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terça-feira, 11 de julho de 2017

Os adventistas e o Arcanjo Miguel - 3 (resposta a objeções)

Este post é parte de uma série apologética sobre erros comuns que as pessoas 
acreditam e ensinam sobre os adventistas, sua história, suas crenças e suas práticas.
Erro comum: A Igreja Adventista está errada ao dizer confundir Jesus com o Arcanjo Miguel, algo estranho pois os anjos não podem ser adorados e não há qualquer evidência bíblica para essa posição tão estranha.

Objeção 1 -  Daniel 10:13 nega que Jesus seja Miguel?

Quanto a Daniel 10:13, apenas nesse lugar em toda a Bíblia é dito de Miguel como "um dos primeiros príncipes". Já Daniel 10:21 fala de "Miguel, vosso príncipe" e Daniel 12:1 de "Miguel, o grande príncipe, o defensor dos filhos do teu povo". Em todo o restante das Escrituras, quando não aplicado a seres humanos, o título “príncipe” é usado exclusivamente para Cristo (Js 5:14 e 15; Is 9:6; Dn 8:11 e 25; 9:25; At 5:31) ou para Satanás (Jo 12:31; 14:30; 16:11; Ef 2:12), mas nunca para qualquer outro ser não humano.

Em Josué 5:14 e 15, o Anjo do Senhor Se apresentou a Josué como o “príncipe do exército do Senhor”, aceitando adoração, o que seria uma blasfêmia se esse príncipe fosse apenas um anjo (ver Mt 4:10; Ap 22:8 e 9), e ordenando que Josué tirasse as suas sandálias porque o lugar se tornara santo (ver Êx 3:4-6; At 7:30-33). No próprio livro de Daniel, Cristo é chamado também de “príncipe do exército” (Dn 8:11) e “Princípe dos Princípes” (Dn 8:25).

Miguel é apresentado em Judas 9 como o “arcanjo” – a única passagem que liga Miguel e arcanjo na mesma frase. Nessa passagem, Miguel disputa “a respeito do corpo de Moisés” (Dt 34:5 e 6), enfrentando o diabo com as palavras: “O Senhor te repreenda!” Essa alusão identifica Miguel como o “Anjo do Senhor” que, na contenda sobre o “sumo sacerdote Josué”, disse igualmente ao diabo: “O Senhor te repreenda, ó Satanás” (Zc 3:1 e 2). É interessante notarmos que, tanto em Zacarias 3 como em Gn 22:11-18; Jz 6:11-24; 13:2-22 e At 7:30-33 e 38, o Anjo do Senhor é identificado como sendo o próprio Deus!

Em 1 Tessalonicenses 4:16 relaciona-se a “voz do arcanjo” com a ressurreição dos santos por ocasião da volta do Senhor Jesus. Cristo mesmo declarou que os mortos sairiam do túmulo ao ouvirem SUA VOZ (Jo 5:28, 29). Essa é outra evidência de que Miguel é um dos nomes de honra do Salvador.

Objeção 2 - Ao identificar Jesus com o Arcanjo Miguel, os adventistas não se igualam às testemunhas de Jeová?

A semelhança começa e termina entre os dois grupos quando afirmam que o Arcanjo Miguel é Jesus. Mas as diferenças são gritantes.

Posição das testemunhas de Jeová: "A CRIATURA espiritual chamada Miguel (...) não é outro senão o próprio Jesus Cristo no seu papel celestial." {os grifos são do original}

Posição dos adventistas: "O nome Miguel significa: 'Quem é semelhante a Deus?'. É um desafio a Satanás que, desde o princípio, quis ser igual ao Criador (Isaías 14:12-14). Sempre que Miguel é mencionado na Bíblia, se refere à pessoa de Jesus como Comandante dos exércitos celestiais em direta disputa com Satanás. (...) Detalhe: quando nós Adventistas afirmamos que Miguel significa 'semelhante a Deus', no original e para a cultura hebraica, entendemos que 'semelhante' significa 'igual' (ver João 5:18; 19:7). Miguel, portanto, é um dos nomes de honra de Jesus e em nada interfere na Divindade dEle."

Objeção 3 - Além de João calvino e os adventistas, quem mais sustenta que Miguel seja Jesus no mundo protestante?

  • Matthew Henry (puritano inglês, 1662-1714) escreveu:

Sobre Daniel 10:
"Acho que o arcanjo Miguel não é outro senão o próprio Cristo, o anjo da aliança, e do Senhor dos anjos, a quem Daniel teve uma visão, ver. 5. Ele veio para me ajudar, ver verso 13, e não há nenhum, mas que ele se esforce comigo nestas coisas, ver. 21. Cristo é o príncipe da Igreja, os anjos não são.

Sobre Daniel 12
"Jesus Cristo deve aparecer como patrono de sua igreja e protetor." Naquele tempo, "quando houver tempo de angústia tal qual nunca houve", Miguel Se levantará, ver 1. O anjo havia dito a Daniel que o ágil amigo Miguel dirigiu-se em favor da igreja, ver 10:21.

"O anjo havia dito a Daniel que Miguel foi um rápido amigo para a igreja, cap. 10. 21. Ele mostrou que, o tempo todo no mundo superior, os anjos sabiam disso, mas agora 'Miguel se levantará" em sua providência, em trabalho de livramento para os judeus, quando ele vê que seu poder é manifesto", Deut. 32:36. Cristo é o "grande príncipe", por ser o 'príncipe dos reis da terra", Apocalipse 1:5."

Sobre Apocalipse 12:7
""Miguel e seus anjos" de um lado, e 'o dragão e seus anjos" no outro. Cristo, o grande anjo do pacto, e seus fiéis seguidores e Satanás e todos os seus instrumentos. O partido de Satanás seria muito superior em número e força em relação ao outro, mas a força da Igreja está em ter o Senhor Jesus como o capitão de sua salvação."
  • Adam Clarke (metodista britânico, 1762–1832) afirma:

Sobre Judas 9
"Deste personagem muitas coisas são faladas nos escritos judaicos." Rabi Judá Hakkodesh diz: Sempre disse que Michael está a aparecer, a glória da Divina Majestade está sempre a ser compreendido. " Shemoth Rabba, cap. II., Fol. 104, 3. Então, parece que eles consideravam Michael em algum tipo como fazemos com o Messias manifestado na carne. (...) Pela palavra Miguel ("Quem é como Deus?") dada a esta personagem no Apocalipse, muitos entenderam o Senhor Jesus." -

Sobre Apocalipse 12:7
"Miguel era o Filho do Homem que a mulher deu à luz."







