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segunda-feira, 30 de março de 2009

A faraó esquecida e o Êxodo hebreu




por Douglas Reis


Por mais de 20 anos, o governante da maior potência da Terra construiu obras faraônicas (literalmente falando) e manipulou a cúpula astuciosamente, com o fito de manter-se no poder. E esse governante era … uma mulher!

Hatshepsut (cujo governo se estendeu de 1479 a 1458 a.C.) governou o Egito. Apesar disso, foi alvo de uma incrível campanha anti-iconoclástica – a rainha não possuía caixão, nem estatuetas, nada de roupas, toucas reais, joias , sandálias e anéis. Suas estátuas e inscrições foram demolidas, além dos monumentos sagrados que foram alvo de vandalismo. Parte dessa história é passada em revista em uma matéria da National Geographic Brasil.[1]

O perfil da poderosa monarca das terras do Nilo é traçado da seguinte forma: “[…] Hatshepsut ergueu e renovou templos e santuários desde o Sinai até a Núbia. Os quatro obeliscos de granito que mandou erigir no vasto templo do grande deus Amon, em Karnak, contavam-se entre os mais majestosos de seu tempo. Hatshepsut encomendou centenas de estátuas de si mesma e deixou testemunhos inscritos na pedra sobre sua ascendência, seus títulos, sua história – tanto a verdadeira quanto a forjada –, e até mesmo sobre seus pensamentos e anseios, os quais ela por vezes confidenciava com candor inaudito. As manifestações das inquietudes da governante inscritas em seu obelisco ainda ressoam com uma quase charmosa insegurança: ‘Meu coração palpita de preocupação só de pensar no que dirão as futuras gerações. Aqueles que hão de ver meus monumentos nos anos vindouros e tecer comentários sobre meus feitos’.”[2] No transcurso do tempo, a rainha se apresentava de forma masculinizada, difundindo fábulas sobre ser a escolhida dos deuses.[3]

Descoberta há dois anos, A múmia não estava no sarcófago na 20ª tumba no vale dos reis, como seria de se esperar. Tudo começou em 2005, quando Zahi Zawass, chefe do Projeto da Múmia Egípcia e secretário-geral do Supremo Conselho de Antiguidades, analisou o corpo encontrado na tumba. O corpo já havia sido descoberto em 1989, pelo egiptólogo americano Donald Ryan duas décadas depois; só foi possível identificá-lo como pertencente à Hatshepsut devido a um dente (molar secundário) localizado em uma caixa de madeira, na qual se lia o nome da monarca em hieróglifo. O dente combinava com a múmia que estava na tumba KV60a[4].

Entretanto, por qual razão a rainha teria sido perseguida? Basicamente, os arqueólogos seculares seguem dois caminhos: Hatshepsut sofrera vingança do enteado, Tutmós III, que atuou como seu co-regente por muitos anos, mesmo quando teria idade para assumir o trono. Tal hipótese se encontra descartada por estudos que apontam que a depredação dos objetos ligados à Hatshepsut ocorrera vinte anos após o fim de seu reinado. Outros aventam que fatores políticos levariam à destruição da memória da rainha, que poderiam levar seus sucessores mais diretos a reivindicar o trono no lugar de Amenófis II, filho de Tutmós III.

Walter Veith[5] apresenta uma terceira hipótese. Hatshepsut seria identificada com a filha de Faraó (Ex. 2). Seu pai, Tutmós I(1532 a 1508 a.C), terceiro rei da 18ª dinastia, que teria ordenado a matança das crianças em 1530 a.C. (Arão, que teria nascido em 1533 a.C., não se viu afetado pelo decreto.

Com a morte de Tutmós I, Moisés, que estava na linha de sucessão real, poderia ter assumido como o 4º faraó da 18ª dinastia, uma vez que o faraó não tinha filhos homens. A recusa se deveu, sem dúvida, a uma questão de fé (Hb. 11:24). Com isso, assumiu Tutmés II, irmão bastardo e marido de Hatshepsut. Ele reinou por pouco tempo: de 1508 a 1504 a.C. abriu-se nova oportunidade para Moisés assentar-se no trono daquela que era a maior nação da Terra. Devido a uma nova recusa do futuro libertador dos israelitas, a própria Hatshepsut tomou as rédeas, governado o Egito por 21 anos. A falta de apoio que a rainha colheu nos últimos anos e o fato de ser banida das crônicas reais pode ser explicada, ainda de acordo com Veith, por uma razão: tais coisas aconteciam somente no caso do faraó ser desleal aos deuses. De alguma forma, admitindo-se essa alternativa, Hatshepsut demonstrou ser influenciada pelo seu filho adotivo, revelando a influência do monoteísmo dos escravos hebreus. Nada mais escandaloso para a alta sociedade egípcia, a qual era composta também pela classe de sacerdotes.

A reportagem da National Geographic comenta sobre o enteado e sucessor de Hatshepsut: “Depois de sua morte, por volta de 1458 a.C., seu enteado a substituiu, cumprindo o destino de ser um dos grandes faraós da história egípcia. Tutmós III foi um realizador, como sua madrasta, mas também um guerreiro, o chamado Napoleão do Egito. Em 19 anos, liderou 17 campanhas militares no Levante, inclusive uma vitória contra os cananeus em Megiddo, atual Israel, feito ainda hoje estudado nas academias militares. Ele teve um rebanho de esposas, uma das quais deu à luz seu sucessor, Amenófis II.”[6]

Weith traz à luz o exame meticuloso da múmia do imponente Tutmós III (o qual o autor considera que fosse o faraó do Êxodo), realizado pelos egiptólogos Weeks e Harris, em 1973. O resultado foi algo surpreendente: o corpo do faraó, que reinara por 54 anos revelou ter pertencido a um garoto de 18 anos – ou seja, o corpo era falso! Jamais os egípcios mumificariam um corpo falso, porque a conservação do corpo garantia que Ka (lit.: duplo, i.e., a alma)o reconheceria, ao voltar periodicamente do mundo dos mortos, trazendo equilíbrio (maat) ao país. O único motivo para a troca do corpo seria a destruição do legítimo Tutmós III, o que combina com o final trágico que o faraó teve no final do Êxodo (Ex. 14). Some-se a esses fatores o fato de que o sucessor de Tutmós III não ser seu primogênito e a data de seu reinado estar de acordo com a primeira Páscoa judaica e teremos algumas boas evidências da veracidade das Escrituras. Pelo jeito, a parceria entre Bíblia e Arqueologia via durar por muito tempo…

[1] Chip Brown, “O rei está nu (a)”, National Geographic Brasil, Abril 2009, ano 9, nº 109, pp.38-59.
[2] Idem, pp. 44-45.
[3] Idem, p. 50.
[4] Idem pp. p. 42, 44, 53-55.
[5] Walter Veith, “Egypt and Bible”, disponível em http://www.amazingdiscoveries.org/egypt-and-the-bible.html.
[6] Idem, p. 52.

Publicada originalmente no blog Questão de Confiança, com o título O esquecimento de Hatshepsut: evidências de uma conversão?
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quinta-feira, 26 de março de 2009

Os outros filhos de Maria


A virgindade da mãe de Jesus é um dos assuntos espinhosos no meio cristão. Por um lado existe o dogma católico de que Maria foi sempre virgem, mesmo após o nascimento de Jesus. Por outro, a evidência contrária presente no relato claro e simples dos Evangelhos.

Os Evangelhos nos dizem que José não conheceu (isto é, não manteve relações sexuais com) Maria até Jesus nascer (Mateus 1:25). Isto indica que, após o nascimento de Jesus, José passou a ter relações com a esposa. De maneira alguma isto denigre o caráter ou a espiritualidade da bendita mãe de Jesus, pois “o casamento deve ser honrado por todos; o leito conjugal, conservado puro" (Hebreus 13:4). As Escrituras aprovam e incentivam o prazer sexual, dentro do casamento, como um dom de Deus aos casais (ver Provérbios 5:15-20, Cantares 2:3-7 e 4:9-12, Isaías 62:5, 1 Coríntios 7:3-7, Hebreus 13:4).

Segundo os Evangelhos, Maria teve pelo menos seis filhos, sendo 4 filhos homens: Tiago, José, Simão e Judas, e duas filhas mulheres que não são nomeadas (Mateus 13:55-56; Marcos 6:3). Jesus é chamado de “Filho Unigênito de Deus” (João 3:16-18), mas é o filho primogênito de Maria (Lucas 26-7). Cumprindo a profecia messiânica de Salmo 69:8 ("Tornei-me estranho a Meus irmãos e desconhecido aos filhos de Minha mãe"), a relação de Jesus com eles não era a melhor possível. João registra que “nem mesmo os seus irmãos criam nEle” (7:1-5) e Marcos reproduz a opinião dos irmãos de Jesus quanto a Ele: "Ele está fora de si” (Marcos 3:21). Após a ressurreição de Jesus, porém, os irmãos de Jesus O aceitaram como Messias e aguardaram o Pentecostes com a mãe (Atos 1:14). Destes se destaca Tiago, o “irmão do Senhor”, que se tornou uma das colunas da Igreja primitiva (Atos 15:13; 1 Coríntios 15:7, Gálatas 2:9, Tiago 1:1). O autor da carta de Judas, “irmão de Tiago”, é outro filho José e Maria, antes descrente, que se converteu (1:1).

Devido a tentativa acima mencionada de os irmãos de Cristo tentarem controlá-Lo, alguns sustentam que eles eram meio-irmãos de Jesus, órfãos de um casamento anterior do viúvo José. Talvez o registro mais antigo desta tese esteja no Proto-Evangelho de Tiago, um evangelho apócrifo escrito provavelmente em 150 AD. No capítulo 9, verso 2 lemos: "José replicou: — Tenho filhos e sou velho, enquanto que ela é uma menina. Não gostaria de ser objeto de zombaria por parte dos filhos de Israel".

Esta teoria, mantida também pela escritora adventista Ellen White (O Desejado de Todas as Nações, pág. 86-87), é interessante porque preenche algumas lacunas. Como irmãos mais novos poderiam tentar manipular Jesus tal qual acontece nos Evangelhos? Por que Jesus na cruz encarrega João, e não Seus irmãos, de cuidar de Maria? Mas infelizmente levanta mais buracos do que cobre. Se José era viúvo e pai, por que os filhos dele não aparecem nos Evangelhos na viagem para Belém e na fuga para o Egito? Por que o dado da viuvez nunca é mencionado? Por que os irmãos de Jesus surgem de repente na narrativa, após a provável morte de José? Por que eles sempre são mencionados juntos com Maria? Se mais velhos que Jesus e enteados de Maria, por que a relação tão próxima com a madastra?

