais e da Conferência Geral em seus dias para que abandonassem erros pessoais e administrativos.

Igualmente deveríamos ser coerentes como outras igrejas evangélicas fazem ao interpretar literalmente esse texto, não permitindo que a mulher tenha qualquer cargo na Igreja exceto o de professora de crianças na Escola Bíblica. Uma mulher que pregue na igreja local, tenha qualquer cargo de liderança em qualquer departamento ou seja professora de qualquer classe de Escola Sabatina está exercendo autoridade sobre os homens debaixo dela.

Segundo ponto: é verdade que Paulo diz que os anciãos e pastores devem ser maridos de uma só mulher (1 Timóteo 3:12; Tito 1:5-9), outro argumento bíblico usado pelo pastor do vídeo. Mas o assunto em questão é que o líder cristão não deve ser polígamo – algo comum nos tempos do Novo Testamento. Não se trata de uma qualificação 'sine qua non' que exclua a liderança feminina, permitindo o ancionato ou pastorado apenas para homens cristãos. Do contrário, devemos ser coerentes e descartar a prática adventista de separar homens solteiros e viúvos para o ancionato ou o pastorado – pois essa é a leitura mais literal do texto.

Terceiro, Deus não criou Adão e Eva para que um dominasse sobre o outro, como sugere o pastor no vídeo. O texto de Gênesis é bem claro ao dizer que ambos carregavam em si a imagem de Deus (1:26-27) e que a mulher seria uma auxiliadora do homem (2:18) – uma igual a ele. É muito bonito a forma como Ellen G. White explica esse texto no "Patriarcas e Profetas", págs. 18-19:

"O próprio Deus deu a Adão uma companheira. Proveu-lhe uma 'adjutora' — ajudadora esta que lhe correspondesse — a qual estava em condições de ser sua companheira, e que poderia ser um com ele, em amor e simpatia. Eva foi criada de uma costela tirada do lado de Adão, significando que não o deveria dominar, como a cabeça, nem ser pisada sob os pés como se fosse inferior, mas estar a seu lado como igual, e ser amada e protegida por ele. Como parte do homem, osso de seus ossos, e carne de sua carne, era ela o seu segundo eu, mostrando isto a íntima união e apego afetivo que deve existir nesta relação." 

A submissão da mulher ao homem veio apenas com a entrada do pecado em Genesis (3:16), não sendo parte do propósito original de Deus. Paulo diz em Gálatas 3:28 que na nova ordem trazida por Jesus não há diferença entre homem e mulher, entre judeus e gentios, entre escravos e livres. Defender o contrário é defender um machismo disfarçado em busca de respaldo na Palavra de Deus.

"Todos vocês são filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus, pois os que em Cristo foram batizados, de Cristo se revestiram. Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus."
– Gálatas 3:26-28, NVI

Em quarto lugar, há certas coisas que podemos admitir sem que isso signifique reinterpretar a Bíblia ou deixar a ética de Deus num campo vago, como diz o pastor no vídeo. Primeiro fato negado pelo pastor no vídeo: a Bíblia foi influenciada pela cultura em que ela foi escrita sim e existe um ideal de Deus que não foi plenamente atingido no Novo Testamento. Por exemplo, os cristãos não devem aceitar hoje a poligamia (por mais que não houvesse um mandamento contra ela no AT) nem a escravidão (mesmo que ela não fosse combatida com todas as letras no NT). Tais práticas vão contra o ideal de Deus no Éden e contra o espírito do Evangelho, mesmo que não haja um mandamento expresso contra a poligamia e a escravidão.

Segundo fato negado pelo pastor no vídeo: certas normas foram dadas apenas a uma situação local do povo de Deus. Igualmente acreditamos que não são válidas para hoje ordens como aquelas para o uso do véu na igreja (1 Coríntios 11:3-16), para as mulheres ficarem caladas na igreja (1 Coríntios 14:34-35) ou para nos saudarmos com “ósculo santo” (Romanos 16:16; 1 Coríntios 13:12; 16:20; 1 Tessalonicenses 5:26; 1 Pedro 5:14). Esse “ósculo santo” seria um beijo no rosto de saudação entre homens e entre mulheres, tal como é feito na Argentina ou na França. Apesar de estarem em diversas cartas do Novo Testamento, tais ordens não são princípios universais a serem seguidos por todos os crentes de todas as épocas e todas as culturas.