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Os adventistas e o Arcanjo Miguel - 2 (ensino da Bíblia)

Este post é parte de uma série apologética sobre erros comuns que as pessoas 
acreditam e ensinam sobre os adventistas, sua história, suas crenças e suas práticas.

Erro comum: A Igreja Adventista está errada ao dizer confundir Jesus com o Arcanjo Miguel, algo estranho pois os anjos não podem ser adorados e não há qualquer evidência bíblica para essa posição tão estranha.

Quem é o Arcanjo Miguel relatado na Bíblia?

1 – O que dizem as diversas religiões?

  • PROTESTANTES  - Os protestantes rejeitam a visão de Miguel como o único arcanjo, mas não identificam os demais da sua categoria. Um hino popular no meio protestante é "Ao coro dos arcanjos eu uno meu louvor, / E adoro humildemente o grande Criador."
  • CATÓLICOS - A teologia católica divide os anjos em nove ordens hierárquicas: anjos, serafins, querubins, tronos, dominações, principados, poderes, virtudes e arcanjos, a saber Miguel, Gabriel e Rafael (mencionado no Livro de Tobias).
  • ORTODOXOS - A teologia ortodoxa oriental menciona "milhares de arcanjos", mas apenas sete são venerados pelo nome: Miguel, Gabriel, Rafael, Uriel, Sealtiel, Jegudiel, Baraquiel e Jeremiel.
  • JUDEUS - A Cabala e os livros apócrifos (Livro de Enoque, Vida de Adão e Eva e Apocalipse de Baruque) falam de Miguel como um de pelo menos 11 arcanjos: Miguel, Rafael, Gabriel, os 3 principais; mais Uriel, Sariel, Raguel e Remiel (ou Ramiel), Zadequiel, Jofiel, Haniel e Chamuel.
  • MUÇULMANOS - O Alcorão diz que Miguel é um dos 4 arcanjos: Miguel, Gabriel, Israfil e Azrael.

2 – O que diz a Palavra de Deus?
A – Quantos arcanjos existem?

A Palavra de Deus fala no plural de:

- anjoS (Gn 3:22-24, Ex 25:17-22; Ez 10 etc.)
- serafinS (Is 6:1-3, único caso)
- principados e potestades (Ef 6:11-12, Cl 1:15-16, Rm 8:38-39, únicos casos)

Antes de prosseguirmos, os críticos estão certos em um ponto: é preciso lembrar que as Escrituras proíbem a adoração aos anjos em Apocalipse 22:8-9. Como criaturas que são, os anjos estão subordinados a Jesus (1Pe 3:22) e o próprio Pai ordena aos anjos que adorem ao Filho de Deus (Hb 1:5-6). Jesus não apenas é superior aos anjos, mas também tem um nome superior ao deles (Hb 1:3-4).

Continuando, embora as Escrituras falem dos anjos e suas ordens no PLURAL, elas falam de ARCANJO apenas duas vezes, e apenas no SINGULAR:

"Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro;"
– 1 Tessalonicenses 4:16, ARA

"Contudo, o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo e disputava a respeito do corpo de Moisés, não se atreveu a proferir juízo infamatório contra ele; pelo contrário, disse: O Senhor te repreenda!"
– Judas 1:9, ARA

Portanto, há apenas UM ARCANJO apresentado na Bíblia. Não há nenhum outro arcanjo mencionado em toda a Bíblia. Como também não há nenhum outro Leão de Judá, Cordeiro de Deus, Estrela da Manhã etc. na Bíblia. Usar títulos e figuras para Jesus não tira o fato de Ele ser uma pessoa.

Judas 1:9 é interessante por identificar o ÚNICO ARCANJO pelo nome de MIGUEL. Este nome aparece apenas em 5 passagens das Escrituras: Daniel 10:13, Daniel 10:21, Daniel 12:1, Judas 1:9, Apocalipse 12:7.

B – O que significam os nomes Arcanjo e Miguel?
O nome MIGUEL vem do hebraico Micha'el or Mîkhā'ēl (מִיכָאֵל‎) e significa: “Quem é semelhante a Deus?” É um ataque direto a Satanás – o anjo querubim que, desde o princípio, rebelou-se contra o Criador desejando ser superior ao Deus que o criou (Is 14:12-14; Ez 28:14-17).

O nome ARCANJO vem do grego arkangélos (αρχάγγελος), uma combinação do prefixo ARCHÉ (significando "chefe ou governante" ou "principal ou superior") e do nome ANGÉLOS (traduzido do hebraico "mallach" e que quer dizer "mensageiro"). Portanto, ARCANJO pode significar tanto "anjo principal" quanto "chefe dos anjos". O prefixo ARCH é o mesmo usado em palavras como arcebispo, arcediago (diácono-chefe), arquiduque e arquiabade, dando a ideia de "superioridade, primazia ou proeminência".

João Calvino identifica o Miguel das passagens de Daniel como sendo o próprio Jesus Cristo, sem que isso implique rebaixar Jesus a um mero anjo criado. Centenas de anos antes de Ellen White e os adventistas fazerem a mesma coisa.

E ainda que alguém não acredite na identidade de Jesus como o Arcanjo Miguel, não pode deixar de lado a misteriosa figura do Anjo de Jeová - que aparece a Abraão, a Jacó, a Moisés, Josué e aos pais de Sansão. Ele se apresenta em nome do próprio Deus e recebe adoração. O Anjo de Jeová, para muitos uma manifestação do Jesus pré-encarnado:

1) se apresenta como o próprio Jeová,
2) carrega Seu nome (Ex 23:20-21) e
3) recebe adoração - Gn 16:7-13; 22:11-12; 31:11-13; 48:15-16; Ex 3:2-6; Jz 6:12-16,21-23; Zc 3:1-2.

