Bem-vindo(a) ao Portal Escrivão Caminha! Explore os nossos blogs , vote em nossos textos e escreva para nós.
Mostrando postagens com marcador literatura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador literatura. Mostrar todas as postagens

sábado, 12 de setembro de 2009

Escrava, de Florbela Espanca

Ó meu Deus, ó meu dono, ó meu Senhor,
Eu te saúdo, olhar do meu olhar,
Fala da minha boca a palpitar,
Gesto das minhas mãos tontas de amor!

Que te seja propício o astro e a flor,
Que a teus pés se incline a Terra e o Mar,
P’los séculos dos séculos sem par,
Ó meu Deus, ó meu dono, ó meu Senhor!

Eu, doce e humilde escrava, te saúdo,
E, de mãos postas, em sentida prece,
Canto teus olhos de oiro e de veludo.

Ah! esse verso imenso de ansiedade,
Esse verso de amor que te fizesse
Ser eterno por toda a Eternidade!...

O poema acima foi extraído da Antologia de Poesia Cristã em Língua Portuguesa, organizada por Sammis Reachers. O livro contem textos de 80 autores das literaturas brasileira, portuguesa e luso-africana. São alguns dos mais belos poemas de teor religioso de nomes como Gil Vicente, Gregório de Matos, Olavo Bilac, Machado de Assis, Antero de Quental, Cecília Meireles e Floberla Espanca. Você pode baixar o livro gratuitamente clicando aqui.

Share/Save

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Magnificat, de Murilo Mendes

Meu espírito anseia pela vinda da Esposa,
Meu espírito anseia pela glória da Igreja,
Meu espírito anseia pelas núpcias eternas
Com a musa preparada por mil gerações.

Eu hei de me precipitar em Deus como um rio,
Porque não me contenho nos limites do mundo.
Dai-me pão em excesso e eu ficarei triste,
Dai-me luxo, palácios, ficarei mais triste.
Para que resolver o problema da máquina
Se minha alma sobrevoa a própria poesia?
Só quero repousar na imensidade de Deus!

O poema acima foi extraído da Antologia de Poesia Cristã em Língua Portuguesa, organizada por Sammis Reachers. O livro contem textos de 80 autores das literaturas brasileira, portuguesa e luso-africana. São alguns dos mais belos poemas de teor religioso de nomes como Gil Vicente, Gregório de Matos, Olavo Bilac, Machado de Assis, Antero de Quental, Cecília Meireles e Floberla Espanca. Você pode baixar o livro gratuitamente clicando aqui.

Share/Save

sábado, 22 de agosto de 2009

Soneto, de Gregório de Matos

Ofendi-vos, Meu Deus, bem é verdade,
É verdade, meu Deus, que hei delinqüido,
Delinqüido vos tenho, e ofendido,
Ofendido vos tem minha maldade.

Maldade, que encaminha à vaidade,
Vaidade, que todo me há vencido;
Vencido quero ver-me, e arrependido,

Arrependido a tanta enormidade.
Arrependido estou de coração,
De coração vos busco, dai-me os braços,
Abraços, que me rendem vossa luz.

Luz, que claro me mostra a salvação,
A salvação pretendo em tais abraços,
Misericórdia, Amor, Jesus, Jesus.

O poema acima foi extraído da Antologia de Poesia Cristã em Língua Portuguesa, organizada por Sammis Reachers. O livro contem textos de 80 autores das literaturas brasileira, portuguesa e luso-africana. São alguns dos mais belos poemas de teor religioso de nomes como Gil Vicente, Gregório de Matos, Olavo Bilac, Machado de Assis, Antero de Quental, Cecília Meireles e Floberla Espanca. Escolhemos 10 poemas dessa antologia e os publicaremos com um intervalo de 10 dias cada um. Você pode baixar o livro gratuitamente clicando aqui.

Share/Save

domingo, 19 de abril de 2009

Euclides volta ao Estadão. Em grande estilo


O pré-modernista Euclides da Cunha (1866-1909) saiu como correspondente de guerra d'O Estado de São Paulo para cobrir a Revolução de Canudos. Inicialmente, ele pensava que esta insurreição no nordeste da Bahia era uma campanha financiada pelos monarquistas. Suas observações in loco, porém, fizeram com que ele revisse suas posições e forneceram material para a obra que o imortalizou na literatura brasileira: Os Sertões. O centenário de sua morte e o processo de escrita do livro, comemorados pelo Estadão, são abordados no artigo abaixo. O texto foi publicado originalmente no portal Observatório da Imprensa, espaço voltado para a análise crítica da imprensa brasileira. — Walter Dos Santos



por Alberto Dines


Há tempos que nossa imprensa não consegue organizar uma efeméride com tanta inteligência e propriedade. O centenário da morte de Euclides da Cunha deveria ser lembrado no próximo dia 15 de agosto (sábado), mas o Estado de S.Paulo preferiu encarar a tarefa com uma saudável disposição jornalística.