Além de harmonizar-se com os dados da narrativa dos Evangelhos, a idéia de Maria ter tido outros filhos com José é a possibilidade mais lógica e natural diante dos fatos bíblicos. Alguns argumentam que a palavra "irmão" no hebraico pode significar, entre outras coisas, primo. Contudo o Novo Testamento foi escrito não em hebraico, mas em grego e nesta língua há as palavras adelphos (irmão) e anepsios (primo) Se os evangelistas quisessem se referir a primos, poderiam muito usar a palavra anepsios ,como fez Paulo em Colossenses 4:10.

Em todo caso, podemos extrair algumas lições da família de Jesus: 1) Devemos estar dispostos a cumprir a vontade de Deus em nossa vida sempre, tal qual José e Maria fizeram; 2) O parentesco com alguém fiel a Deus de nada vale se nós não decidirmos por nós mesmos seguir a Jesus; 3) Familiares hoje hostis ao Evangelho podem ser alcançados para a salvação e a glória de Deus. — Walter Dos Santos


por Reinaldo José Lopes
Do G1, em São Paulo

A lista "Tiago, José, Judas e Simão" lhe diz alguma coisa? Uma dica: não são nomes de apóstolos. Na verdade, de acordo com o Evangelho de Marcos, estes seriam os irmãos de Jesus, que são citados ao lado de pelo menos duas irmãs de Cristo (cujos nomes não aparecem). Os católicos e ortodoxos normalmente interpretam o trecho como uma referência a primos ou parentes mais distantes do mestre de Nazaré, mas o mais provável é que essa visão seja incorreta. A maior parte dos (poucos) indícios históricos indica que Maria e José realmente tiveram filhos depois do nascimento de Jesus.

É claro que, sem nenhum acesso a registros familiares contemporâneos ou evidências arqueológicas diretas, a conclusão só pode envolver probabilidades, e não certezas. "Se a busca do 'Jesus histórico' já é difícil, a pesquisa dos 'parentes históricos de Jesus' é quase impossível", escreve o padre e historiador americano John P. Meier no primeiro volume de "Um Judeu Marginal", série de livros (ainda não terminada) sobre Jesus como figura histórica.

Meier explica que, ao longo da tradição cristã, teólogos e comentaristas do texto bíblico se dividiram basicamente entre duas posições, batizadas com expressões em latim. A primeira é a chamada "virginitas ante partum" (virgindade antes do parto), segundo o qual Maria permaneceu virgem até o nascimento de Jesus, tendo filhos biológicos com seu marido José mais tarde. A segunda, "virginitas post partum" (virgindade após o parto), postula que Maria não teve outros filhos e até que seu estado de virgem teria sido milagrosamente restaurado após o único parto.

A "virginitas post partum" foi, durante muito tempo, a posição defendida por quase todos os cristãos, diz o historiador -- até pelos protestantes, que hoje não se apegam a esse dogma. "Um fato surpreendente, e que muitos católicos e protestantes hoje em dia desconhecem, é que as grandes figuras da Reforma, como Martinho Lutero e Calvino, defendiam a virgindade perpétua de Maria", escreve ele. Já especialistas católicos modernos, como o alemão Rudolf Pesch, defendem que Maria provavelmente teve outros filhos sem que isso tenha levado a reprimendas diretas do Vaticano.

Jerônimo


Diante das menções claras aos "irmãos e irmãs de Jesus" nos Evangelhos (que inclusive se mostram contrários à pregação dele, chegando mesmo a considerá-lo louco), como a interpretação da "virginitas post partum" prevaleceu?

"Houve três formas de interpretar esses textos", afirma o americano Thomas Sheehan, estudioso do cristianismo primitivo e professor da Universidade Stanford. "Além de considerar essas pessoas como irmãos biológicos de Jesus, sabemos da posição de Epifânio, bispo do século IV para quem os irmãos eram de um casamento anterior de José. Mas a opinião que prevaleceu foi a de Jerônimo, que era um excelente filólogo [especialista no estudo comparativo de idiomas] e viveu na mesma época. Jerônimo dizia que a palavra grega 'adelphos', que nós traduzimos como 'irmão', era só uma versão de um termo aramaico que pode ter um significado mais amplo e que pode querer dizer, por exemplo, primo."

Jerônimo tinha razão num ponto: quando o Antigo Testamento foi traduzido do hebraico para o grego, a palavra "adelphos" realmente foi usada para representar o termo genérico "irmão" (empregado para parentes mais distantes no original). De fato, o hebraico, bem como o aramaico (língua falada pelos judeus do tempo de Jesus na terra de Israel), não tem uma palavra para "primo". O problema é que há um único caso comprovado de que a palavra hebraica "irmão" tenha tido o significado real de "primo". Essa única ocorrência está no Primeiro Livro das Crônicas -- e mesmo assim o contexto deixa claro que as pessoas em questão não são irmãs, mas primas.

No entanto, o caso do Novo Testamento é diferente, argumenta Meier: não se trata de "grego de tradução", mas de textos originalmente escritos em grego, nos quais não havia motivo para usar um termo que poderia gerar confusão. O próprio Paulo, autor de várias cartas do Novo Testamento, chama Tiago, chefe da comunidade cristã de Jerusalém após a morte de Jesus, de "irmão do Senhor", ao escrever para fiéis de origem não-judaica (ou seja, que não sabiam hebraico ou aramaico). De quebra, a Carta aos Colossenses, atribuída a Paulo, usa até o termo grego "anepsios", que quer dizer "primo" de forma precisa.

Reforçando esse argumento, o escritor judeu Flávio Josefo, ao relatar em grego a morte de Tiago, também o chama de "irmão de Jesus". E o contexto dos Evangelhos reforça a impressão de que se tratam de irmãos de sangue, argumenta Meier. Os irmãos e a mãe de Jesus são sempre citados em conjunto. Quando Maria e os parentes de Jesus tentam interromper uma pregação, ele chega a pronunciar a polêmica frase "Qualquer um que fizer a vontade do meu Pai celestial é meu irmão, minha irmã e minha mãe". Para Meier, a frase perderia muito de sua força se o significado real dela se referisse a "meu primo, minha prima e minha mãe".

Para Geza Vermes, professor de estudos judaicos da Universidade de Oxford (Reino Unido), as próprias narrativas sobre o nascimento de Jesus dão apoio a tese de que Maria e José tiveram outros filhos mais tarde. No Evangelho de Mateus, afirma-se que José não "conheceu" (eufemismo para ter relações sexuais com alguém) sua mulher até que Jesus nascesse. Ainda de acordo com Vermes, em seu livro "Natividade", é importante notar o uso do verbo grego "synerchesthai", ou "coabitar", para falar da relação entre José e Maria. O verbo, quando empregado pelos autores do Novo Testamento, implica sempre relações sexuais entre homem e mulher, diz ele.

Título original da matéria: Maria provavelmente teve outros filhos além de Jesus, dizem historiadores
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segunda-feira, 23 de março de 2009

Como lidar com o aluno-cliente

As exigências, a arrogância e os abusos do aluno que paga




A matéria abaixo foi publicada em 06/04/2006 no site Universia Brasil, um portal voltado para universitários. É um texto antigo na data (mas atual no problema que aborda) que recebi de um colega da Usp, após conversarmos sobre a situação do professor no ensino superior. Para quem não conhece o mundo acadêmico, a situação apresentada pode parecer terrível. Contudo, o quadro apresentado é frequente em muitas universidades brasileiras. Mais até do que se imagina.

E antes que alguém me acuse injustamente, alguns esclarecimentos.

Não, eu não acredito que todas as faculdades particulares do país ofereçam um ensino ruim, nem que todas as universidades públicas sejam automaticamente centros de bom ensino. Não se pode negar, porém, que o ensino superior no Brasil está se tornando cada vez mais mercantilizado. Mais do que nunca, o aluno tem se tornado não um futuro profissional ou cidadão, mas apenas um mero cliente que deve ser conquistado e fidelizado a qualquer custo. Mesmo que isto custe a educação pela qual ele paga.

Sim, eu acredito que é melhor aumentar a qualidade da educação e não o mero acesso à ela. Questiono radicalmente propostas de acesso ao ensino superior que não passem pela avaliação do mérito do aluno. As medidas de inclusão universitária que menosprezam ou dispensam este critério são equivocadas, oferecendo ao aluno uma falsa mobilidade social. Leia, a propósito, minha experiência com o vestibular em Quem sou, de onde vim e porque estou. Estamos vivendo no ensino superior o mesmo processo hoje que há décadas: a massificação dos ensinos fundamental e médio provocou a sua desvalorização. Se não é possível que todos tenham um bom ensino, então não se ofereça um ensino ruim à maioria e um bom a poucos. — Walter Dos Santos


Cena 1 - Primeiro dia de aula de uma professora em uma faculdade particular em Brasília. Às 19h10, horário marcado para começar, a sala está vazia. Ela espera. Alunos começam a chegar. Ela faz a chamada às 19h30. Um aluno chega mais tarde e "manda" a professora colocar um pontinho de presença pra ele. Ela não o "obedece". O aluno diz: "Você é nova aqui, né? Não sabe que no noturno todo mundo trabalha e chega atrasado mesmo?".

Cena 2 - Aluno tira nota abaixo da média, é reprovado. Vai até a professora tentar negociar. Professora não aceita negociações. Aluno ameaça: "Será que vou precisar falar com a diretora para você mudar de idéia?".

Essas não são cenas de filme. É um cenário real e muito comum em faculdades particulares de todo o país. "Os alunos acham que, porque estão pagando, mandam no esquema da aula", diz a professora de Jornalismo vítima dos casos relatados acima."A lógica deles é invertida. É ótimo eles exigirem seus direitos como consumidores. Mas eles têm que entender que o direito deles é ter um ensino de qualidade, e não um ensino mais fácil e fraco", alega um professor de Sociologia que dá aula em duas faculdades particulares de Brasília.

Mas a verdade é que, assim como a professora das cenas 1 e 2, a maioria dos docentes de faculdades particulares sente-se pressionada, tanto pelos alunos quanto pela Instituição de Ensino Superior (IES), a ter muita tolerância com faltas, prazos para entrega de trabalho, atrasos e até mesmo com o nível acadêmico deles. "Na Comunicação Social, muitos alunos escrevem mal, não conseguem alcançar o nível de eficiência que o mercado exige. Mas, se ele freqüenta todas as aulas e faz as tarefas, a gente não reprova", diz outro professor de uma faculdade particular de Brasília.