Veja os textos neste link.

C ­– O que o Arcanjo Miguel estava fazendo em Judas 1:9?
Nessa passagem, há uma disputa pelo cadáver de Moisés, que foi sepultado em local desconhecido (Ex 34:4-7). Por que Satanás disputaria um corpo morto?

Satanás estava disputando com Miguel Arcanjo, em Judas 9, seu direito e poder sobre o corpo do patriarca. A Bíblia diz que uma das razões da vinda de Jesus era para que "por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo" (Hebreus 2:14, ARA).

As Escrituras também ensinam que os mortos estão inconscientes, nada sabem, nada fazem e não louvam a Deus - Ec 3:19-20; Sl 104:27-29; 146:3-4; Jó 7:9-10; 14:20-21. Mas também registra que Moisés estava VIVO no Monte da Transfiguração lado a lado com Jesus, Elias e 3 apóstolos (Mt 17:1-3).

A partir dessas passagens, é correto afirmar que Moisés foi o primeiro homem a ressuscitar dentre os mortos.

Assim também entenderam Faussett (anglicano) e Jamieson e Brown (presbiterianos), que defendem a ressurreição de Moisés. Os autores desse comentário bíblico famoso (e altamente recomendado por Charles Spurgeon) assim explicam Judas 1:9:

"sobre o corpo de Moisés - o corpo literal. Satanás, como tendo o poder da morte, contrário à ressurreição, em razão do pecado de Moisés em Meribá, e seu assassinato do egípcio. Que Moisés corpo foi gerado, aparece em sua presença com Elias e Jesus (que estavam no corpo) na Transfiguração: a amostra e penhor do reino que vem a ressurreição, a ser introduzido por Michael em pé para o povo de Deus. Assim, em cada dispensação uma amostra e garantia da ressurreição futura foi dado: Enoch na dispensação patriarcal, Moisés no Levítico, Elias no profético."

Fonte: "Commentary Critical and Explanatory on the Whole Bible", de Robert Jamieson, A. R. Fausset e David Brown, publicado em 1871. – http://www.biblestudytools.com/commentaries/jamieson-fausset-brown/jude/jude-1.html

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Os adventistas e o Arcanjo Miguel - 1 (João Calvino)

Este post é parte de uma série apologética sobre erros comuns que as pessoas 
acreditam e ensinam sobre os adventistas, sua história, suas crenças e suas práticas.

Erro comum: A Igreja Adventista está errada ao dizer confundir Jesus com o Arcanjo Miguel, algo estranho pois os anjos não podem ser adorados e não há qualquer evidência bíblica para essa posição tão estranha.


Antes de apresentar as razões bíblicas para a tese de Jesus como Arcanjo Miguel, quero recorrer às palavras de João Calvino - o segundo grande herói da Reforma Protestante e figura altamente respeitada pelos presbiterianos em geral.

João Calvino ensina que Miguel é Jesus em Daniel 10:13

"Ele acrescenta a seguir, Eis que Miguel, um dos principais líderes ou príncipes, veio fortalecer-me. Alguns pensam que a palavra Miguel representa Cristo, e eu não me oponho a esta opinião. Com suficiente clareza, se todos os anjos velam sobre os fiéis e eleitos, Cristo ainda assim detém a primazia entre eles, pois ele é o cabeça deles, e usa o ministério e assistência deles para defender todo o seu povo. Mas como isto não é geralmente admitido, deixo-o em dúvida para o presente, e falarei mais sobre o assunto no capítulo 12."

Fonte: Calvin's Commentaries, Vol. 25: Daniel, Part II, tr. by John King, page 253[1847-50] --- Texto original em inglês em: http://www.sacred-texts.com/chr/calvin/cc25/cc25004.htm. Ver também a reprodução do livro original em fac símile em: http://www.ccel.org/ccel/calvin/calcom25/Page_253.html

João Calvino ensina que Miguel é Jesus em Daniel 12:1 - parte 1

"Por Miguel muitos concordam em compreender Cristo como o cabeça da Igreja. Mas se parece melhor compreender como o arcanjo Miguel, este sentido se revelará adequado, pois sob Cristo como cabeça, os anjos são os guardiões da Igreja. Qualquer que seja o verdadeiro significado, Deus era o preservador da sua Igreja, pela mão de seu Filho unigênito, e porque os anjos estão sob o governo de Cristo, ele pode confiar este dever a Miguel. Que hipócrita sujo: Miguel de Servet se atreveu a apropriar-se da passagem para si; pois ele inscreveu isto como um frontispício em seus horríveis comentários, já que ele se chama Miguel! Observamos que fúria demoníaca se apoderou dele, como se atreveu a reclamar como seu o que aqui é dito sobre a singular ajuda oferecida por Cristo à sua Igreja. Ele era um homem dos sentimentos mais impuros, como já são suficientemente conhecidos. Mas esta era uma prova de sua ousadia e loucura sacrílega - enfeitar-se com o epíteto de Cristo, sem corar, e elevar-se no lugar de Cristo, vangloriando-se de ser Miguel, o guardião da Igreja, e o poderoso príncipe do povo! Este fato é bem conhecido, pois tenho o livro às mãos para qualquer um que não confiar na minha palavra. (...)"