Em quinto lugar, chega a ser intelectualmente desonesto e blasfemo à Palavra de Deus comparar um princípio moral, universal e explícito na Bíblia como a guarda do sábado com uma questão cultural, local e sem respaldo a favor ou contra nas Escrituras como a ordenação de mulheres, como faz o pastor desse vídeo. Além de ignorar princípios elementares de interpretação da Palavra de Deus, o pastor do vídeo ignora que os adventistas sempre fizeram a separação entre princípios e mandamentos de aplicação universal e ordens de aplicação restrita e cultural.

Por exemplo, os adventistas guardam o sábado conforme exigem os Dez Mandamentos (Êxodo 20:8-11), mas não apedrejamos nem condenamos quem acenda fogo nesse dia (Êxodo 35:3; Números 15:32-36) – a Bíblia manda fazer as duas coisas. Igualmente não deixamos de condenar o adultério (Êxodo 20:14) pelo fato de não apedrejarmos os adúlteros (Levítico 20:10) – a Bíblia ensina ambas as coisas. Também não deixamos de ensinar o dízimo aos membros em nossos estudos bíblicos (um princípio que cremos ser universal) apesar de a Bíblia descrever que o dízimo era entregue em 90% dos casos na forma de animais, vegetais e vinho (Levítico 27:30-33; Deuteronômio 12:17-18; 14:22-27; 2 Crônicas 31:4-7) levados ao sacerdote no templo – uma ordem local e temporal.

Sexto, é completamente desonesta a forma como o pastor do vídeo associa um possível voto a favor da ordenação de mulheres ao risco de uma futura ordenação de pastores gays ou pastoras lésbicas. Primeiro, não há relação alguma entre uma coisa e outra, como se uma levasse necessaria ou inevitavelmente à outra. Numa lista de 21 igrejas citadas por nome num site contra a ordenação de mulheres, podem ser contadas 11 igrejas que ordenam mulheres, mas não ordenam pastores gays ou pastoras lésbicas.

Além disso, podemos mencionar no mesmo caminho de ordenar mulheres mas não GLBT as igrejas batistas da Alemanha e da Suíça (Bund Evangelisch-Freikirchlicher Gemeinden e Bund Schweizer Baptistengemeinden), bem como diversas igrejas batistas americanas filiadas à Southern Baptist Convention (algumas apenas), à American Baptist Churches USA, à North American Baptist Conference, à Alliance of Baptists, à Cooperative Baptist Fellowship (CBF) National Baptist Convention e à Progressive National Baptist Convention. Sem contar diversas igrejas como as menonitas, morávias, presbiterianas (exceto a PCUSA), pentecostais e reformadas nos EUA e Europa que também ordenam mulheres sem ordenar ou querer ordenar pastores gays ou pastoras lésbicas.
Para encerrar esse ponto e partir para a conclusão, lembro que a IASD ordena pastores homens e pastoras mulheres em algumas regiões dos Estados Unidos, na Holanda, partes da Alemanha e em toda a China sem defender ou discutir a agenda ligada aos direitos dos gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis.

Finalmente, a IASD possui doutrinas bíblicas fundamentais estabelecidas (entre as 28) sobre matrimônio e família e sobre a criação. Além de uma declaração oficial clara contra a prática do homossexualismo. Isso não acontece com as denominações citadas no vídeo que apoiam/defendem a agenda ligada aos direitos dos gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis.
Ao contrário dos anglicanos, luteranos evangélicos, episcopais e metodistas unidos dos EUA, citados no vídeo, os adventistas do sétimo dia não somos uma denominação com um histórico de décadas de liberalismo teológico nem menosprezo ao método gramático-histórico – a abordagem adotada por nós e outras igrejas conservadoras na interpretação da Bíblia. (As denominacões citadas no vídeo e abertas a pastores gays e lésbicas usam o método histórico-crítico.)