Uma professora que dá aula em três IES em São Paulo atribui a postura abusiva dos alunos não só ao fato de serem pagantes, mas a uma característica da geração: a falta de responsabilidade e de noção de limites. "Eles têm uma atitude passiva: esperam que o professor faça tudo por eles, acham que devemos agir como se fôssemos mãe deles. Têm dificuldade de assumir as rédeas da própria vida, bancar as conseqüências de suas atitudes."

A pró-reitora do Centro Universitário UniSant"Anna, Maria Betânia Placucci Bari, acredita que esse comportamento está também relacionado a uma postura do adolescente rebelde sem causa, que reclama sem ter informação sobre os seus reais direitos e deveres, sem saber o seu papel e o do professor.


Pacto de mediocridade


Mas a responsabilidade por posturas arrogantes ou exigências descabidas não é só do aluno. "Isso só acontece porque várias faculdades - principalmente as que têm uma postura mais mercadológica - dão respaldo a essas atitudes", opina um professor de Sociologia que dá aula em duas faculdades particulares de Brasília. "É o pacto de mediocridade", diz.

"Há uma pressão coletiva, tanto por parte dos alunos, quanto por parte da direção das faculdades e até do MEC, para que tenhamos muita tolerância, flexibilidade e façamos tudo para agradar o aluno de forma a mantê-lo na faculdade, com medidas e legislação que tornem o estudo mais fácil e menos rigoroso", diz um professor de Direito que dá aula em duas faculdades particulares de Campo Grande, e percebe que a coordenação dá uma imensa liberdade aos alunos e prejudica a autonomia dos docentes, que são obrigados a compor as notas com trabalho e provas de múltipla escolha, para facilitar. Além disso, a instituição estabelece notas mínimas que podem ser dadas ao estudante.

Muitas vezes, as situações extrapolam questões éticas e legais: tem professor que reprova o aluno e, no semestre seguinte, percebe que ele foi "misteriosamente" aprovado pela faculdade. É a reprovação acadêmica à aprovação administrativa. Ou então, o docente dá uma nota X e recebe orientações vindas "de cima" para que aumente "mais dois pontinhos" naquela nota. Esses também são casos reais, que aconteceram com um professor de jornalismo de uma instituição brasiliense. "Não vemos outra alternativa se não ficarmos quietos. Afinal, é uma empresa particular e podemos ser demitidos a qualquer momento", diz.

Em algumas faculdades, os alunos têm uma arma poderosa para "mandar e desmandar" no professor: a avaliação semestral do docente, logo após a entrega das notas. "Há uma clara política interna da Instituição de que a reclamação do aluno vale o seu emprego. Numa das faculdades onde trabalho, se algum docente recebe nota abaixo da média em dois semestres consecutivos, ele está fora, é demitido. E, em geral, os aprovados são os do tipo showman, aquele que dá só aulas alegres e festivas. Quem tem um estilo mais sisudo, por mais que dê o conteúdo com eficácia, é reprovado", diz um professor. Outra docente acrescenta: "o pior é que os estudantes não são obrigados a avaliar. Em geral, os que fazem, são aqueles que querem ferrar o professor porque não gostam dele".


O outro lado


Exageros antiéticos a parte, existe uma questão que vai além da relação mercadológica que a faculdade-empresa estabelece com o aluno-cliente: o fato de adaptar a realidade da sala de aula à realidade do estudante. "No Brasil, muitos alunos precisam trabalhar além de estudar, e acabam deixando a faculdade em segundo plano", diz Ryon Braga, consultor de gestão de instituições de ensino, e presidente da Hoper, empresa especializada em pesquisa e análise de mercado no setor educacional.

"No mundo de hoje, ninguém tem mais o seu tempo dedicado a uma única coisa. O ser humano está sobrecarregado. Isso vai interferir em qualquer relação. Não adianta ficar cobrando. Tem que aprender a construir uma relação levando o contexto social em conta", diz Luciana Wiss, psicóloga responsável pelo Núcleo de Apóio Psicopedagógico e Profissional da UniSant"Anna, que foi criado justamente para dar suporte à essa complicada relação aluno-professor-istituição."É preciso compreender que hoje em dia todos nós somos influenciados a estabelecer uma relação de consumo com a vida em geral, não só com a faculdade", explica.

Segundo Ryon, alguns professores têm dificuldades de se adequar à realidade do aluno, principalmente professores que saem de universidades públicas e vão dar aula em particular. "Muitos têm dificuldade de entender que o aluno da instiuição particular tem um nível bem diferente do aluno da pública. É outra realidade. Claro que ele tem que aprender o máximo possível, mas dentro do contexto dele. Hoje os alunos do Ensino Superior são muito heterogênios. Antes, fazer uma faculdade era privilégio da elite. Hoje as classes C e D estão no Ensino Superior. E essas pessoas precisam trabalhar e pagam com esforço a faculdade. Então, tem que ter flexibilidade, sim", acrescenta.

Além disso, há também pontos positivo nessa relação de consumidor com relação à faculdade. Há, por parte tanto dos alunos quanto da instituição, uma cobrança maior com relação à pontualidade do professor, o planejamento das aulas, e a estrutura física das faculdades. "Isso nos incentiva a ampliar a dedicação", diz um professor.

Soluções

Docentes e gestores dão algumas dicas para melhor lidar com a questão:

- Desde o primeiro dia de aula, tanto a instituição, quanto o professor, devem esclarecer suas regras e o motivo delas. Na UniSant"Anna, por exemplo, é realizada a Semana de Ambientação à Vida Universitária, na qual a faculdade apresenta os órgãos regulamentadores da instituição, os processos acadêmicos, as leis que regem a Educação, a composição de valores do semestre, o conceito de participação do aluno, o conceito de Educação Superior.

- Logo no início das classes, o professor deve dar uma liação do que é Ética, e reforçar principalmente a ética em sala de aula.

- Diante de uma exigência abusiva ou ameaça, o professor deve ser firme, e não demonstrar medo ou insegurança. Para tanto, é preciso estar bem claro para si próprio os direitos, deveres e a filosofia da faculdade.

- As Instituições deveriam avaliar o professor por diversos ângulos, não só pelo do aluno. Seria interessante ter, por exemplo, um corpo colegiado misto com professores, coordenadores de curso e um representante da associação de pais - que pagam a faculdade para seus filhos -, para analisar o professor. Seria interessante também, haver uma instância formal responsável por receber reclamações dos alunos, que não seja constituída apenas por quem tem interesse no lucro da instituição.

- Ter uma separação clara entre diretor acadêmico e diretor administrativo. "As duas coisas têm que funcionar independentemente", acredita um professor.

- Estimular os alunos a tomar iniciativa, mostrar que o papel do professor é orientar, mas não determinar o caminho. E que faz parte do crescimento do aluno como cidadão ir buscar respaldo para o seu ensino em leituras, para ter subsídios até para questionar o professor em sala de aula.

- Diante de uma postura arrogante do aluno, o professor deve ser diplomático. "Não dá para descarregar de volta. Tem que saber negociar, ouvir. Porque muitas vezes o aluno só quer desabafar", diz uma professora.

- Explicar para o aluno, que cabe a uma instituição de Educação preocupar-se com a formação dele como cidadão, não só ser uma mera transmissora de informação.

*Os nomes dos professores e das IES foram omitidos para resguardar sua integridade.
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sexta-feira, 20 de março de 2009

O que a Bíblia diz sobre tatuagem?

Recentemente um vizinho, que é tatuador e namora uma garota adventista, me perguntou o que a Igreja Adventista do Sétimo Dia pensava sobre a tatuagem. Respondi a ele tentando mostrar alguns dos princípios espirituais que a Bíblia apresenta e as implicações que envolvem essa forma de adornar o corpo. Mas creio que o post abaixo não só oferece uma visão ampla sobre o assunto, como também poderá ajudar outros como que venham a ser abordados sobre a quastão das tatuagens. O texto foi publicado originalmente por Jean R. Habkost no blog Literalmente Verdade. — Walter Dos Santos




A revista Galileu número 86 traz algumas informações interessantes sobre a tatuagem nos dias atuais:

A TATUAGEM NUNCA ESTEVE TÃO NA MODA

É impossível ir a praia, sair na rua e não encontrar um desenho, estampado no corpo das pessoas. Para muitos, a tatuagem é um modismo, ou seja, logo passa e assim virá outra febre. Contudo, a tatuagem tem se tornado uma mania mundial e que traz dados interessantes.

Nos Estados Unidos, existem mais de 40 milhões de pessoas adeptas do tal fetiche. Na Europa, o aumento da demanda deu origem a uma nova disciplina acadêmica, a Psicologia da Tatuagem, ensinada nas Universidades de Milão e Roma.

Apesar do modismo, a tatuagem não sai do corpo, ou seja, é impossível removê-la, e ao contrário de um modismo, não pode ser trocada a cada estação.

Um dos métodos mais avançados para se remover a tatuagem é o chamado PHOTODERM, uma máquina a laser que remove a tinta.

Segundo, o cirurgião Cláudio Roncai: "É um tratamento demorado e caro e o aparelho não representa a solução definitiva, pois normalmente sobram vestígios de pigmentos na pele".

DISCRIMINAÇÕES SOFRIDAS POR QUEM FAZ TATUAGEM

Lizete Araújo, vice-presidente da CATHO, uma firma de consultoria em recursos humanos especializada na recolocação de executivos, afirma: "Normalmente, as empresas adotam os valores da sociedade, que, de maneira geral, ainda rejeitam esses adereços".

Desde a década de 1950, os cirurgiões tentam amenizar a angústia de quem um dia desobedeceu um princípio social e familiar, afirmando que "o corpo é meu", e sofreu o preconceito e agora se encontra arrependido.

A tatuagem pode ser um peso que a pessoa vai carregar para toda a vida e que pode prejudicá-la de três formas distintas:

Socialmente - pois ela vai sofrer discriminação e preconceito.
Emocionalmente - porque a tatuagem é uma marca permanente e, mesmo que a pessoa sinta arrependimento, não conseguirá removê-la totalmente.
Espiritualmente - Quando a pessoa descobrir a origem das tatuagens e verificar por si mesma que ela é instrumento relacionado com deuses e práticas ocultas e pagãs.

ANALISANDO O ASSUNTO PELA BÍBLIA

"Não fareis lacerações na vossa carne pelos mortos; nem no vosso corpo imprimireis qualquer marca. Eu sou o Senhor." (Levíticos 19:28)

Pelo contexto de Levítico 19:28 e Deuteronômio 14:1,2 podemos compreender que os golpes e marcas no corpo tinham relações com rituais pagãos que envolviam a memória de mortos, faziam parte da identificação e vinculação da pessoa com crenças em deuses e rituais pagãos e eram uma violência praticada contra o corpo.