Fonte: Calvin's Commentaries, Vol. 25: Daniel, Part II, tr. by John King, pages 368-369[1847-50] --- Texto original em inglês em: http://www.sacred-texts.com/chr/calvin/cc25/cc25006.htm. Ver também a reprodução do livro original em fax símile em: http://www.ccel.org/ccel/calvin/calcom25/Page_368.htmlhttp://www.ccel.org/ccel/calvin/calcom25/Page_369.html

João Calvino ensina que Miguel é Jesus em Daniel 12:1 - parte 2

"O capítulo 12 começa, como afirmamos na palestra de ontem, com a previsão do anjo a respeito do estado futuro da Igreja após a manifestação de Cristo. Ela deveria sujeitar-se a muitas misérias, e, assim, essa passagem iria aliviar a dor de Daniel, e de todos os devotos, pois ele ainda promete segurança à Igreja através da ajuda de Deus. Daniel, por conseguinte, representado Miguel como o guardião da Igreja, e Deus se agradou de incumbir este dever a Cristo, como nós aprendemos a partir do capítulo 10 de João (João 10:28, 29.) Como dissemos ontem, Miguel pode significar um anjo; mas eu abraço a opinião daqueles que se referem a este ser como a pessoa de Cristo, porque ela adapta melhor o assunto para representá-lo de pé em defesa de seu povo eleito. Ele é chamado de príncipe poderoso, porque ele naturalmente opôs a fortaleza invencível de Deus contra os perigos que o anjo mostra que a Igreja estará sujeita."

Fonte: Calvin's Commentaries, Vol. 25: Daniel, Part II, tr. by John King, pages 368-369[1847-50]--- Texto original em inglês em:
http://www.sacred-texts.com/chr/calvin/cc25/cc25006.htm. Ver também a reprodução do livro original em fac símile


João Calvino não é autoridade bíblica. Mas foi um grande homem de Deus e um sério e respeitadíssimo comentarista da Bíblia. Ele nunca adorou a anjos, nem nunca fez parte da Igreja Adventista. E ele acreditava que o Arcanjo Miguel era uma manifestação do Jesus pré-encarnado.

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quinta-feira, 25 de junho de 2015

Qual é o objetivo do jejum religioso?

por Ángel Manuel Rodríguez
traduzido por Walter Mendes*


Qual é o objetivo do jejum religioso? Para algumas pessoas que eu conheço, ele parece quase um ritual que nos traz méritos diante de Deus.

Sua pergunta trata de uma prática religiosa que parece não ser tão comum na igreja e na vida do membro individual quanto costumava ser. Vamos dar uma olhada nas passagens e narrativas da Bíblia em que essa prática é mencionada.

1. Prática e tipos de Jejum


O jejum não significa necessariamente abstenção total de comida e bebida. Em alguns casos, houve abstenção total por um período prolongado de tempo; mas nesses casos o próprio Deus parece ter sustentado a pessoa (Êxodo 34:28; cf. Mateus 4:2). Alguns jejuaram por curtos períodos de tempo sem comer e beber (Ester 4:16; Atos 9:9). Mas tudo indica que um jejum normal permitia o consumo de água a fim de evitar o risco de desidratação (Levítico 23:14), especialmente num clima quente, além da abstenção de comida apenas durante as horas claras do dia (2 Samuel 1:12; 3:35) – algo parecido com o moderno jejum muçulmano durante o Ramadã. Tudo indica também que jejuar durante a noite era algo pouco comum (Ester 4:16). A Bíblia também menciona jejuns parciais, que consistiam no consumo de quantidades limitadas de comida mais simples (Daniel 10:2,3).

A duração do jejum variava. Lemos sobre jejuns de 40 dias (Deuteronômio 9:9), sete dias (1 Samuel 31:13), três dias (Ester 4:16), um dia (2 Sm. 3:35) e, ao que tudo indica, um jejum de apenas uma noite (Daniel 6:18). Havia jejuns comunitários: Deus ordenou aos israelitas que jejuassem durante o Dia da Expiação (Levítico 16:29); em algumas ocasiões, os líderes pediam ao povo para jejuar (Juízes 20:26; 2 Crônicas 20: 3); ou os profetas convocavam um jejum (Joel 2:12,13). Mas o jejum privado era uma prática mais comum.

2. Conceitos associados ao jejum


O jejum está intimamente relacionado a orações de cura e libertação (Salmo 35:13) e à adoração (Atos 13: 2). Mas também é praticado no contexto de uma calamidade presente ou futura (Ester 4: 1-4), de luto (2 Samuel 1:12), na escolha de líderes da igreja (Atos 13: 2,3), como um sinal de arrependimento (Jonas 3: 5) e como uma expressão de devoção a Deus (Lucas 2:37). Jesus condenou a ostentação no jejum, que buscasse impressionar os outros com a própria espiritualidade. Ele incentivou o jejum privado (Mateus 6:16-18).

3. Significado básico do jejum


É difícil encontrar um objetivo fundamental para o jejum presente em todas as suas formas, mas um chega bem próximo do ideal. Tudo indica que o jejum é a expressão externa do total comprometimento e dependência interna da pessoa no poder de Deus de preservar e resgatar. As Escrituras descrevem o ser humano como uma unidade individual de vida autoconsciente inseparável do corpo. Os sentimentos e emoções não são meras experiências internas que temos à parte do corpo; eles estão intrinsecamente relacionados com nossa corporalidade e se expressam através de nosso corpo. Não existe maneira alguma de expressar sentimentos, emoções e religiosidade a não ser por meio de nossa existência corporal.

Deus deve ter informado a Adão e Eva que eles teriam de cooperar com Ele na preservação de suas vidas por meio da ingestão de alimentos (Gênesis 1:29). A falta de vontade de comer, ou de comer alimentos apropriados, indicaria falta de vontade de submeter-se a Seu plano para eles (Gênesis 2:9). Tal atitude seria a expressão física/corporal de um espírito de rebelião. Consequentemente, o jejum indicaria uma falta de vontade de cooperar com Deus na preservação de nossa vida.

Contudo, a Bíblia indica o jejum como uma expressão legítima de devoção e compromisso com Deus. Nesse caso, a privação de alimentos não é uma forma de rebelião, mas um reconhecimento de que a vida pode ser, no fim das contas, preservada apenas por nosso Criador e Redentor. Ao jejuar, entregamos nossa vida totalmente aos cuidados e misericórdia de Deus. Isso expressa um compromisso total e absoluto, uma entrega amorosa e confiante de nossa vida a Deus como o único que pode nos resgatar da opressão do pecado.

