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segunda-feira, 16 de março de 2009

Os manuscritos do Antigo Testamento

por Walter Dos Santos*

Partindo do pressuposto de que a Bíblia mereça atenção e importância, ainda assim permanece uma pergunta fundamental: quem garante que não houve algum tipo de adulteração, manipulação ou fraude no percurso da Bíblia dos tempos antigos aos dias de hoje? O Portal Escrivão Caminha inicia hoje uma série de postagens sobre a confiabilidade da Bíblia, examinando a questão dos manuscritos originais, das traduções modernas e da seleção final dos livros.


Ataques ao Antigo Testamento

Durante muitos séculos, muitas tentativas foram feitas para eliminar a Bíblia. Verdade é que os exemplares dela foram preservados em conventos e mosteiros, mas se impedia de todas as formas possíveis que ela parasse nas mãos do grande público. As poucas Bíblias disponíveis eram mantidas em línguas desconhecidas pela maioria, os que se aventuravam a traduzi-la em língua nacional eram queimados junto com seus trabalhos e quem possuísse um exemplar em casa poderia ser preso, torturado e morto pela igreja medieval.

Quando a destruição da Bíblia se tornou impossível devido à sua massiva circulação graças ao sucesso da Reforma e a invenção da imprensa, Satanás e seus agentes humanos tentaram um novo método. Se não podia destruir as próprias Escrituras, ele poderia fazer outra coisa: destruir sua credibilidade. O principal meio foi a Alta Crítica, um esforço acadêmico muito bem-sucedido em destruir a fé na Bíblia como Palavra de Deus.

Comecemos com os manuscritos do Antigo Testamento. Antes, é preciso fazer um esclarecimento. Na época bíblica, os livros não eram como os de hoje: eram na verdade pequenos rolos de couro ou de papiro (uma espécie de papel) que, devido à sua natureza, se desgastavam com o tempo e exigiam o constante e regular trabalho de fazerem-se cópias a partir deles. Não existem mais os autógrafos, isto é, os originais escritos pelas mãos dos autores. O que temos hoje são cópias manuscritas dos livros originalmente escritos pelos profetas do Antigo Testamento e os apóstolos do Novo Testamento.

Por muitos anos, estudiosos da Alta Crítica disseram que não se pode confiar na Bíblia. Afinal, não havia nenhuma cópia completa do Antigo Testamento hebraico (a língua em que ele foi escrito) anterior a 900 d.C. Certamente, sem copiadoras, muitos erros poderiam ter sido introduzidos nos textos. Assim, como se poderia confiar no Antigo Testamento?

Copiando o Antigo Testamento

Até um passado recente, o mais antigo e completo manuscrito hebraico existente havia sido copiado por volta de 900 A.D. Isso representava um intervalo de 1.300 anos entre a composição original do Antigo Testamento (AT) — completado por volta de 400. a.C.— e o manuscrito disponível aos estudiosos. Longe de atentar contra a confiabilidade do texto bíblico, os dados por trás deste manuscrito corroboram a confiablidade do AT. Segundo as leis civis e canônicas dos hebreus, os responsáveis pelas cópias dos exemplares do AT possuíam um sistema bem intricado para transcrever os rolos das sinagogas.

Samuel Davidson (IN: Hebrew Text of the Old Testament. 2.ed. Londres: Samuel Bagster & Sons, 1859) descreve algumas das exigências que estes responsáveis, os talmudistas, deviam seguir em relação às Escrituras: “(1) o rolo de uma sinagoga deve ser escrito em peles de animais puros, (2) preparados por um judeu para o uso específico da sinagoga. (3) Essas peles devem ser presas por meio de barbantes feitos de animais puros. (4) Cada pele deve conter um certo número de colunas, o qual deve se manter igual por todo o códice. (5) O comprimento de cada coluna não deve ser inferior a 48 nem superior a 60 linhas e a largura deve ser de trinta letras. (6) Deve-se primeiramente traçar as linhas de toda a cópia, e se três palavras forem escritas sem linha, a cópia fica inutilizada. (7) A tinta deve ser preta, e não vermelha, verde, nem qualquer outra cor, e deve ser preparada de acordo com uma fórmula específica.