Assim, não é recomendável que um cristão marque seu corpo com tatuagens, pois o seu corpo é um templo do Espírito Santo. Veja I Coríntios 6:19,20:

"Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus."

O dragão, preferência absoluta entre os jovens, testemunha o desejo de auto afirmação.

Porém, o dragão na Bíblia simboliza Satanás. Veja Apocalipse 12:9; 20:2:

"E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, que se chama o Diabo e Satanás, que engana todo o mundo; foi precipitado na terra, e os seus anjos foram precipitados com ele."

"E vi descer do céu um anjo, que tinha a chave do abismo, e uma grande cadeia na sua mão. Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo e Satanás, e amarrou-o por mil anos."


Os cristãos devem portanto ouvir as recomendações divinas que estão registradas na Bíblia e procurar em tudo obedecer a Jesus e seguir o Seu exemplo, desligando-se de tudo no mundo que não é edificante.

"Todas as coisas são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas são lícitas, mas nem todas as coisas edificam." (I Coríntios 10:23)

"Rogo-vos, pois, irmãos, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus." (Romanos 12:1,2)

"Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus." -(I Coríntios 10:32)

"Não dando nós escândalo em coisa alguma, para que o nosso ministério não seja censurado." (II Coríntios 6:3)


Embora não seja o ideal, muitas pessoas hoje em dia estão se tatuando. Não devemos generalizar e dizer que toda a pessoa tatuada está distante do Senhor Jesus.

Se você possui uma tatuagem não pense que não pode aproximar-se de Deus por causa disto. Deus é um pai misericordioso. Ele o ama independentemente do seu passado.

Também não devemos concluir que por uma pessoa ter uma tatuagem ela não possa receber os favores do Deus de amor, perdão e direção. Como diz o ditado: “O amor tem bons olhos” e Deus é amor!

Sempre existe esperança de salvação a todos os que antes não conheciam a Verdade e o Caminho. Cristo morreu e pagou pelos pecados de todos. Assim, uma pessoa que era assassina antes, mas conheceu a Cristo, se arrependeu e mudou de caminho, está salva, pois Cristo já pagou o preço de todos os assassinatos que esta pessoa cometeu. Na Bíblia temos várias histórias assim, sendo uma das principais a história do rei Manassés, que foi um dos piores reis de Israel e que só se arrependeu quando perdeu tudo que tinha. Até seus filhos ele queimou no fogo. Imagina! Você acha que teria salvação pra alguém assim? Mas teve! Deus o perdoou quando ele reconheceu que estava errado e se arrependeu.

Deus se importa com a nossa saúde física e aparência. Mas muito mais Ele atenta para o nosso coração. Veja o que Deus falou a Samuel por ocasião da escolha do rei Davi para substituir Saul.

“Mas o SENHOR disse: —Não se impressione com a aparência nem com a altura deste homem. Eu o rejeitei porque não julgo como as pessoas julgam. Elas olham para a aparência, mas eu vejo o coração.” (1 Samuel 16:7 NTLH)

Se você fez uma tatuagem motivado pela ligação com algum ídolo ou falso deus, peça perdão, renuncie ao seu pacto anterior e decida servir ao verdadeiro Deus. O Criador não rejeita nenhum dos seus filhos que vêm a Ele com sinceridade.

“Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora.” (João 6:37 RA)

O importante é você decidir daqui para frente ser fiel ao único Deus verdadeiro.

“Mas, se vocês não querem ser servos do SENHOR, decidam hoje a quem vão servir. Resolvam se vão servir os deuses que os seus antepassados adoravam na terra da Mesopotâmia ou os deuses dos amorreus, na terra de quem vocês estão morando agora. Porém eu e a minha família serviremos a Deus, o SENHOR.” (Josué 24:15 NTLH)

Se você se arrependeu de ter colocado uma tatuagem, não se desespere. Tenha a certeza de que Deus o ama de igual forma. O fato de você ter uma tatuagem não irá impedir a sua entrada no reino de Deus.

Jesus nos prometeu uma nova vida e um novo corpo, de carne e osso, só que eterno! Assim, alguém que perdeu um braço ou uma perna, ou não teve visão nesta vida, terá um corpo perfeito na Nova Vida. Isso também resolverá o problema de quem tem tatuagem, entende? De qualquer modo, sempre há esperança de salvação.

Jesus quer mudar o interior de todos nós antes de Sua volta. Depois tudo que for exterior será facilmente mudado por ELE!
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Os manuscritos do Novo Testamento

por Walter Dos Santos*

Se a minuciosa transmissão e cópia dos manuscritos pelos judeus testemunham em favor do Antigo Testamento, como vimos antes, a abundância de manuscritos preservados são o maior trunfo do Novo Testamento. Os cristãos não foram tão cuidadosos quanto os judeus ao recopiarem os manuscritos das Escrituras, mas a quantidade de manuscritos faz do Novo Testamento o documento antigo mais bem preservado da civilização ocidental.



Manuscritos abundantes e recentes

F. E. Peters (IN: The Harvest of Hellenism. Nova Iorque: Simon and Schuster, 1971) ressalta que “baseando-se apenas na tradição dos manuscritos, as obras que formam o Novo Testamento dos cristãos foram os livros antigos mais frequentemente copiados e mais amplamente divulgados.” Atualmente sabe-se da existência de mais de 5.300 manuscritos gregos do Novo Testamento. Acrescentem-se a esse número mais de 10.000 manuscritos da Vulgata Latina e, pelo menos, 9.300 de outras antigas versões, e teremos hoje mais de 24.000 cópias de porções do Novo Testamento. Nenhum outro documento da história antiga chega perto desses números e dessa confirmação. Em comparação, a Ilíada de Homero vem em segundo lugar, com apenas 643 manuscritos que sobreviveram até hoje. Voltaremos ao contraste entre o Novo Testamento e as obras de Homero mais à frente nesta postagem.

Sir Frederic G. Kenyon, que foi diretor e bibliotecário-chefe do Museu Britânico, reconhecido como uma das maiores autoridades em manuscritos, diz (IN: Our Bible and the Ancient Manuscripts. Nova Iorque: Harper & Brothers, 1941): “Além da quantidade, os manuscritos do Novo Testamento diferem das obras dos autores clássicos em outro aspecto, e mais uma vez a diferença é bem clara. Em nenhum outro caso o intervalo entre a composição do livro e a data dos mais antigos manuscritos existentes é tão curto quanto no do Novo Testamento. Os livros do Novo Testamento foram escritos na última parte do século primeiro; com exceção de fragmentos muitos pequenos, os manuscritos mais antigos existentes são do quarto século - cerca de 250 a 300 anos depois.

“Isso pode parecer um intervalo considerável, mas não é nada em comparação com o tempo transcorrido entre os grandes escritores clássicos e seus mais antigos manuscritos. Cremos que, em todos os pontos essenciais, temos um texto bastante fiel das sete peças remanescentes de Sófocles; no entanto, o manuscrito mais antigo e substancioso de Sófocles foi copiado mais de 1.400 anos depois de sua morte.”

O mesmo Kenyon Kenyon afirma em outro trecho de suas obras (IN: The Bibie and Archaeology. Nova Iorque: Harper & Brothers, 1940): “O intervalo entre as datas da composição do original e os mais antigos manuscritos existentes do Novo Testamento se torna tão pequeno a ponto de, na prática, ser insignificante. Assim, já nao há base para qualquer dúvida de que as Escrituras tenham chegado até nós tal como foram escritas. Pode-se considerar que finalmente estão comprovadas tanto a autenticidade como a integridade geral dos livros do Novo Testamento.”

Segundo J. Harold Greenlee (IN: Introduction to New Testament Textual Criticism. Grand Rapids: Wm. B. Eerdmans, 1964), abordando o hiato de tempo entre o manuscrito original (o autógrafo) e o manuscrito existente (a velha cópia remanescente), "os mais antigos e conhecidos manuscritos da maioria dos autores gregos clássicos foram escritos pelo menos mil anos depois da morte do seu autor. O intervalo de tempo para os escritores latinos é um pouco menor, reduzindo-se a um mínimo de três séculos no caso de Virgílio. Todavia, no caso do Novo Testamento, dois dos mais importantes manuscritos foram escritos em prazo não superior a 300 anos após o Novo Testamento estar completo; manuscritos virtualmente completos de alguns livros do Novo Testamento, bem como manuscritos incompletos, mas longos, de muitas partes do Novo Testamento foram copiados um século após serem originalmente escritos.”

Além dos manuscritos mencionados, são encontradas muitas citações e trechos das primeiras cópias do Novo Testamento em comentários, sermões e cartas dos primeiros Pais da Igreja. Os Pais Apostólicos, escrevendo principalmente entre 90 e 160 AD, mostravam grande familiaridade com a maioria dos livros do Novo Testamento. Houve também, um pouco mais tarde, as lições, chamadas de lecionários, usadas para serem lidas nos cultos públicos da igreja. Pelo meio do século 20, haviam sido classificadas mais de 1.800 dessas lições.

Obras de Homero versus o Novo Testamento

Segundo Greenlee, abordando o hiato de tempo entre o manuscrito original (o autógrafo) e o manuscrito existente (a velha cópia remanescente), "os mais antigos e conhecidos manuscritos da maioria dos autores gregos clássicos foram escritos pelo menos mil anos depois da morte do seu autor. O intervalo de tempo para os escritores latinos é um pouco menor, reduzindo-se a um mínimo de três séculos no caso de Virgílio.

"Todavia, no caso do Novo Testamento, dois dos mais importantes manuscritos foram escritos em prazo não superior a 300 anos após o Novo Testamento estar completo; manuscritos virtualmente completos de alguns livros do Novo Testamento, bem como manuscritos incompletos, mas longos, de muitas partes do Novo Testamento foram copiados um século após serem originalmente escritos. Uma vez que os estudiosos aceitam que os escritos dos antigos clássicos são em geral fidedignos, embora os mais antigos manuscritos tenham sido escritos tanto tempo depois da redação original e o número de manuscritos remanescentes seja tão pequeno em muitos casos, está claro que, da mesma forma, fica assegurada a credibilidade no texto do Novo Testamento.”

Bruce Metzger comenta que dentre todas as composições literárias escritas pelo povo grego, os poemas homéricos são os mais adequados para uma comparação com a Bíblia. Ele acrescenta (IN: Chapters in the History of New Testament Textual Criticism. Grand Rapids: William B. Eerdmans, 1963): “Em todo o corpo de literatura antiga, tanto grega como latina, a Ilíada é a que mais se aproxima do Novo Testamento por possuir a maior quantidade de testemunho de manuscritos”.