Finalmente, ao jejuar nos identificamos com os necessitados e oprimidos e permitimos que Deus nos use para enriquecer a vida deles (Isaías 58:6-7).

Um ritual que nos traz méritos diante de Deus? Não há nada de meritório em entregar-se a Ele. O jejum é, na verdade, um reconhecimento da nossa dependência de Deus.

________
*Traduzido do texto original "What is the purpose of religious fasting?", de Ángel Manuel Rodríguez.

Direitos reservados ao Instituto de Pesquisa Bíblica da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia.

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domingo, 21 de junho de 2015

Motivos para Agradecer


É a promessa de Deus para Seus filhos!


“Não digas, pois, no teu coração: A minha força e o poder do meu braço me adquiriram estas riquezas. Antes, te lembrarás do SENHOR, teu Deus, porque é ele o que te dá força para adquirires riquezas; para confirmar a sua aliança, que, sob juramento, prometeu a teus pais, como hoje se vê.”
– Deuteronômio 8:17-19, ARA*

“Bendito seja o Senhor, pois ouviu as minhas súplicas. O Senhor é a minha força e o meu escudo; nele o meu coração confia, e dele recebo ajuda. Meu coração exulta de alegria, e com o meu cântico lhe darei graças.”
– Salmo 28:6-7, NVI*

“Quem me oferece sua gratidão como sacrifício, honra-me, e eu [o Senhor] mostrarei a salvação de Deus ao que anda nos meus caminhos.”
– Salmo 50:23, NVI

“Venham! Cantemos ao Senhor com alegria! Aclamemos a Rocha da nossa salvação. Vamos à presença dele com ações de graças; vamos aclamá-lo com cânticos de louvor. Pois o Senhor é o grande Deus, o grande Rei acima de todos os deuses.”
– Salmo 95:1-3, NVI

“Celebrai com júbilo ao SENHOR, todas as terras. Servi ao SENHOR com alegria, apresentai-vos diante dele com cântico. Sabei que o SENHOR é Deus; foi ele quem nos fez, e dele somos; somos o seu povo e rebanho do seu pastoreio. Entrai por suas portas com ações de graças e nos seus átrios, com hinos de louvor; rendei-lhe graças e bendizei-lhe o nome. Porque o SENHOR é bom, a sua misericórdia dura para sempre, e, de geração em geração, a sua fidelidade.”
– Salmo 100, ARA

“Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e tudo o que há em mim bendiga ao seu santo nome. Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e não te esqueças de nem um só de seus benefícios. Ele é quem perdoa todas as tuas iniquidades; quem sara todas as tuas enfermidades; quem da cova redime a tua vida e te coroa de graça e misericórdia; quem farta de bens a tua velhice, de sorte que a tua mocidade se renova como a da águia.”
– Salmo 103:1-5, ARA

“Aleluia! Deem graças ao Senhor porque ele é bom; o seu amor dura para sempre. Quem poderá descrever os feitos poderosos do Senhor, ou declarar todo o louvor que lhe é devido?”
– Salmo 106:1-2, NVI

“Que darei ao SENHOR por todos os seus benefícios para comigo? Tomarei o cálice da salvação e invocarei o nome do SENHOR. Cumprirei os meus votos ao SENHOR, na presença de todo o seu povo."
– Salmo 116:12-14, ARA

“Orarás naquele dia: Graças te dou, ó SENHOR, porque, ainda que te iraste contra mim, a tua ira se retirou, e tu me consolas. Eis que Deus é a minha salvação; confiarei e não temerei, porque o SENHOR Deus é a minha força e o meu cântico; ele se tornou a minha salvação. Vós, com alegria, tirareis água das fontes da salvação. Direis naquele dia: Dai graças ao SENHOR, invocai o seu nome, tornai manifestos os seus feitos entre os povos, relembrai que é excelso o seu nome. Cantai louvores ao SENHOR, porque fez coisas grandiosas; saiba-se isto em toda a terra. Exulta e jubila, ó habitante de Sião, porque grande é o Santo de Israel no meio de ti.”
– Isaías 12, ARA

“Portanto eu [Jesus] lhes digo: Não se preocupem com sua própria vida, quanto ao que comer ou beber; nem com seu próprio corpo, quanto ao que vestir. Não é a vida mais importante que a comida, e o corpo mais importante que a roupa? Observem as aves do céu: não semeiam nem colhem nem armazenam em celeiros; contudo, o Pai celestial as alimenta. Não têm vocês muito mais valor do que elas? Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida? Por que vocês se preocupam com roupas? Vejam como crescem os lírios do campo. Eles não trabalham nem tecem. Contudo, eu lhes digo que nem Salomão, em todo o seu esplendor, vestiu-se como um deles. Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, não vestirá muito mais a vocês, homens de pequena fé? Portanto, não se preocupem, dizendo: Que vamos comer? ou Que vamos beber? ou Que vamos vestir? Pois os pagãos é que correm atrás dessas coisas; mas o Pai celestial sabe que vocês precisam delas. Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas. Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal.”
– Mateus 6:25-34, NVI

“Sempre dou graças a meu Deus por vocês, por causa da graça que lhes foi dada por ele em Cristo Jesus. Pois nele vocês foram enriquecidos em tudo, isto é, em toda palavra e em todo conhecimento, porque o testemunho de Cristo foi confirmado entre vocês, de modo que não lhes falta nenhum dom espiritual, enquanto vocês esperam que o nosso Senhor Jesus Cristo seja revelado.”
– 1 Coríntios 1:4-7, NVI

“Como está escrito: ‘Distribuiu, deu os seus bens aos necessitados; a sua justiça dura para sempre’ [Salmo 112:9]. Aquele que supre a semente ao que semeia e o pão ao que come, também lhes suprirá e multiplicará a semente e fará crescer os frutos da sua justiça. Vocês serão enriquecidos de todas as formas, para que possam ser generosos em qualquer ocasião e, por nosso intermédio, a sua generosidade resulte em ação de graças a Deus.”
– 2 Coríntios 9:9-11, NVI