“(8) Deve-se fazer a cópia a partir de uma cópia autêntica, da qual o transcritor não deve se desviar de modo algum. (9) Não se deve escrever nenhuma palavra ou letra, nem mesmo um iode, de memória, isto é, sem o escriba tê-lo visto no códice diante de si... (10) Entre cada consoante deve haver o espaço de um fio de cabelo ou de uma linha; (11) entre cada novo parashah, ou capítulo, deve haver a largura de nove consoantes; (12) entre um livro e outro deve haver três linhas. (13) O quinto livro de Moisés deve terminar exatamente no final de uma linha; mas com os demais isso não é preciso. (14) Além disso, o copista deve estar vestido com trajes judaicos a rigor, (15) lavar o corpo todo, (16) não começar a escrever o nome de Deus com uma pena recém-mergulhada na tinta, (17) e, caso um rei se dirija a ele enquanto está escrevendo o nome de Deus, não deve dar atenção ao rei”.

Davidson acrescenta que “os rolos que não são feitos de acordo com essas especificações estão condenados a ser enterrados ou queimados, ou ser banidos para as escolas, para serem usados como livros de leitura”. Ao comparar as variações de manuscritos do texto hebraico com as da literatura pré-cristã (como o Livro dos Mortos, dos egípcios), Gleason Archer Jr. (IN: Merece Confiança o Antigo Testamento? São Paulo: Vida Nova, 1974) afirma que surpreende o fato de que o texto hebraico não tenha o fenômeno de discrepâncias e de alteração dos manuscritos, presente em outros textos de literatura da mesma época. Os talmudistas tinham tanta certeza de que, ao terminarem de transcrever um manuscrito, eles teriam uma cópia exata, que atribuíam à nova cópia uma autoridade igual à do original.

Mas por que não temos outros manuscritos antigos? A própria ausência de manuscritos antigos, considerando-se as exigências feitas aos copistas e os cuidados que eles tomavam, confirma a credibilidade das cópias que temos hoje. Frederic Kenyon (In: Our Bible and the Ancient Manuscripts. Nova Iorque: Harper & Brothers, 1941) entra em mais detalhes sobre a questão acima e sobre a destruição das cópias mais antigas: “Após um manuscrito ter sido copiado com a exatidão determinada pelo Talmude, e após ter sido devidamente conferido, era aceito como autêntico e considerado como tendo igual valor ao de qualquer outra cópia. Sendo todos igualmente corretos, a idade não significava vantagem para um manuscrito; era uma desvantagem, pois um manuscrito antigo estava sujeito a tornar-se ilegível ou a sofrer algum dano. Uma cópia defeituosa ou imperfeita era imediatamente considerada imprópria para o uso. Por essa razão, a ausência de cópias bem antigas da Bíblia hebraica não precisa causar surpresa ou inquietação.”

O Texto Massorético e os Rolos do Mar Morto

Mais tarde, entre 500 e 900 A.D., os massoretas aceitaram o fatigante trabalho de editar o texto e padronizá-lo. O texto que os massoretas produziram é chamado de texto “massorético”, o texto hebraico padrão hoje. Os massoretas eram bem disciplinados, tendo elaborado um complicado sistema de salvaguardas contra erros de cópia. Por exemplo, eles contavam o número de vezes que cada letra do alfabeto aparecia em cada livro; eles assinalavam a letra que ficava exatamente no meio do Pentateuco e a que ficava exatamente no meio da Bíblia toda; e faziam cálculos ainda mais minuciosos do que esses.

Sir Frederic Kenyon escreve: “Além de registrar as variantes de leitura, a tradição, ou as conjeturas, os massoretas realizaram inúmeros cálculos que não dizem diretamente respeito à crítica textual. Eles contaram os versículos, as palavras e as letras de cada livro. Eles calcularam a palavra e a letra que ficava no meio de cada livro. Fizeram uma lista dos versículos que continham todas as letras do alfabeto, ou um certo número delas; e assim por diante. No entanto, essas trivialidades, como bem poderíamos considerá-las, tiveram o efeito de garantir uma atenção minuciosa à transmissão fiel do texto.”