Lembra do que falamos sobre o cuidado não tão rigoroso dos escribas cristãos, em contrapartida aos colegas judeus, ao copiarem e recopiarem o Novo Testamento? Nessas muitas cópias acabaram havendo pequenas, mas numerosas divergências ou variantes textuais entre os vários manuscritos do Novo Testamento existentes. Norman L. Geisler e William E. Nix (IN: A General Introduction to the Bible.Chicago: Moody, 1968), comparando as variações textuais existentes entre os documentos do Novo Testamento e as obras antigas de Homero, escreve: “Tanto a Ilíada como a Bíblia foram consideradas ‘sagradas’, ambas sofreram mudanças textuais e os respectivos manuscritos em grego foram objeto de crítica textual.

VEJA EM NOSSO PORTAL
Os manuscritos do Antigo Testamento


"O Novo Testamento tem cerca de 20.000 linhas e a Ilíada tem cerca de 15.600. Há dúvidas sobre apenas 40 linhas (ou 400 palavras) do Novo Testamento, enquanto que, no caso da Ilíada, questionam-se 764 linhas. Esses 5% de corrupção textual da Ilíada contrastam-se com 0,5% de emendas no texto do Novo Testamento. Desses 0,5% apenas 1/8 de todas as variantes tiveram algum peso, pois a maioria delas são simples questões mecânicas, tais como soletração ou estilo. Do total, então, somente cerca de 1/60 deixa de ser ‘questão relativamente insignificante’, {sem alterar a passagem ou contexto em que estão}, podendo ser chamado de ‘variação substancial’ {provocando duas possiblidades, ou mesmo incerteza, de leitura}. Matematicamente isso aponta para um texto que é 98,33% puro.”

Contudo, estas variantes não chegam a questionar a confiablidade do Novo Testamento. Tanto que Benjamin B. Warfield (IN: Introduction to Textual Criticism of the New Testamento. 7a. ed. Londres: Hodder and Stoughton, 1907) chega a dizer desafiadoramente: "mesmo na forma mais corrompida em que o texto do Novo Testamento chegou a aparecer, o texto real dos escritores sacros é suficientemente exato. Dentre todas as inúmeras variantes, escolha a mais estranha que puder, escolha de propósito a pior delas, e você não descobrirá um só artigo de fé ou preceito moral deturpado ou perdido”.

O mesmo Sir Frederic Kenyon acima citado declara enfaticamente sobre as variações textuais: “Nenhuma doutrina fundamental da fé cristã depende de algum texto controvertido. O número de manuscritos do Novo Testamento, de antigas traduções do Novo Testamento e de citações pelos mais antigos escritores da Igreja, é tão grande que é praticamente certo que o texto autêntico de cada passagem duvidosa encontra-se preservado em uma ou outra dessas antigas autoridades. De nenhum outro livro antigo em todo o mundo se pode dizer o mesmo.

“Os estudiosos se dão por satisfeitos por possuírem substancialmente o texto autêntico dos principais escritores gregos e romanos, cujas obras chegam até nós, de Sófocles, Tucídedes, Cícero, Virgílio; no entanto, nosso conhecimento das obras desses escritores depende de um pequeno punhado de manuscritos, enquanto que os manuscritos do Novo Testamento se contam às centenas e até aos milhares.”

Conclusão

Temos razões suficientes para crer que a Bíblia é a Palavra inspirada de Deus, e que foi preservada com precisão pela intervenção divina. Os manuscritos, bem como outros testemunhos disponíveis com citações e fragmentos deles, refletem com tanta exatidão o Novo Testamento como o temos hoje que podemos crer na confiabilidade dos textos do Novo Testamento tal qual foram transmitidos pelos evangelistas e apóstolos às comunidades cristãs do primeiro século.

Bibliografia: As informações nos parágrafos acima foram extraídas, condensadas e reordenadas das seguintes fontes: 1) Josh McDowell, Evidência que exige um veredito: evidências históricas da fé cristã. 2. ed. - São Paulo: Editora Candeia, 1996; e 2) A Bíblia para hoje, Lições da Escola Sabatina, 2º Trimestre de 2007, publicada pela Casa Publicadora Brasileira.



*Walter Dos Santos é um jornalista apaixonado por Cristo e pela literatura que mantém o Portal Escrivão Caminha (escrivaocaminha.blogspot.com). A reprodução deste texto é autorizada desde que seja mencionado este crédito.
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segunda-feira, 16 de março de 2009

Sobre O Caçador de Pipas

por Walter Dos Santos*

Recentemente assisti ao filme O Caçador de Pipas, baseado no romance de mesmo nome e um dos melhores que já passaram por minhas mãos. Livro excelente que li há três anos, é uma obra que fisga o leitor logo de cara e do qual sei que você também vai gostar. Como ex-professor de Literatura e estudioso do assunto, vejo em O Caçador de Pipas um texto com temas e discussões fortes, uma trama muito bem montada e um dos melhores livros de literatura que já li em minha vida. É a história de uma amizade frágil entre dois jovens afegãos, repleta de altos e baixos, e que se torna tão dramática quanto o Afeganistão, palco da narrativa que se inicia nos anos 70, na época da monarquia afegã, passa pela invasão soviética nos anos seguintes e termina no terror do regime talibã.

Amir é o protagonista e narrador do livro; Hassan, o coadjuvante e alter ego do narrador. Amir é um jovem privilegiado: pertence à etnia dominante do país (pashtu), freqüenta a escola, mora em uma bela casa e seu pai é um rico homem de negócios e figura conhecida de Cabul. É órfão de mãe e um jovem relativamente frágil. Hassan é o oposto, quase um outro eu de Amir. A única semelhança com o amigo é a ausência da presença materna em sua vida. É analfabeto e, assim como o seu pai, é serviçal na casa de Amir. Faz parte da minoria hazara, etnia menos abastada, geralmente discriminada e odiada no Afeganistão. Hassan é corajoso, companheiro e protetor do solitário Amir, que luta pela atenção do pai. Há um laço de amizade não apenas entre os garotos, mas também entre seus pais. O pai de Amir trata todos como sendo da mesma família.

Hassan é eternamente fiel ao amigo, sentimento que em alguns momentos faz despertar revolta em Amir. A ingenuidade de Hassan e o seu analfabetismo irritam Amir, às vezes. Um dia, Amir descobre uma forma de caçoar o amigo. Dentre as várias brincadeiras da infância afegã, as pipas são o passatempo de inverno predileto dos jovens. Anualmente, um campeonato de pipas agita Cabul. Será neste campeonato que os sonhos de Amir de ganhar o amor e o respeito do pai serão realizados, mas serátambém nele que um pesadelo envolvendo Hassan o marcará pelo resto da vida. O narrador migra com o pai para os Estados Unidos durante a invasão soviética, se torna escritor, vive um feliz casamento, mas não consegue esquecer a covardia cometida contra Hassan. Mas um telefonema anos mais tarde permitirá a Amir a chance de reparar o erro do passado e enfrentar a realidade cruel do regime talebã no Afeganistão.


O livro trabalha temas interessantes, embora sejam temas clássicos abordados na história da literatura. Primeiro, a infância idealizada: o cotidiano das crianças afegãs que brincam despreocupadamente nas ruas do país sem saber da invasão soviética e do regime talebã que destruirão o país. A relação de amizade é outro tema abordado na história: os dois garotos criam um estreito vínculo entre si, mas que é mesclado pela devoção incondicional de um e pela afeição egoísta do outro. Não se pode esquecer do binômio culpa e redenção: a covardia de Amir na hora em que seu amigo mais precisava e a sua tentativa de fugir do erro, a princípio, e de reparar sua falta, mais tarde, dominam os dois terços finais do livro.

Como pano de fundo sobre o qual a história é construída, é interessante observar-se 1) a reconstituição do cotidiano e cultura afegãos antes da invasão soviética nos anos 70, 2) o desenraizamento e deslumbre de Amir e seu pai como refugiados nos Estados Unidos e 3) a miséria e terror trazidos pelo regime talebã aos habitantes do Afeganistão. O livro, já aviso aos estudiosos da literatura, é despretensioso em seu estilo literário. Mas tem uma trama muito bem construída, talvez explicada pelo fato de a história ter ficado na gaveta por anos antes de ser vendida a uma editora e pelo detalhe de metade do livro ter sido reescrito antes de publicado. A identificação do leitor com os personagens e os temas da história é inevitável, e grande parte do sucesso do livro se deve à propaganda de leitores que o recomendam a amigos, parentes e colegas de trabalho. Na edição brasileira da obra, foi reproduzido um depoimento de Isabel Allende elogiando os méritos do livro. E o ator Lima Duarte fez um merchandising espontâneo para o livro numa das cenas da telenovela global Belíssima.

Khaled Hosseini, o autor, nasceu em 1965 em Cabul, no Afeganistão, mas vive nos Estados Unidos desde 1980. Como vários outros escritores, é médico e aproveitava as horas vagas para escrever. Foi nesses intervalos que surgiu O Caçador de Pipas, um fenômeno de vendas nos Estados Unidos desde o seu lançamento em 2003 e nos vários países em que foi traduzido. No Brasil, conseguiu o excelente feito de desbancar o pseudo-romance O Código da Vinci. Se você ainda não leu este livro, procure a livraria mais próxima e o compre. Ou mesmo procure a videolocadora e alugue o filme. Como o texto de Hosseini é bastante pessoal e memorialista, o filme não conseguiu transpor todos os meandros e sutilezas encontrados no livro. Como todo filme baseado em livro, aliás. Mas não deixa de ser um vídeo emocionante e o mais fiel possível ao livro. A satisfação e o prazer são garantidos.

*Walter Dos Santos é um jornalista apaixonado por Cristo e pela literatura que mantém o Portal Escrivão Caminha (escrivaocaminha.blogspot.com). A reprodução deste texto é autorizada desde que seja mencionado este crédito.
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Os manuscritos do Antigo Testamento

por Walter Dos Santos*

Partindo do pressuposto de que a Bíblia mereça atenção e importância, ainda assim permanece uma pergunta fundamental: quem garante que não houve algum tipo de adulteração, manipulação ou fraude no percurso da Bíblia dos tempos antigos aos dias de hoje? O Portal Escrivão Caminha inicia hoje uma série de postagens sobre a confiabilidade da Bíblia, examinando a questão dos manuscritos originais, das traduções modernas e da seleção final dos livros.


Ataques ao Antigo Testamento

Durante muitos séculos, muitas tentativas foram feitas para eliminar a Bíblia. Verdade é que os exemplares dela foram preservados em conventos e mosteiros, mas se impedia de todas as formas possíveis que ela parasse nas mãos do grande público. As poucas Bíblias disponíveis eram mantidas em línguas desconhecidas pela maioria, os que se aventuravam a traduzi-la em língua nacional eram queimados junto com seus trabalhos e quem possuísse um exemplar em casa poderia ser preso, torturado e morto pela igreja medieval.