As Divisões Norte-Americana e Trans-Europeia citadas no vídeo não reinventaram a roda ao fazer sua interpretação pró-ordenação, nem estão se desviando da interpretação correta ou tradicional da IASD. Elas apenas estão seguindo o método de estudo e interpretação das Escrituras segundo a declaração aprovada e votada pela Comissão Executiva da Conferência Geral dos Adventistas do Sétimo Dia, na sessão do Concílio Anual no Rio de Janeiro, Brasil, 12 de outubro de 1986.

O que está em jogo na votação a favor ou contra a ordenação de mulheres não é uma divisão entre o Assim Diz o Senhor versus o Assim Querem os Adventistas Rebeldes, mas entre o Assim Diz o Senhor versus o Assim Defende nosso Costume e Tradição Humana.
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sábado, 24 de dezembro de 2011

Como devemos comemorar o Natal

por Ellen G. White* 

"Aproxima-se o Natal", eis a nota que soa através do mundo, de Norte a Sul e de Leste a Oeste. Para os jovens, de idade imatura, e mesmo para os de mais idade, é este um período de alegria geral, de grande regozijo. Mas o que é o Natal, que assim exige tão grande atenção? ... 

O dia 25 de dezembro é supostamente o dia do nascimento de Jesus Cristo, e sua observância tem-se tornado costumeira e popular. Entretanto não há certeza de que se esteja guardando o verdadeiro dia do nascimento de nosso Salvador. A História não nos dá certeza absoluta disto. A Bíblia não nos informa a data precisa. Se o Senhor tivesse considerado este conhecimento essencial para a nossa salvação, Ele Se teria pronunciado através de Seus profetas e apóstolos, para que pudéssemos saber tudo a respeito do assunto. Mas o silêncio das Escrituras sobre este ponto dá-nos a evidência de que ele nos foi ocultado por razões as mais sábias.

Em Sua sabedoria o Senhor ocultou o lugar onde sepultou Moisés. Deus o sepultou e Deus o ressuscitou e o levou para o Céu. Este procedimento visava prevenir a idolatria. Aquele contra quem se haviam rebelado quando estava em serviço ativo, a quem haviam provocado quase além dos limites da resistência humana, era quase adorado como Deus depois de separado deles pela morte. Pela mesma razão é que Ele ocultou o dia preciso do nascimento de Cristo, para que o dia não recebesse a honra que devia ser dada a Cristo como Redentor do mundo - Aquele que deve ser recebido, em quem se deve crer e confiar como Aquele que pode salvar perfeitamente todos os que a Ele vêm. A adoração da alma deve ser prestada a Jesus como o Filho do infinito Deus. – Review and Herald, 9 de dezembro de 1884.

O Dia não Deve Ser Passado por Alto
Sendo que o dia 25 de dezembro é observado em comemoração do nascimento de Cristo, e sendo que as crianças têm sido instruídas por preceito e exemplo que este foi indubitavelmente um dia de alegria e regozijo, será difícil passar por alto este período sem lhe dar alguma atenção. Ele pode ser utilizado para um bom propósito.

A juventude deve ser tratada com muito cuidado. Não devem ser deixados no Natal a buscar seus próprios divertimentos em prazeres vãos, em diversões que lhes rebaixarão a espiritualidade. Os pais podem controlar esta questão voltando a mente e as ofertas dos filhos para Deus e Sua causa e a salvação de almas.

O desejo de divertimentos, em vez de ser contido e arbitrariamente sufocado, deve ser controlado e dirigido mediante paciente esforço da parte dos pais. Seu desejo de dar presentes deve ser levado através de puros e santos canais e feitos resultar em bênção ao nosso próximo graças à manutenção do tesouro na grande e ampla obra para a qual Cristo veio ao mundo. Abnegação e espírito de sacrifício assinalaram Sua conduta. Seja isto também o que assinale os que professam amar a Jesus, porque nEle está centralizada nossa esperança de vida eterna. – Review and Herald, 9 de dezembro de 1884.

Troca de Presentes Como Sinais de Afeição
As festas estão chegando rapidamente com sua troca de presentes, e jovens e idosos estão estudando intensamente o que poderão dar a seus amigos como sinal de afetuosa lembrança. É agradável receber um presente, mesmo simples, daqueles a quem amamos. É uma afirmação de que não estamos esquecidos, e parece ligar-nos a eles mais intimamente. ...