“Por essa razão, desde que ouvi falar da fé que vocês têm no Senhor Jesus e do amor que demonstram para com todos os santos, não deixo de dar graças por vocês, mencionando-os em minhas orações. Peço que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o glorioso Pai, lhes dê espírito de sabedoria e de revelação, no pleno conhecimento dele. Oro também para que os olhos do coração de vocês sejam iluminados, a fim de que vocês conheçam a esperança para a qual ele os chamou, as riquezas da gloriosa herança dele nos santos e a incomparável grandeza do seu poder para conosco, os que cremos, conforme a atuação da sua poderosa força.”
– Efésios 1:15-19, NVI

“Àquele que é capaz de fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos, de acordo com o seu poder que atua em nós, a ele seja a glória na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre! Amém!”
– Efésios 3:20-21, NVI

“E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.”
– Efésios 5:18-21, ARA

“Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus.”
– Filipenses 4:6-7, ARA

“Que a paz de Cristo seja o juiz em seu coração, visto que vocês foram chamados para viver em paz, como membros de um só corpo. E sejam agradecidos. Habite ricamente em vocês a palavra de Cristo; ensinem e aconselhem-se uns aos outros com toda a sabedoria, e cantem salmos, hinos e cânticos espirituais com gratidão a Deus em seu coração. Tudo o que fizerem, seja em palavra ou em ação, façam-no em nome do Senhor Jesus, dando por meio dele graças a Deus Pai.”
– Colossenses 3:15-17, NVI

“Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.”
– 1 Tessalonicenses 5:18-19, ARA
________________
Versões bíblicas

*As passagens com a sigla ARA foram extraídas da Bíblia Almeida Revista e Atualizada; os versos indicados pela sigla NVI, da Bíblia Nova Versão Internacional.

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terça-feira, 16 de junho de 2015

Argumentos equivocados no debate sobre ordenação de mulheres

por Pr. Matheus Cardoso


O Instituto de Pesquisa Bíblica da Igreja Adventista do Sétimo Dia preparou alguns materiais neutros apontando vários argumentos ilegítimos usados a favor e contra a ordenação de pastoras. {Um tema que será levado a debate e voto na 60º Conferência Geral dos Adventistas do Sétimo Dia, em San Antônio (no Texas, EUA), de 2 a 11 de julho de 2015.} Confira se você já não ouviu algum:

Argumentos equivocados CONTRA a ordenação


"A ordenação de mulheres [ou de pastoras; também ao longo de todo o texto] é inaceitável porque seus defensores usam formas de teologia liberal e abordagens críticas à Bíblia."
"A ordenação de mulheres é inaceitável porque estaria ligada ao apoio do estilo de vida homossexual."
"A ordenação de mulheres é inaceitável por causa da agenda feminista militante e do domínio das mulheres."
"A ordenação de mulheres é inaceitável porque, apesar de discutir o assunto por mais de 40 anos, a igreja nunca a aceitou oficialmente."
"A ordenação de mulheres é inaceitável porque se opõe à compreensão tradicional do papel e das funções das mulheres. Ela milita contra as relações familiares que são descritas [na Bíblia] em termos de submissão."
"A ordenação de mulheres é inaceitável por razões práticas. Novidades criam ansiedade e desestabilizam a situação."

Argumentos equivocados A FAVOR da ordenação


"A ordenação de mulheres é necessária por causa de um consenso cultural e da sociedade."
"A ordenação de mulheres é necessária porque, já que outras igrejas decidiram ordenar pastoras, os adventistas não devem ser os últimos a fazê-lo."
"A ordenação de mulheres é necessária porque os primeiros adventistas possivelmente apoiavam as mulheres no ministério e talvez tenham ordenado algumas mulheres."
"A ordenação de mulheres é necessária porque é antiético não ordenar mulheres."
"A ordenação de mulheres é necessária porque mudanças acontecem regularmente e essa é inevitável."
"A ordenação de mulheres é necessária por razões práticas."


"Em áreas nas quais a Bíblia não contém mandamentos explícitos, os adventistas NÃO aderem a nenhuma das seguintes abordagens: (1) o que as Escrituras não proíbem é permitido [...] e (2) o que as Escrituras não permitem é proibido."

"Parece que, depois que a Comissão de Estudo sobre a Teologia da Ordenação concluiu seus trabalhos, o debate alcançou um novo nível, que, em nossa opinião, é prejudicial à igreja. [...] Temos a impressão de que a discussão não mais é bíblico-teológica, mas que indivíduos e grupos estão criticando e condenando fortemente uns aos outros. Em teologia [assim como em filosofia], nos referimos a isso como argumentos ad hominem [o que é uma falácia, isto é, um argumento ilegítimo]. [...]

"O debate sobre ordenação não tem nada a ver com os ensinos bíblicos mais fundamentais. Esse tema não pertence ao núcleo das crenças adventistas. Portanto, é ainda mais preocupante [...] ver pessoas envolvidas no debate repelindo, ofendendo e condenando um ao outro porque estão em lados diferentes do debate sobre ordenação."

Leia os artigos completos:


"Some Wrong and Right Reasons in the Women’s Ordination Debate", de 
Ekkehardt Mueller.

"The Biblical Research Institute and the Issue of Women’s Ordination to the Pastoral Ministry"
de Ekkehardt Mueller.



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quinta-feira, 11 de junho de 2015

Sobre a ordenação de mulheres ao pastorado


por Walter Mendes

Em resposta a uma foto que publiquei no Facebook em favor da ordenação de mulheres ao pastorado adventista, um amigo me recomendou assistir a um vídeo postado na página da TV Terceiro Anjo no YouTube. Como quase todos os adventistas sabem, a ordenação de mulheres ao pastorado será votada em julho próximo no Texas (EUA) durante a 60ª Conferência Geral 2015 da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

O que se segue abaixo são uma resposta aos argumentos apresentados no vídeo postado na página da TV Terceiro Anjo no YouTube.