Quando a destruição da Bíblia se tornou impossível devido à sua massiva circulação graças ao sucesso da Reforma e a invenção da imprensa, Satanás e seus agentes humanos tentaram um novo método. Se não podia destruir as próprias Escrituras, ele poderia fazer outra coisa: destruir sua credibilidade. O principal meio foi a Alta Crítica, um esforço acadêmico muito bem-sucedido em destruir a fé na Bíblia como Palavra de Deus.

Comecemos com os manuscritos do Antigo Testamento. Antes, é preciso fazer um esclarecimento. Na época bíblica, os livros não eram como os de hoje: eram na verdade pequenos rolos de couro ou de papiro (uma espécie de papel) que, devido à sua natureza, se desgastavam com o tempo e exigiam o constante e regular trabalho de fazerem-se cópias a partir deles. Não existem mais os autógrafos, isto é, os originais escritos pelas mãos dos autores. O que temos hoje são cópias manuscritas dos livros originalmente escritos pelos profetas do Antigo Testamento e os apóstolos do Novo Testamento.

Por muitos anos, estudiosos da Alta Crítica disseram que não se pode confiar na Bíblia. Afinal, não havia nenhuma cópia completa do Antigo Testamento hebraico (a língua em que ele foi escrito) anterior a 900 d.C. Certamente, sem copiadoras, muitos erros poderiam ter sido introduzidos nos textos. Assim, como se poderia confiar no Antigo Testamento?

Copiando o Antigo Testamento

Até um passado recente, o mais antigo e completo manuscrito hebraico existente havia sido copiado por volta de 900 A.D. Isso representava um intervalo de 1.300 anos entre a composição original do Antigo Testamento (AT) — completado por volta de 400. a.C.— e o manuscrito disponível aos estudiosos. Longe de atentar contra a confiabilidade do texto bíblico, os dados por trás deste manuscrito corroboram a confiablidade do AT. Segundo as leis civis e canônicas dos hebreus, os responsáveis pelas cópias dos exemplares do AT possuíam um sistema bem intricado para transcrever os rolos das sinagogas.

Samuel Davidson (IN: Hebrew Text of the Old Testament. 2.ed. Londres: Samuel Bagster & Sons, 1859) descreve algumas das exigências que estes responsáveis, os talmudistas, deviam seguir em relação às Escrituras: “(1) o rolo de uma sinagoga deve ser escrito em peles de animais puros, (2) preparados por um judeu para o uso específico da sinagoga. (3) Essas peles devem ser presas por meio de barbantes feitos de animais puros. (4) Cada pele deve conter um certo número de colunas, o qual deve se manter igual por todo o códice. (5) O comprimento de cada coluna não deve ser inferior a 48 nem superior a 60 linhas e a largura deve ser de trinta letras. (6) Deve-se primeiramente traçar as linhas de toda a cópia, e se três palavras forem escritas sem linha, a cópia fica inutilizada. (7) A tinta deve ser preta, e não vermelha, verde, nem qualquer outra cor, e deve ser preparada de acordo com uma fórmula específica.

“(8) Deve-se fazer a cópia a partir de uma cópia autêntica, da qual o transcritor não deve se desviar de modo algum. (9) Não se deve escrever nenhuma palavra ou letra, nem mesmo um iode, de memória, isto é, sem o escriba tê-lo visto no códice diante de si... (10) Entre cada consoante deve haver o espaço de um fio de cabelo ou de uma linha; (11) entre cada novo parashah, ou capítulo, deve haver a largura de nove consoantes; (12) entre um livro e outro deve haver três linhas. (13) O quinto livro de Moisés deve terminar exatamente no final de uma linha; mas com os demais isso não é preciso. (14) Além disso, o copista deve estar vestido com trajes judaicos a rigor, (15) lavar o corpo todo, (16) não começar a escrever o nome de Deus com uma pena recém-mergulhada na tinta, (17) e, caso um rei se dirija a ele enquanto está escrevendo o nome de Deus, não deve dar atenção ao rei”.

Davidson acrescenta que “os rolos que não são feitos de acordo com essas especificações estão condenados a ser enterrados ou queimados, ou ser banidos para as escolas, para serem usados como livros de leitura”. Ao comparar as variações de manuscritos do texto hebraico com as da literatura pré-cristã (como o Livro dos Mortos, dos egípcios), Gleason Archer Jr. (IN: Merece Confiança o Antigo Testamento? São Paulo: Vida Nova, 1974) afirma que surpreende o fato de que o texto hebraico não tenha o fenômeno de discrepâncias e de alteração dos manuscritos, presente em outros textos de literatura da mesma época. Os talmudistas tinham tanta certeza de que, ao terminarem de transcrever um manuscrito, eles teriam uma cópia exata, que atribuíam à nova cópia uma autoridade igual à do original.

Mas por que não temos outros manuscritos antigos? A própria ausência de manuscritos antigos, considerando-se as exigências feitas aos copistas e os cuidados que eles tomavam, confirma a credibilidade das cópias que temos hoje. Frederic Kenyon (In: Our Bible and the Ancient Manuscripts. Nova Iorque: Harper & Brothers, 1941) entra em mais detalhes sobre a questão acima e sobre a destruição das cópias mais antigas: “Após um manuscrito ter sido copiado com a exatidão determinada pelo Talmude, e após ter sido devidamente conferido, era aceito como autêntico e considerado como tendo igual valor ao de qualquer outra cópia. Sendo todos igualmente corretos, a idade não significava vantagem para um manuscrito; era uma desvantagem, pois um manuscrito antigo estava sujeito a tornar-se ilegível ou a sofrer algum dano. Uma cópia defeituosa ou imperfeita era imediatamente considerada imprópria para o uso. Por essa razão, a ausência de cópias bem antigas da Bíblia hebraica não precisa causar surpresa ou inquietação.”

O Texto Massorético e os Rolos do Mar Morto

Mais tarde, entre 500 e 900 A.D., os massoretas aceitaram o fatigante trabalho de editar o texto e padronizá-lo. O texto que os massoretas produziram é chamado de texto “massorético”, o texto hebraico padrão hoje. Os massoretas eram bem disciplinados, tendo elaborado um complicado sistema de salvaguardas contra erros de cópia. Por exemplo, eles contavam o número de vezes que cada letra do alfabeto aparecia em cada livro; eles assinalavam a letra que ficava exatamente no meio do Pentateuco e a que ficava exatamente no meio da Bíblia toda; e faziam cálculos ainda mais minuciosos do que esses.

Sir Frederic Kenyon escreve: “Além de registrar as variantes de leitura, a tradição, ou as conjeturas, os massoretas realizaram inúmeros cálculos que não dizem diretamente respeito à crítica textual. Eles contaram os versículos, as palavras e as letras de cada livro. Eles calcularam a palavra e a letra que ficava no meio de cada livro. Fizeram uma lista dos versículos que continham todas as letras do alfabeto, ou um certo número delas; e assim por diante. No entanto, essas trivialidades, como bem poderíamos considerá-las, tiveram o efeito de garantir uma atenção minuciosa à transmissão fiel do texto.”

No início de 1947, o mundo foi informado sobre o que foi considerado "a maior descoberta arqueológica do século". Em cavernas próximas ao Mar Morto, foram descobertos jarros antigos contendo os agora famosos Rolos do Mar Morto, muitos deles datados de aproximadamente 150 a.C. a 70 d.C., o que significa que esses textos bíblicos eram mais de mil anos mais velhos que o Texto Massorético. O achado incluía a cópia manuscrita mais antiga conhecida do livro completo de Isaías e fragmentos de quase todos os livros do Antigo Testamento. Também foram achados, em uma cópia esfarrapada, os livros de Samuel, juntamente com dois capítulos completos de Habacuque. Comparando-se os Rolos do Mar Morto com os outros manuscritos, os estudiosos ficaram pasmos ao descobrir como é precisa nossa Bíblia moderna. Na maioria dos casos, havia apenas pequenas diferenças de ortografia.

O mais antigo manuscrito com o texto hebraico completo que possuíamos fora preparado em 900 A.D. ou depois. Graças à arqueologia e aos Rolos do Mar Morto, um dos rolos era um manuscrito com o texto hebraico completo de Isaías datado de 125 a.C., e mais de mil anos mais antigo do que qualquer outro manuscrito anteriormente conhecido. O impacto dessa descoberta está em que o rolo de Isaías (125 a.C.) corresponde exatamente ao texto massoretico de Isaías (916 A.D.), preparado 1.000 anos depois. Isso demonstra a fidelidade e exatidão incomuns dos copistas pelo período de mil anos.

Sir Frederic Kenyon escreve: “Muito embora as duas cópias de Isaías descobertas em 1947, na caverna número 1 de Qumran (próximo ao mar Morto) fossem mil anos mais antigas que o mais velho manuscrito até então conhecido (980 A.D.), verificou-se que, em mais de 95% do texto, eram idênticas palavra por palavra ao nosso texto hebraico padrão. Os 5% de variação são, principalmente, erros óbvios de cópia e variações de ortografia. Mesmo os fragmentos de Deuteronômio e Samuel, descobertos no mar Morto e que indicam pertencerem a uma família de manuscritos diferente da do nosso texto hebraico conhecido, não apontam para quaisquer diferenças de doutrina ou de ensino. Absolutamente não afetam a mensagem revelada”.

Conclusão


O problema, antes da descoberta dos Rolos do Mar Morto, era sobre a fidelidade das cópias que temos hoje em comparação com o texto do primeiro século. Mas além deles, existem duas outras antigas testemunhas que atestam a precisão dos copistas do Antigo Testamento. Uma delas é a tradução grega do Antigo Testamento, chamada de Septuaginta; outra é o texto que foi preservado pelos samaritanos que vivem hoje na Palestina. Temos grande evidência externa de como é confiável o texto do Antigo Testamento. Podemos pegar o Antigo Testamento nas mãos e saber que ele é o mesmo compilado por Esdras no quarto século antes de Cristo, que ele é o mesmo lido por Jesus na sinagoga em Nazaré no primeiro século da nossa era. "Deus tem testemunhas fiéis, a quem confiou a verdade, e que preservaram a Palavra de Deus. Os manuscritos das Escrituras hebraicas e gregas foram preservados ao longo dos séculos por um milagre de Deus." – Ellen G. White, Carta 32, 1899.