Está certo concedermos a outros demonstrações de amor e afeto, se em assim fazendo não esquecemos a Deus, nosso melhor amigo. Devemos dar nossos presentes de tal maneira que se provem um real benefício ao que recebe. Eu recomendaria determinados livros que fossem um auxílio na compreensão da Palavra de Deus ou que aumentem nosso amor por seus preceitos. Provede algo para ser lido durante esses longos serões de inverno. – Review and Herald, 26 de dezembro de 1882.

Recomenda-se Dar aos Filhos Livros Como Presentes
Há muitos que não têm livros e publicações sobre a verdade presente. Aqui está um grande campo onde o dinheiro pode ser investido com segurança. Há grande número de crianças que pode ser suprido com leitura. The Sunshine Series, Golden Grains Series, Poems, Sabbath Readings, etc., são todos livros preciosos e podem ser introduzidos seguramente em cada família. As pequenas quantias gastas em guloseimas e brinquedos inúteis podem ser acumuladas e com isto comprar esses volumes. ...

Os que desejarem fazer caros presentes a seus filhos, netos, sobrinhos, procurem para eles os livros acima mencionados. Para os jovens a Vida de José Bates é um tesouro; também os três volumes de O Espírito de Profecia. Esses volumes podem ser levados a cada família na Terra. Deus está dando a luz do Céu, e nenhuma família deve ficar sem ela.

Sejam os presentes que façais, da espécie que espalhe raios de luz sobre o caminho que conduz ao Céu. – Review and Herald, 11 de dezembro de 1879.

Jesus não Deve Ser Esquecido
Irmãos e irmãs, enquanto estais planejando dar presentes uns aos outros, desejo lembrar-vos nosso Amigo celestial, para que não passeis por alto Suas reivindicações. Ele Se agradará se mostrarmos que não O esquecemos. Jesus, o Príncipe da vida, deu tudo a fim de pôr a salvação ao nosso alcance. ... Ele sofreu mesmo até à morte, para que nos pudesse dar a vida eterna.

É por meio de Cristo que recebemos todas as bênçãos. ... Não deve nosso Benfeitor celestial participar das provas de nossa gratidão e amor? Vinde, irmãos e irmãs, vinde com vossos filhos, mesmo os bebês em vossos braços, e trazei ofertas a Deus, segundo vossas possibilidades. Cantai ao Senhor em vosso coração, e esteja em vossos lábios o Seu louvor. – Review and Herald, 26 de dezembro de 1882.

Natal - Ocasião Para Honrar a Deus
Pelo mundo os feriados são passados em frivolidades e extravagância, glutonaria e ostentação. ... Milhares de dólares serão gastos de modo pior do que se fossem lançados fora, no próximo Natal e Ano Novo, em condescendências desnecessárias. Mas temos o privilégio de afastar-nos dos costumes e práticas desta época degenerada; e em vez de gastar meios meramente na satisfação do apetite, ou com ornamentos desnecessários ou artigos de vestuário, podemos tornar as festividades vindouras uma ocasião para honrar e glorificar a Deus. – Review and Herald, 11 de dezembro de 1879.

Cristo deve ser o objetivo supremo; mas da maneira em que o Natal tem sido observado, a glória é desviada dEle para o homem mortal, cujo caráter pecaminoso e defeituoso tornou necessário que Ele viesse ao nosso mundo.

Jesus, a Majestade do Céu, o nobre Rei do Céu, pôs de lado Sua realeza, deixou Seu trono de glória, Sua alta posição, e veio ao nosso mundo para trazer ao homem caído, debilitado nas faculdades morais e corrompido pelo pecado, auxílio divino. ...

Os pais deviam trazer essas coisas ao conhecimento de seus filhos e instruí-los mandamento sobre mandamento, regra sobre regra, em suas obrigações para com Deus - não suas obrigações de uns para com os outros, de honrarem-se e glorificarem-se uns aos outros por presentes e dádivas. – Review and Herald, 9 de dezembro de 1884.