No lugar das maçarocas habituais que serão empilhadas junto aos interessantíssimos "cadernos especiais" que nunca são lidos, a direção do jornalão preferiu produzir uma temporada euclideana iniciada em março e que poderá estender-se até o fim do ano.

Euclides da Cunha é um banquete para todos os gostos: os fãs de dramas sentimentais e tragédias gregas já foram regalados com o seriado da Globo (Desejo) apresentando em 1990 (reprisado em 1995-1996). A sangrenta e shakespeariana tragédia em Piedade (ou A Tragédia da Piedade ou ainda Uma Tragédia Brasileira), passional e patética, sem vilões, quanto mais lembrada mais compaixão desperta.

O soberbo Os Sertões, os livros subseqüentes, os relatos sobre o Alto Purus e a obra póstuma trazem um tom telúrico que contrasta vivamente com a noção amena de "Brasil brasileiro, mulato inzoneiro".

ESCRIVÃO CAMINHA RECOMENDA VISITAR
Euclides da Cunha: Wikipédia e Casa de Cultura Euclides da Cunha.
Os Sertões: Wikipédia e Guia do Estudante.
O autor e a obra: Academia Brasileira de Letras, Vidas Lusófonas e TV Cultura .
A Guerra de Canudos: Wikipédia, Portal Terra e Portfolium — Laboratório de Imagens.

Reportagem e reedição

As rememorações do Estadão começaram com a série de reportagens realizadas por Daniel Piza e Tiago Queiroz (fotos), no início de março, no território percorrido por Euclides no Alto Purus. E prosseguiram auspiciosamente na edição de domingo (12/4, caderno Cultura, pág. D-14) com o início da republicação de todos os textos e reportagens produzidos a convite do amigo-camarada Júlio Mesquita na antiga A Província de S. Paulo (hoje O Estado de S. Paulo).

Com ortografia atualizada e comentados por Walnice Nogueira Galvão – nossa euclidista mor –, os textos de Euclides deixam a primeira página do jornal para ganhar uma dimensão poligráfica, cósmica, que talvez não tivessem em 1888 (quando começaram a ser publicados).

O primeiro texto ("A Pátria e a Dinastia"), de 22 de dezembro de 1888, soa como um ensurdecedor ataque ao monarquismo pouco antes da sua derrubada. Ensurdecedor porque o fraseado e o palavreado são tão elaborados que lembram o clangor de uma poderosa banda marcial cuja força é perceptível, mas não seus acordes.

Graças ao Estadão estamos percorrendo um fascinante museu da imprensa e da cultura, examinando um texto perfeitamente entendido pelos 1.200 leitores que compraram a primeira edição de Os Sertões (1902), convertido 121 anos depois num quase enigma idiomático. A primeira frase tem doze linhas (nas medidas de hoje), três vírgulas, cinco adjetivos, dois advérbios de modo. E apesar do emaranhado gongórico, arrasadora.

Euclides e Hipólito

Esta viagem pelo jornalismo do fim do século 19 é um complemento à releitura do texto de abertura da edição de junho de 1808 do Correio Braziliense. Os dois autores, Hipólito da Costa e Euclides da Cunha, nasceram com uma diferença de 92 anos (1774 e 1866, respectivamente) e exibem curiosas semelhanças.

Polígrafos, multidisciplinares, um era maçom e o outro, positivista. Hipólito era um atento observador das transformações do seu tempo, anticlerical, antiescravista, fascinado pela ciência e novas tecnologias, democrata (admirador da revolução norte-americana, porém sem coragem de assumir-se antimonarquista). Euclides era um cientista, darwinista, filósofo, convicto democrata, ferrenhamente republicano, pan-americanista.

A convergência que nos interessa é a relação com o jornalismo. Hipólito é o pai do jornalismo brasileiro e seu primeiro teórico. Euclides é o primeiro grande repórter, testemunha ocular e, ao mesmo tempo, pensador.

Jornalistas? No tempo de Hipólito, as palavras journalisme (em francês) e jornalismo não haviam sido cunhadas. No tempo de Euclides, o jornal era composto por uma soma enorme de informações telegraphicas, entremeadas por opiniões, geralmente veementes. Alguns estudiosos – como a própria Walnice Nogueira Galvão – afirmam que Euclides da Cunha escrevia em jornal, mas não era propriamente um jornalista.