Bibliografia: As informações nos parágrafos acima foram extraídas, condensadas e reordenadas das seguintes fontes: 1) Josh McDowell, Evidência que exige um veredito: evidências históricas da fé cristã. 2. ed. - São Paulo: Editora Candeia, 1996; e 2) A Bíblia para hoje, Lições da Escola Sabatina, 2º Trimestre de 2007, publicada pela Casa Publicadora Brasileira.

*Walter Dos Santos é um jornalista apaixonado por Cristo e pela literatura que mantém o Portal Escrivão Caminha (escrivaocaminha.blogspot.com). A reprodução deste texto é autorizada desde que seja mencionado este crédito.
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sexta-feira, 13 de março de 2009

O tamanho do amor de Deus


(ATUALIZADO em 23/06/2010 - inclusão do vídeo The Known Universe)


por Walter Dos Santos*


Nosso planeta é imenso, tendo a Terra área total de 510,3 milhões de quilômetros quadrados. Mas você já parou para pensar no tamanho da Terra em relação ao Sistema Solar e ao Universo em geral?


Depois disso, do meio da tempestade, o SENHOR deu a Jó a seguinte resposta: As suas palavras só mostram a sua ignorância; quem é você para pôr em dúvida a minha sabedoria? Mostre agora que é valente e responda às perguntas que lhe vou fazer. Onde é que você estava quando criei o mundo? Se você é tão inteligente, explique isso. Você sabe quem resolveu qual seria o tamanho do mundo e quem foi que fez as medições?” Jó 38:1-5, Nova Tradução na Linguagem de Hoje





Um grande planeta em nosso Sistema Solar, não é verdade? Você consegue se imaginar agora no meio dele? (Ok, ignore Plutão lá no canto, que foi rebaixado e não é mais planeta.) Mas espere um pouco: falta a nossa estrela maior para você fazer a comparação. Veja um pouco mais.






E agora? Já conseguiu se localizar? Quer ficar ainda mais surpreso? Compare o Sol com 7 outras estrelas do Universo.



Júpiter, ali na ponta da seta branca, tem o tamanho de um pixel. A Terra fica invisível nesta escala.



O Sol, ali na ponta da seta branca, tem o tamanho de um pixel. Júpiter fica invisível nesta escala.




Quero convidar você a assistir a um vídeo produzido pelo American Museum of Natural History (Museu de História Natural dos EUA).  Ele mostra o Universo conhecido do alto do Himalaia até o ponto mais distante mapeado pelos astrofísicos. Enquanto visualiza as imagens, pense no seu lugar diante do Planeta Terra, do Sistema Solar, da Via Láctea e do Universo.


American Museum of Natural History – The Known Universe 



Pense onde você, terráqueo, está no meio do Universo.




Desanimado?!




Pense agora em três coisas:





Primeiro, a Bíblia afirma que Deus mantém e sustenta todos estes mundos pela palavra do Seu poder (Hebreus 1:1-3).


Jesus ensinou que Deus cuida até mesmo dos pequenos pardais e flores do campo (Mateus 6:25-34 e 10:29-31). Jesus conhece nossas lutas e vitórias, nossos anseios e sonhos, e cuida de cada um nós individualmente. Conhece a todos por nome e sabe até a casa em que moramos, e o nome de cada um dos moradores. Cada pessoa é perfeitamente conhecida a Jesus, e as dores e alegrias de cada uma tocam o Seu coração e despertam a Sua atenção. No meio de todo este Universo, Ele cuida também de você.





Segundo, a Bíblia convida todos os homens a buscarem o Criador do Universo em oração e levar a Ele todas as suas ansiedades (1 Pedro 5:7).


Jesus mostrou que Ele nos ouve como um pai ouve os seus filhos e lhes dá coisas boas (Mateus 7:7-11). No meio de todo este Universo, Deus inclina os ouvidos dEle para escutar suas preocupações, alegrias, decepções e sonhos se você buscar a Ele em oração. Você pode conversar com Ele como conversaria com um amigo. Ao orar a Deus, você pode sentir a paz e a alegria de saber que o Senhor do Universo para a fim de ouvir você ao conversar com Ele.





Terceiro, a Bíblia compara Deus a um pastor que possui 100 ovelhas, mas deixa as 99 e vai atrás de uma única que se perdeu (Lucas 15:3-7).


Nosso mundo é a ovelha perdida no meio do Universo, e você também é, ou foi, a ovelha perdida que se afastou do Bom Pastor Jesus.


“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu Seu único Filho, para que todo aquele que nEle crer não pereça, mas tenha a vida eterna”. João 3:16


Você é a coisa mais linda que Deus tem neste mundo! E mais: Ele te ama com um amor eterno e infinito, como se não houvesse nenhuma outra pessoa em todo o Universo. Jesus teria deixado o Seu trono no Céu, nascido numa manjedoura, sofrido a Via Dolorosa, morrido na cruz e ressuscitado ao terceiro dia mesmo que você fosse a única pessoa a ser beneficiada com o plano da salvação.


O nosso mundo está nas mãos de nosso grande Deus, e você pode descansar tranquilo nestas mãos.



Mãos que, em amor, um dia criaram os céus, o mar e tudo o que neles há. Mãos que, com amor, tantas vezes se ergueram para abençoar e confortar. Mãos que, por amor, um dia foram abaixadas para serem furadas e pregadas numa cruz. Mãos que hoje batem à porta do seu coração para Ele poder entrar. Jesus é capaz de trazer paz e alegria a este seu coração, dando a você a certeza de uma vida em abundância neste mundo e uma vida imortal no mundo vindouro.



Entregue hoje mesmo sua vida a este maravilhoso Jesus, aceitando-O como seu Salvador pessoal. Fazendo isso, você conhecerá o tamanho do amor de Deus por você. E saberá por si mesmo que, acima e além das estrelas deste imenso Universo, existe um maravilhoso Pai, Amigo e Conselheiro que te ama e quer cuidar de você.


*Walter Dos Santos é um jornalista apaixonado por Cristo e pela literatura que mantém o Portal Escrivão Caminha (escrivaocaminha.blogspot.com). A reprodução deste texto é autorizada desde que seja mencionado este crédito.
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quarta-feira, 11 de março de 2009

O Melhor dos Poetas


Quero convidar você a visitar o meu mais novo blog: O Melhor dos Poetas. Trata-se de um projeto antigo, de fazer uma coletânea dos mais belos e grandiosos poemas brasileiros e portugueses, da Idade Média aos nossos dias.

Criado hoje, já postei 55 poemas, desde a Canção da Ribeirinha (o mais antigo em português) à Canção do Exílio (o mais famoso, além de suas várias paródias). A maioria é do século XIX, com destaque para os brasileiros Gonçalves de Magalhães e Gonçalves Dias e os portugueses Alexandre Herculano e Antônio Feliciano de Castilho.

O plano é ir alimentando o blog regularmente, acrescentando poemas de ambos os lados do Atlàntico. Se você gosta de poesia, certamente apreciará o blog O Melhor dos Poetas. Se ainda não gosta, esta é a oportunidade de conhecer o melhor de nossa produção poética e se apaixonar por estes grandes textos. Abaixo seguem alguns trechos dos poemas presentes em O Melhor dos Poetas. — Walter Dos Santos



Se se morre de amor!
de Gonçalves Dias

Se se morre de amor! — Não, não se morre,
Quando é fascinação que nos surpreende
De ruidoso sarau entre os festejos;
Quando luzes, calor, orquestra e flores
Assomos de prazer nos raiam n'alma,
Que embelezada e solta em tal ambiente
No que ouve, e no que vê prazer alcança!

+++
Resignação
de Alexandre Herculano

No teu seio, reclinado
Dormirei, Senhor, um dia,
Quando for na terra fria
Meu repouso procurar;

Quando a lousa do sepulcro
Sobre mim tiver caído,
E este espírito afligido
Vir a tua luz brilhar!

No teu seio, de pesares
O existir não se entretece;
Lá eterno o amor florece;
Lá florece eterna paz:

Lá bramir junto ao poeta
Não irão paixões e dores,
Vãos desejos, vãos temores
Do desterro em que ele jaz.

+++
Como eu te amo
de Gonçalves Dias

Assim eu te amo, assim; mais do que podem
Dizer-to os lábios meus, — mais do que vale
Cantar a voz do trovador cansada:
O que é belo, o que é justo, santo e grande
Amo em ti. — Por tudo quanto sofro,
Por quanto já sofri, por quanto ainda
Me resta de sofrer, por tudo eu te amo.
O que espero, cobiço, almejo, ou temo
De ti, só de ti pende: oh! nunca saibas
Com quanto amor eu te amo, e de que fonte
Tão terna, quanto amarga o vou nutrindo!
Esta oculta paixão, que mal suspeitas,
Que não vês, não supões, nem te eu revelo,
Só pode no silêncio achar consolo,
Na dor aumento, intérprete nas lágrimas.
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Metade ainda não foi contado

por Walter Dos Santos*


Quando Marco Polo (1254–1324), o explorador italiano da imagem ao lado, voltou da China para casa após mais de 20 anos no Oriente, foi considerado louco por quase todos os seus contemporâneos. Suas histórias cheias de detalhes eram incríveis demais e ultrapassavam a lógica e o bom senso da época.

A uma Europa devastada por guerras, pestes e a miséria resultante dessas coisas, ele contou que havia visitado uma cidade cheia de prata e ouro.

Que tinha visto pedras negras que ficavam em chamas (eles nunca tinham ouvido falar do carvão).

Ele contou de serpentes enormes, com 10 passos de comprimento, com mandíbulas tão grandes que podiam engolir um homem (eles nunca tinham visto um crocodilo).

Ele contou de nozes do tamanho da cabeça de um homem (eles nunca tinham visto um coco).

Muitos dos seus patrícios apenas riam dessas histórias. Anos mais tarde, quando Marco Polo estava para morrer, um homem devoto, ao lado de sua cama, apelou para que ele negasse todas as histórias que contara. Marco recusou. Ele declarou: "Cada detalhe do que contei é pura verdade. E metade ainda não foi contado."

Numa sociedade pós-moderna como a nossa, altamente tecnologizada e dominada pelo naturalismo científico acontece algo semelhante ao que se passou nos dias de Marco Polo. A mensagem bíblica de um Deus que intervém com milagres na vida humana, de um conflito entre o bem e o mal no coração humano e no mundo exterior, da necessidade de um Salvador para restaurar a raça humana, de um juízo final a sobrevir a todos e, especialmente, de um Céu que aguarda os filhos de Deus — tudo isto soa como algo irreal, inexistente e contrário à lógica e bom senso.