Volver os Pensamentos dos Filhos Para um Novo Canal
Há muita coisa que pode ser planejada com gosto e muito menos dispêndio do que os desnecessários presentes que são tão freqüentemente oferecidos a nossos filhos e parentes, podendo assim ser mostrada cortesia e a felicidade ser levada ao lar.

Podeis ensinar uma lição a vossos filhos enquanto lhes explicais a razão por que tendes feito uma mudança no valor de seus presentes, dizendo-lhes que estais convencidos de que tendes até então considerado o prazer deles mais que a glória de Deus. Dizei-lhes que tendes pensado mais em vosso próprio prazer e satisfação deles e de manter-vos em harmonia com os costumes e tradições do mundo, em dar presentes aos que deles não necessitam, do que em ajudar ao progresso da causa de Deus. Como os magos do passado, podeis oferecer a Deus vossos melhores dons e mostrar por vossas ofertas a Ele que apreciais Seu dom por um mundo pecaminoso. Levai os pensamentos de vossos filhos através de um canal novo, altruístico, incitando-os a apresentar ofertas a Deus pelo dom do Seu Unigênito Filho. – Review and Herald, 13 de novembro de 1894.

"Devemos Armar uma Árvore de Natal?"
Deus muito Se alegraria se no Natal cada igreja tivesse uma árvore de Natal sobre a qual pendurar ofertas, grandes e pequenas, para essas casas de culto. Têm chegado a nós cartas com a interrogação: Devemos ter árvores de Natal? Não seria isto acompanhar o mundo? Respondemos: Podeis fazê-lo à semelhança do mundo, se tiverdes disposição para isto, ou podeis fazê-lo muito diferente. Não há particular pecado em selecionar um fragrante pinheiro e pô-lo em nossas igrejas, mas o pecado está no motivo que induz à ação e no uso que é feito dos presentes postos na árvore.

A árvore pode ser tão alta e seus ramos tão vastos quanto o requeiram a ocasião; mas os seus galhos estejam carregados com o fruto de ouro e prata de vossa beneficência, e apresentai isto a Deus como vosso presente de Natal. Sejam vossas doações santificadas pela oração. – Review and Herald, 11 de dezembro de 1879.

As festividades de Natal e Ano Novo podem e devem ser celebradas em favor dos necessitados. Deus é glorificado quando ajudamos os necessitados que têm família grande para sustentar. – Manuscrito 13, 1896.


Árvore de Natal com Ofertas Missionárias não é Pecado
Não devem os pais adotar a posição de que uma árvore de Natal posta na igreja para alegrar os alunos da Escola Sabatina seja pecado, pois pode ela ser uma grande bênção. Ponde-lhes diante do espírito objetos benevolentes. Em nenhum caso o mero divertimento deve ser o objetivo dessas reuniões. Conquanto possa haver alguns que transformarão essas reuniões em ocasiões de descuidada leviandade, e cujo espírito não recebeu as impressões divinas, outros espíritos e caracteres há para quem essas reuniões serão altamente benéficas. Estou plenamente convicta de que inocentes substitutos podem ser providos para muitas reuniões que desmoralizam. – Review and Herald, 9 de dezembro de 1884.

Providenciar Recreação Inocente Para o Dia
Não vos levantaríeis, meus irmãos e irmãs cristãos, cingindo-vos a vós mesmos para o dever no temor do Senhor, procurando arranjar este assunto de tal maneira que não seja árido e desinteressante, mas repleto de inocente prazer que leve o sinete do Céu? Eu sei que a classe pobre responderá a estas sugestões. Os mais ricos também devem mostrar interesse e apresentar seus donativos e ofertas proporcionalmente aos meios que Deus lhes confiou. Que se registrem nos livros do Céu um Natal como jamais houve em virtude dos donativos que forem dados para o sustento da obra de Deus e o reerguimento do Seu Reino. – Review and Herald, 9 de dezembro de 1884.

*Ellen G. White (1827-1915), escritora e palestrante, foi uma das co-fundadoras da Igreja Adventista do Sétimo Dia, tendo exercido o dom bíblico da profecia durante 70 anos de ministério público. O texto acima foi extraído do seu livro O Lar Adventista, páginas 477-483. 

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