Em breve conheceremos os seus despachos sobre a quarta expedição contra Antônio Conselheiro em Canudos (1897) e estaremos em condições de julgar se são reportagens ou literatura. Ou – melhor ainda – se são um produto transgênico, combinação de jornalismo e literatura. Euclides seria assim o expoente de um new journalism gorado, que não chegou a maturar porque o autor, para sobreviver, precisou dedicar-se a outras atividades.

O Estadão está oferecendo a jornalistas e leitores uma esplêndida oportunidade para degustar um vintage da melhor qualidade. Num tempo em que as vindimas são tantas e inexpressivas que ninguém as distingue.
Share/Save

segunda-feira, 16 de março de 2009

Sobre O Caçador de Pipas

por Walter Dos Santos*

Recentemente assisti ao filme O Caçador de Pipas, baseado no romance de mesmo nome e um dos melhores que já passaram por minhas mãos. Livro excelente que li há três anos, é uma obra que fisga o leitor logo de cara e do qual sei que você também vai gostar. Como ex-professor de Literatura e estudioso do assunto, vejo em O Caçador de Pipas um texto com temas e discussões fortes, uma trama muito bem montada e um dos melhores livros de literatura que já li em minha vida. É a história de uma amizade frágil entre dois jovens afegãos, repleta de altos e baixos, e que se torna tão dramática quanto o Afeganistão, palco da narrativa que se inicia nos anos 70, na época da monarquia afegã, passa pela invasão soviética nos anos seguintes e termina no terror do regime talibã.

Amir é o protagonista e narrador do livro; Hassan, o coadjuvante e alter ego do narrador. Amir é um jovem privilegiado: pertence à etnia dominante do país (pashtu), freqüenta a escola, mora em uma bela casa e seu pai é um rico homem de negócios e figura conhecida de Cabul. É órfão de mãe e um jovem relativamente frágil. Hassan é o oposto, quase um outro eu de Amir. A única semelhança com o amigo é a ausência da presença materna em sua vida. É analfabeto e, assim como o seu pai, é serviçal na casa de Amir. Faz parte da minoria hazara, etnia menos abastada, geralmente discriminada e odiada no Afeganistão. Hassan é corajoso, companheiro e protetor do solitário Amir, que luta pela atenção do pai. Há um laço de amizade não apenas entre os garotos, mas também entre seus pais. O pai de Amir trata todos como sendo da mesma família.

Hassan é eternamente fiel ao amigo, sentimento que em alguns momentos faz despertar revolta em Amir. A ingenuidade de Hassan e o seu analfabetismo irritam Amir, às vezes. Um dia, Amir descobre uma forma de caçoar o amigo. Dentre as várias brincadeiras da infância afegã, as pipas são o passatempo de inverno predileto dos jovens. Anualmente, um campeonato de pipas agita Cabul. Será neste campeonato que os sonhos de Amir de ganhar o amor e o respeito do pai serão realizados, mas serátambém nele que um pesadelo envolvendo Hassan o marcará pelo resto da vida. O narrador migra com o pai para os Estados Unidos durante a invasão soviética, se torna escritor, vive um feliz casamento, mas não consegue esquecer a covardia cometida contra Hassan. Mas um telefonema anos mais tarde permitirá a Amir a chance de reparar o erro do passado e enfrentar a realidade cruel do regime talebã no Afeganistão.


O livro trabalha temas interessantes, embora sejam temas clássicos abordados na história da literatura. Primeiro, a infância idealizada: o cotidiano das crianças afegãs que brincam despreocupadamente nas ruas do país sem saber da invasão soviética e do regime talebã que destruirão o país. A relação de amizade é outro tema abordado na história: os dois garotos criam um estreito vínculo entre si, mas que é mesclado pela devoção incondicional de um e pela afeição egoísta do outro. Não se pode esquecer do binômio culpa e redenção: a covardia de Amir na hora em que seu amigo mais precisava e a sua tentativa de fugir do erro, a princípio, e de reparar sua falta, mais tarde, dominam os dois terços finais do livro.

Como pano de fundo sobre o qual a história é construída, é interessante observar-se 1) a reconstituição do cotidiano e cultura afegãos antes da invasão soviética nos anos 70, 2) o desenraizamento e deslumbre de Amir e seu pai como refugiados nos Estados Unidos e 3) a miséria e terror trazidos pelo regime talebã aos habitantes do Afeganistão. O livro, já aviso aos estudiosos da literatura, é despretensioso em seu estilo literário. Mas tem uma trama muito bem construída, talvez explicada pelo fato de a história ter ficado na gaveta por anos antes de ser vendida a uma editora e pelo detalhe de metade do livro ter sido reescrito antes de publicado. A identificação do leitor com os personagens e os temas da história é inevitável, e grande parte do sucesso do livro se deve à propaganda de leitores que o recomendam a amigos, parentes e colegas de trabalho. Na edição brasileira da obra, foi reproduzido um depoimento de Isabel Allende elogiando os méritos do livro. E o ator Lima Duarte fez um merchandising espontâneo para o livro numa das cenas da telenovela global Belíssima.