Mas cada detalhe do que Deus revelou na Bíblia aos profetas e apóstolos sobre este mundo invisível aos olhos humanos é a pura verdade. O fato de os contemporâneos de Marco Polo não acreditarem nos relatos do explorador não alterava em nada a existência de todas as coisas maravilhosas que ele havia presenciado em suas viagens pelo Oriente. Cada detalhe era verdadeiro, como cada detalhe da mensagem bíblica também o é.

O apóstolo Paulo escreveu em 1 Coríntios 2:9: "Mas, como está escrito: As coisas que olhos não viram, nem ouvidos ouviram, nem penetraram o coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam." Muito mais surpreendente e fascinante do que qualquer expectativa que possamos ter sobre o nosso futuro lar, será a nossa alegria e deslumbramento diante da herança reservada aos filhos de Deus. Podemos crer na vida imortal na Nova Terra que nos será pelo Salvador Jesus quando Ele voltar. E crer também que metade de tudo o que nos espera ainda não foi contada. Como diz a música abaixo, por enquanto só podemos imaginar como será aquele fantástico dia. Mas embora não saibamos os detalhes, sabemos que aquele dia certamente virá.

Chris Durán - Se Eu Pudesse Imaginar




Graças a Jesus, o Caminho e a Verdade e a Vida, o Pão que desceu do Céu, a Água Viva que sacia a sede, a Luz do Mundo que ilumina a todo homem, poderemos desfrutar muito em breve desta herança que Ele está preparando para nós. E mais: se O aceitarmos como Salvador pessoal, poderemos viver já neste mundo a vida abundante que Ele prometeu no Evangelho, encontrando nEle o descanso para o nosso coração cansado e a paz que ultrapassa todo o entendimento.

Sim, você pode dizer como Marco Polo: cada detalhe do que a Bíblia conta sobre o mundo invisível é a pura verdade, e metade ainda não foi contado.

*Walter Dos Santos é um jornalista apaixonado por Cristo e pela literatura que mantém o Portal Escrivão Caminha (escrivaocaminha.blogspot.com). A reprodução deste texto é autorizada desde que seja mencionado este crédito.

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Uma crônica sobre a nova ortografia



O texto abaixo é uma deliciosa crônica sobre as novas regras do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990). Em vigor no Brasil desde o começo do ano e praticamente protelado em Portugal pelos próximos 6 anos, os pontos do Acordo de 1990 estavam sendo discutidos há cerca de duas décadas e pretendem unificar o máximo possível a escrita da língua portuguesa no mundo.

Esse acordo atinge todos os países da Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa, e já foi ratificado por Brasil, Portugal, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. Os críticos apontam supostas falhas línguisticas, políticas e pragmáticas presentes na proposta e implementação do Acordo Ortográfico. Mas as mudanças têm força de lei e deverão ser implementadas mais cedo ou mais tarde, como aconteceu no caso de reformas anteriores no Brasil e em Portugal.

Creio ser um grave risco protelar a adesão e aprendizagem das novas regras para o último momento. Amparar-se nas novas e futuras versões de corretor ortográfico do Microsoft Word e do BrOffice também não é a melhor opção, já que mesmo os coretores antigos apresentam sugestões falsas ou ignoram equívocos na hora de revisar os textos.

A melhor coisa a se fazer é deixar de lado a preguiça intelectual e a resistência emocional e aprender as novas regras. Voltarei a discutir o assunto neste blog, mas por hora a crônica abaixo é uma maneira lúdica e interessante de aprender a nova ortografia. — Walter Dos Santos


Como será daqui pra frente?
por Elida Kronig

Estive vendo as novas regras da ortografia. Na verdade, já tinha esbarrado com elas trilhares de vezes, mas apenas hoje que as danadas receberam uma educada atenção de minha parte.

Devo confessar que não foi uma ação espontânea. Que eu me lembre, desde o ano retrasado que uma amiga me enche o saco para escrever a respeito. O faço com a esperança de que diminua o volume de e-mails e torpedos que ela me envia. Em suma, que as novas regras ortográficas a mantenham sossegada por um bom tempo.

Cai o trema!

Aliás, não cai… Dá uma tombadinha.

Linguiça e pinguim ficam feios sem ele, mas quantas pessoas conhecemos que utilizavam o trema a que eles tinham direito? Essa espécie de “enfeiação” já vinha sendo adotada por 98% da população brasileira. Resumindo, continua tudo como está.
Alfabeto com 26 letras?

O K e o W são moleza para qualquer internauta, que convive diariamente com Kb e Web-qualquercoisa. A terceira nova letra de nosso alfabeto tornou-se comum com os animes japoneses, que tem a maioria de seus personagens e termos começando com y. Esta regra tiramos de letra.

O hífen é outro que tomba, mas não cai.

Aquele tracinho no meio das vogais, provocando um divórcio entre elas, vai embora. As vogais agora convivem harmoniosamente na mesma palavra.

Auto-escola cansou da briga e passou a ser autoescola, auto-ajuda adotou autoajuda.

Agora, pasmem! O que era impossível tornou-se realidade. Contra-indicação, semi-árido e infra-estrutura viraram amantes, mais inseparáveis que nunca. Só assinam contraindicação, semiárido e infraestrutura. Quem será o estraga-prazer a querer afastá-los?

Epa! E estraga-prazer, como fica? Deixa eu fazer umas pesquisas básicas pela Internet. Huuummm… Achei!

Essas duas palavrinhas vivem ocupadíssimas, cada uma com suas próprias obrigações. Explicam que a sociedade entre elas não passa de uma simples parceria. Nem quiseram se prolongar no assunto. Para deixar isso bem claro, vão manter o traço.

Na contra-mão, chega um paraquedista trazendo um paralama, um parachoque e um parabrisa - todos sem tracinho.

Joguei tudo no porta-malas pra vender no ferro-velho. O paraquedista com cara de pão de mel ficou nervoso. Só acalmou quando o banhei com água-de-colônia numa banheira de hidromassagem.


Então os nomes compostos não usam mais hífen? Não é bem assim.

Os passarinhos continuam com seus nomes: bem-te-vi, beija-flor. As flores também permanecem como estão: mal-me-quer.

Por se achar a tal, a couve-flor recusou-se a retirar o tracinho e a delicada erva-doce nem está sabendo do que acontece no mundo do idioma português e vai continuar adotando o tracinho.

As cores apelaram com um papo estranho sobre estarem sofrendo discriminações sexuais e conseguiram na justiça, o direito de gozarem com o tracinho. Ficou tudo rosa-choque, vermelho-acobreado, lilás-médio…

As donas de casa quando souberam da vitória da comunidade GLS, criaram redes de novenas funcionando por 24hs, para que a feira não se unisse sem cerimônia aos dias da semana. Foram atendidas pelo próprio arcanjo Gabriel que fez uma aparição numa das reuniões, dando ordens ao estilo Tropa de Elite:

- Deixe o traço!

Deu certo. As irmãs segunda-feira, terça-feira e as demais, mantiveram o hífen.

Os médicos e militares fizeram um lobby, gastaram uma nota preta pra manter o tracinho. Alegaram que sairia mais caro mudar os receituários e refazer as fardas: médico-cirurgião, tenente-coronel, capitão-do-mar.

Uma pequena pausa para a cultura, ocasionada pelo trauma de ler muitas pérolas do Enem e Vestibular. Só por precaução…

Almirante Barroso não tem tracinho. Assim era chamado Francisco Manuel Barroso da Silva. Sim, o cara era militar da Marinha Imperial. Foi ele quem conduziu a Armada Brasileira à vitória na Batalha do Riachuelo, durante a Guerra da Tríplice Aliança.

No centro do Rio de Janeiro há uma avenida com seu nome (Av. Almirante Barroso). Na praia do Flamengo, há um monumento, obra do escultor Correia Lima, em cuja base se encontram os seus restos mortais. Fim da pausa!

Acho que algumas regras pra este tracinho, até que simpático, foram criadas por algum carioca apaixonado. Será que Thiago Velloso e André Delacerda tiveram alguma participação nas novas regras?

O R no início das palavras vira RR na boca do carioca. Não pronunciamos R (como em papiro, aresta e arara), pronunciamos RR (como em ferro, arraso e arremate). Falamos rroldana e não roldana, rrodopio e não rodopio, rrebola e não rebola.

Pois bem, numa das tombada do hífen, o R dobra e deixa algumas palavras com jeito carioca de ser: autorretrato, antirreligioso, suprarrenal. Será fácil lembrar desta regra. Se a palavra antes do tracinho (nem vou falar em prefixo) terminar com vogal e a palavra seguinte começar com R é só lembrar dos simpáticos e adoráveis cariocas.

Mais uma coisinha: a regra também vale para o S. Fico até sem graça de comentar isso, pois todos sabemos que o S é um invejoso que gosta de imitar o R em tudo. Ante-sala vira antessala, extra-seco vira extrasseco e por aí vai…

Quem segurou mesmo o hífen, sem deixá-lo cair, foram os sufixos terminados em R, que acompanham outra palavra iniciada com R, como em inter-regional e hiper-realista. Estes tracinhos continuarão a infernizar os cariocas.

O pré-natal esteve tão feliz, rindo o tempo todo com o pós-parto de uma camela pré-histórica que ninguém teve coragem de tocar no tracinho deles.

Já o pró — um chato por natureza — foi completamente ignorado. Só assim manteve o tracinho: pró-labore, pró-desmatamento.

A vogal e o h não chegaram a nenhum acordo, mesmo com anos de terapia. Permanecem de cara virada um pro outro: anti-higiênico, anti-herói, anti-horário. Estou começando a achar que as vogais são semi-hostis com as consoantes…

O interessante é que as vogais quando estão próximas umas das outras, não tem essa de arquiinimigas. Fizeram lipo juntas e conquistaram uma silhueta antiinflacionária de microorganismo. Sumiram todos os tracinhos, notaram?

Vogal-vogal, com as novas regras ficam magrinhas: microondas, antiibérico, antiinflamatório, extraescolar…

Uma inovação interessante:

- Podem esquecer o mixto, ele foi sumariamente despedido. Puseram o misto no lugar dele.

Fiquei bolada com essa exceção: o prefixo co não usa mais hífen. Seguiu os exemplos de cooperação e coordenado, que sempre estiveram juntas. Não estou me lembrando no momento, de nenhuma palavra que use co com tracinho.

Quem diria que o créu suplantaria a ideia!? Teremos que nos acostumar com as ideias heroicas sem o acento agudo. Rasparam também o acento da pobre coitada da jiboia.

O acento do créu continua porque tem o U logo depois. Pelo menos a assembleia perdeu alguma coisa…

Resta o consolo em saber que continuamos vivendo tendo um belíssimo céu como chapéu.
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