No início de 1947, o mundo foi informado sobre o que foi considerado "a maior descoberta arqueológica do século". Em cavernas próximas ao Mar Morto, foram descobertos jarros antigos contendo os agora famosos Rolos do Mar Morto, muitos deles datados de aproximadamente 150 a.C. a 70 d.C., o que significa que esses textos bíblicos eram mais de mil anos mais velhos que o Texto Massorético. O achado incluía a cópia manuscrita mais antiga conhecida do livro completo de Isaías e fragmentos de quase todos os livros do Antigo Testamento. Também foram achados, em uma cópia esfarrapada, os livros de Samuel, juntamente com dois capítulos completos de Habacuque. Comparando-se os Rolos do Mar Morto com os outros manuscritos, os estudiosos ficaram pasmos ao descobrir como é precisa nossa Bíblia moderna. Na maioria dos casos, havia apenas pequenas diferenças de ortografia.

O mais antigo manuscrito com o texto hebraico completo que possuíamos fora preparado em 900 A.D. ou depois. Graças à arqueologia e aos Rolos do Mar Morto, um dos rolos era um manuscrito com o texto hebraico completo de Isaías datado de 125 a.C., e mais de mil anos mais antigo do que qualquer outro manuscrito anteriormente conhecido. O impacto dessa descoberta está em que o rolo de Isaías (125 a.C.) corresponde exatamente ao texto massoretico de Isaías (916 A.D.), preparado 1.000 anos depois. Isso demonstra a fidelidade e exatidão incomuns dos copistas pelo período de mil anos.

Sir Frederic Kenyon escreve: “Muito embora as duas cópias de Isaías descobertas em 1947, na caverna número 1 de Qumran (próximo ao mar Morto) fossem mil anos mais antigas que o mais velho manuscrito até então conhecido (980 A.D.), verificou-se que, em mais de 95% do texto, eram idênticas palavra por palavra ao nosso texto hebraico padrão. Os 5% de variação são, principalmente, erros óbvios de cópia e variações de ortografia. Mesmo os fragmentos de Deuteronômio e Samuel, descobertos no mar Morto e que indicam pertencerem a uma família de manuscritos diferente da do nosso texto hebraico conhecido, não apontam para quaisquer diferenças de doutrina ou de ensino. Absolutamente não afetam a mensagem revelada”.

Conclusão


O problema, antes da descoberta dos Rolos do Mar Morto, era sobre a fidelidade das cópias que temos hoje em comparação com o texto do primeiro século. Mas além deles, existem duas outras antigas testemunhas que atestam a precisão dos copistas do Antigo Testamento. Uma delas é a tradução grega do Antigo Testamento, chamada de Septuaginta; outra é o texto que foi preservado pelos samaritanos que vivem hoje na Palestina. Temos grande evidência externa de como é confiável o texto do Antigo Testamento. Podemos pegar o Antigo Testamento nas mãos e saber que ele é o mesmo compilado por Esdras no quarto século antes de Cristo, que ele é o mesmo lido por Jesus na sinagoga em Nazaré no primeiro século da nossa era. "Deus tem testemunhas fiéis, a quem confiou a verdade, e que preservaram a Palavra de Deus. Os manuscritos das Escrituras hebraicas e gregas foram preservados ao longo dos séculos por um milagre de Deus." – Ellen G. White, Carta 32, 1899.

Bibliografia: As informações nos parágrafos acima foram extraídas, condensadas e reordenadas das seguintes fontes: 1) Josh McDowell, Evidência que exige um veredito: evidências históricas da fé cristã. 2. ed. - São Paulo: Editora Candeia, 1996; e 2) A Bíblia para hoje, Lições da Escola Sabatina, 2º Trimestre de 2007, publicada pela Casa Publicadora Brasileira.

*Walter Dos Santos é um jornalista apaixonado por Cristo e pela literatura que mantém o Portal Escrivão Caminha (escrivaocaminha.blogspot.com). A reprodução deste texto é autorizada desde que seja mencionado este crédito.
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1 Comentário:

Vívian Santiaggo disse...

Mt interessante...
Gostei do seu blog.Etra no meu qualquer dia o end. é:
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