Em primeiro lugar, o pastor cita o texto paulino de 1 Timóteo 2:12-13, em que lemos que a mulher não deve exercer autoridade sobre o homem:

"E não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade de homem; esteja, porém, em silêncio. Porque, primeiro, foi formado Adão, depois, Eva."
– 1 Timóteo 2:12-13, ARA

Mulheres têm tido um papel fundamental no ensino da Bíblia e pregação do evangelho na Igreja Adventista do Sétimo Dia desde sua fundação em 1863. A começar pelo ministério de uma de seus 3 fundadores, a saber a americana Ellen G. White. Elas ensinam crianças, jovens e adultos nas Escolas Bíblicas Sabatinas, além de pregarem regularmente nos púlpitos de diversas igrejas locais.

Há mulheres anciãs (presbíteras, conforme a nomenclatura de outras igrejas) em diversas igrejas locais mundo afora, incluindo no Brasil. Há mulheres pastoras em algumas regiões dos Estados Unidos, na Holanda, partes da Alemanha e em toda a China, mas elas (ainda) não são ordenadas oficialmente dentro do Adventismo. Contudo, diaconisas são ordenadas oficialmente na Igreja Adventista do Sétimo Dia desde 2010.

Se a interpretação bíblica do pastor do vídeo está correta, devemos então rejeitar o ministério e as publicações de Ellen G. White, uma mulher que exerceu e exerce autoridade sobre os homens adventistas desde 1844. E isso não é força de expressão: a história do Adventismo mostra que ela já confrontou presidentes de associações locais e da Conferência Geral em seus dias para que abandonassem erros pessoais e administrativos.

Igualmente deveríamos ser coerentes como outras igrejas evangélicas fazem ao interpretar literalmente esse texto, não permitindo que a mulher tenha qualquer cargo na Igreja exceto o de professora de crianças na Escola Bíblica. Uma mulher que pregue na igreja local, tenha qualquer cargo de liderança em qualquer departamento ou seja professora de qualquer classe de Escola Sabatina está exercendo autoridade sobre os homens debaixo dela.

Segundo ponto: é verdade que Paulo diz que os anciãos e pastores devem ser maridos de uma só mulher (1 Timóteo 3:12; Tito 1:5-9), outro argumento bíblico usado pelo pastor do vídeo. Mas o assunto em questão é que o líder cristão não deve ser polígamo – algo comum nos tempos do Novo Testamento. Não se trata de uma qualificação 'sine qua non' que exclua a liderança feminina, permitindo o ancionato ou pastorado apenas para homens cristãos. Do contrário, devemos ser coerentes e descartar a prática adventista de separar homens solteiros e viúvos para o ancionato ou o pastorado – pois essa é a leitura mais literal do texto.

Terceiro, Deus não criou Adão e Eva para que um dominasse sobre o outro, como sugere o pastor no vídeo. O texto de Gênesis é bem claro ao dizer que ambos carregavam em si a imagem de Deus (1:26-27) e que a mulher seria uma auxiliadora do homem (2:18) – uma igual a ele. É muito bonito a forma como Ellen G. White explica esse texto no "Patriarcas e Profetas", págs. 18-19:

"O próprio Deus deu a Adão uma companheira. Proveu-lhe uma 'adjutora' — ajudadora esta que lhe correspondesse — a qual estava em condições de ser sua companheira, e que poderia ser um com ele, em amor e simpatia. Eva foi criada de uma costela tirada do lado de Adão, significando que não o deveria dominar, como a cabeça, nem ser pisada sob os pés como se fosse inferior, mas estar a seu lado como igual, e ser amada e protegida por ele. Como parte do homem, osso de seus ossos, e carne de sua carne, era ela o seu segundo eu, mostrando isto a íntima união e apego afetivo que deve existir nesta relação." 

A submissão da mulher ao homem veio apenas com a entrada do pecado em Genesis (3:16), não sendo parte do propósito original de Deus. Paulo diz em Gálatas 3:28 que na nova ordem trazida por Jesus não há diferença entre homem e mulher, entre judeus e gentios, entre escravos e livres. Defender o contrário é defender um machismo disfarçado em busca de respaldo na Palavra de Deus.

"Todos vocês são filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus, pois os que em Cristo foram batizados, de Cristo se revestiram. Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus."
– Gálatas 3:26-28, NVI

Em quarto lugar, há certas coisas que podemos admitir sem que isso signifique reinterpretar a Bíblia ou deixar a ética de Deus num campo vago, como diz o pastor no vídeo. Primeiro fato negado pelo pastor no vídeo: a Bíblia foi influenciada pela cultura em que ela foi escrita sim e existe um ideal de Deus que não foi plenamente atingido no Novo Testamento. Por exemplo, os cristãos não devem aceitar hoje a poligamia (por mais que não houvesse um mandamento contra ela no AT) nem a escravidão (mesmo que ela não fosse combatida com todas as letras no NT). Tais práticas vão contra o ideal de Deus no Éden e contra o espírito do Evangelho, mesmo que não haja um mandamento expresso contra a poligamia e a escravidão.

Segundo fato negado pelo pastor no vídeo: certas normas foram dadas apenas a uma situação local do povo de Deus. Igualmente acreditamos que não são válidas para hoje ordens como aquelas para o uso do véu na igreja (1 Coríntios 11:3-16), para as mulheres ficarem caladas na igreja (1 Coríntios 14:34-35) ou para nos saudarmos com “ósculo santo” (Romanos 16:16; 1 Coríntios 13:12; 16:20; 1 Tessalonicenses 5:26; 1 Pedro 5:14). Esse “ósculo santo” seria um beijo no rosto de saudação entre homens e entre mulheres, tal como é feito na Argentina ou na França. Apesar de estarem em diversas cartas do Novo Testamento, tais ordens não são princípios universais a serem seguidos por todos os crentes de todas as épocas e todas as culturas.

Em quinto lugar, chega a ser intelectualmente desonesto e blasfemo à Palavra de Deus comparar um princípio moral, universal e explícito na Bíblia como a guarda do sábado com uma questão cultural, local e sem respaldo a favor ou contra nas Escrituras como a ordenação de mulheres, como faz o pastor desse vídeo. Além de ignorar princípios elementares de interpretação da Palavra de Deus, o pastor do vídeo ignora que os adventistas sempre fizeram a separação entre princípios e mandamentos de aplicação universal e ordens de aplicação restrita e cultural.