Khaled Hosseini, o autor, nasceu em 1965 em Cabul, no Afeganistão, mas vive nos Estados Unidos desde 1980. Como vários outros escritores, é médico e aproveitava as horas vagas para escrever. Foi nesses intervalos que surgiu O Caçador de Pipas, um fenômeno de vendas nos Estados Unidos desde o seu lançamento em 2003 e nos vários países em que foi traduzido. No Brasil, conseguiu o excelente feito de desbancar o pseudo-romance O Código da Vinci. Se você ainda não leu este livro, procure a livraria mais próxima e o compre. Ou mesmo procure a videolocadora e alugue o filme. Como o texto de Hosseini é bastante pessoal e memorialista, o filme não conseguiu transpor todos os meandros e sutilezas encontrados no livro. Como todo filme baseado em livro, aliás. Mas não deixa de ser um vídeo emocionante e o mais fiel possível ao livro. A satisfação e o prazer são garantidos.

*Walter Dos Santos é um jornalista apaixonado por Cristo e pela literatura que mantém o Portal Escrivão Caminha (escrivaocaminha.blogspot.com). A reprodução deste texto é autorizada desde que seja mencionado este crédito.
Share/Save

quarta-feira, 11 de março de 2009

O Melhor dos Poetas


Quero convidar você a visitar o meu mais novo blog: O Melhor dos Poetas. Trata-se de um projeto antigo, de fazer uma coletânea dos mais belos e grandiosos poemas brasileiros e portugueses, da Idade Média aos nossos dias.

Criado hoje, já postei 55 poemas, desde a Canção da Ribeirinha (o mais antigo em português) à Canção do Exílio (o mais famoso, além de suas várias paródias). A maioria é do século XIX, com destaque para os brasileiros Gonçalves de Magalhães e Gonçalves Dias e os portugueses Alexandre Herculano e Antônio Feliciano de Castilho.

O plano é ir alimentando o blog regularmente, acrescentando poemas de ambos os lados do Atlàntico. Se você gosta de poesia, certamente apreciará o blog O Melhor dos Poetas. Se ainda não gosta, esta é a oportunidade de conhecer o melhor de nossa produção poética e se apaixonar por estes grandes textos. Abaixo seguem alguns trechos dos poemas presentes em O Melhor dos Poetas. — Walter Dos Santos



Se se morre de amor!
de Gonçalves Dias

Se se morre de amor! — Não, não se morre,
Quando é fascinação que nos surpreende
De ruidoso sarau entre os festejos;
Quando luzes, calor, orquestra e flores
Assomos de prazer nos raiam n'alma,
Que embelezada e solta em tal ambiente
No que ouve, e no que vê prazer alcança!

+++
Resignação
de Alexandre Herculano

No teu seio, reclinado
Dormirei, Senhor, um dia,
Quando for na terra fria
Meu repouso procurar;

Quando a lousa do sepulcro
Sobre mim tiver caído,
E este espírito afligido
Vir a tua luz brilhar!

No teu seio, de pesares
O existir não se entretece;
Lá eterno o amor florece;
Lá florece eterna paz:

Lá bramir junto ao poeta
Não irão paixões e dores,
Vãos desejos, vãos temores
Do desterro em que ele jaz.

+++
Como eu te amo
de Gonçalves Dias

Assim eu te amo, assim; mais do que podem
Dizer-to os lábios meus, — mais do que vale
Cantar a voz do trovador cansada:
O que é belo, o que é justo, santo e grande
Amo em ti. — Por tudo quanto sofro,
Por quanto já sofri, por quanto ainda
Me resta de sofrer, por tudo eu te amo.
O que espero, cobiço, almejo, ou temo
De ti, só de ti pende: oh! nunca saibas
Com quanto amor eu te amo, e de que fonte
Tão terna, quanto amarga o vou nutrindo!
Esta oculta paixão, que mal suspeitas,
Que não vês, não supões, nem te eu revelo,
Só pode no silêncio achar consolo,
Na dor aumento, intérprete nas lágrimas.
Share/Save

Related Posts with Thumbnails

  ©Template by Dicas Blogger.

TOPO