Por exemplo, os adventistas guardam o sábado conforme exigem os Dez Mandamentos (Êxodo 20:8-11), mas não apedrejamos nem condenamos quem acenda fogo nesse dia (Êxodo 35:3; Números 15:32-36) – a Bíblia manda fazer as duas coisas. Igualmente não deixamos de condenar o adultério (Êxodo 20:14) pelo fato de não apedrejarmos os adúlteros (Levítico 20:10) – a Bíblia ensina ambas as coisas. Também não deixamos de ensinar o dízimo aos membros em nossos estudos bíblicos (um princípio que cremos ser universal) apesar de a Bíblia descrever que o dízimo era entregue em 90% dos casos na forma de animais, vegetais e vinho (Levítico 27:30-33; Deuteronômio 12:17-18; 14:22-27; 2 Crônicas 31:4-7) levados ao sacerdote no templo – uma ordem local e temporal.

Sexto, é completamente desonesta a forma como o pastor do vídeo associa um possível voto a favor da ordenação de mulheres ao risco de uma futura ordenação de pastores gays ou pastoras lésbicas. Primeiro, não há relação alguma entre uma coisa e outra, como se uma levasse necessaria ou inevitavelmente à outra. Numa lista de 21 igrejas citadas por nome num site contra a ordenação de mulheres, podem ser contadas 11 igrejas que ordenam mulheres, mas não ordenam pastores gays ou pastoras lésbicas.

Além disso, podemos mencionar no mesmo caminho de ordenar mulheres mas não GLBT as igrejas batistas da Alemanha e da Suíça (Bund Evangelisch-Freikirchlicher Gemeinden e Bund Schweizer Baptistengemeinden), bem como diversas igrejas batistas americanas filiadas à Southern Baptist Convention (algumas apenas), à American Baptist Churches USA, à North American Baptist Conference, à Alliance of Baptists, à Cooperative Baptist Fellowship (CBF) National Baptist Convention e à Progressive National Baptist Convention. Sem contar diversas igrejas como as menonitas, morávias, presbiterianas (exceto a PCUSA), pentecostais e reformadas nos EUA e Europa que também ordenam mulheres sem ordenar ou querer ordenar pastores gays ou pastoras lésbicas.
Para encerrar esse ponto e partir para a conclusão, lembro que a IASD ordena pastores homens e pastoras mulheres em algumas regiões dos Estados Unidos, na Holanda, partes da Alemanha e em toda a China sem defender ou discutir a agenda ligada aos direitos dos gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis.

Finalmente, a IASD possui doutrinas bíblicas fundamentais estabelecidas (entre as 28) sobre matrimônio e família e sobre a criação. Além de uma declaração oficial clara contra a prática do homossexualismo. Isso não acontece com as denominações citadas no vídeo que apoiam/defendem a agenda ligada aos direitos dos gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis.
Ao contrário dos anglicanos, luteranos evangélicos, episcopais e metodistas unidos dos EUA, citados no vídeo, os adventistas do sétimo dia não somos uma denominação com um histórico de décadas de liberalismo teológico nem menosprezo ao método gramático-histórico – a abordagem adotada por nós e outras igrejas conservadoras na interpretação da Bíblia. (As denominacões citadas no vídeo e abertas a pastores gays e lésbicas usam o método histórico-crítico.)

As Divisões Norte-Americana e Trans-Europeia citadas no vídeo não reinventaram a roda ao fazer sua interpretação pró-ordenação, nem estão se desviando da interpretação correta ou tradicional da IASD. Elas apenas estão seguindo o método de estudo e interpretação das Escrituras segundo a declaração aprovada e votada pela Comissão Executiva da Conferência Geral dos Adventistas do Sétimo Dia, na sessão do Concílio Anual no Rio de Janeiro, Brasil, 12 de outubro de 1986.

O que está em jogo na votação a favor ou contra a ordenação de mulheres não é uma divisão entre o Assim Diz o Senhor versus o Assim Querem os Adventistas Rebeldes, mas entre o Assim Diz o Senhor versus o Assim Defende nosso Costume e Tradição Humana.
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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Não confunda o evangelho com a política

por Walter Dos Santos* 

Quando o pastor da 1ª Igreja Batista de Curitiba Paschoal Piragibe Jr. ligou a tese da "iniquidade institucionalizada" com a aprovação legal do aborto e do casamento gay, muitos cristãos evangélicos progressistas levantaram-se contra essa associação. Segundo vários desses oponentes, o pastor foi omisso e limitado ao não reconhecer pecados profundamente enraizados no Brasil como a questão previdenciária, a criação da CPMF, o sistema público de saúde, o acúmulo de terras etc. 

Como podemos identificar facilmente, tais críticos afirmam que tanto essas questões sociais citadas quanto aqueles temas morais listadas pelo pastor contribuem para a iniquidade em nosso país. Neste artigo pretendemos apresentar um breve panorama do cristianismo engajado por trás dessa visão e analisar o ensino bíblico sobre a responsabilidade social da Igreja. 

Evangelho Social e Teologia da Prosperidade 


As críticas levantadas contra o pronunciamento do Pr. Piragibe Jr. por esse setor da igreja evangélica brasileira refletem o ideário do Evangelho Social, movimento protestante surgido e desenvolvido nos Estados Unidos de 1880 a 1930. Devido à crise urbana ocasionada pelo crescimento econômico pós Guerra Civil, muitos trabalhadores e imigrantes viviam nos cortiços das grandes cidades e sofriam uma grave situação de abandono e exclusão. Em resposta, vários crentes americanos moveram compaixão e esforços em favor deles e formularam conceitos como “a implantação do reino de Deus na Terra”, a importância de uma “sociedade redimida” e o papel da ação social como parte da missão da Igreja. 

O pastor e professor de seminário batista Walter Rauschenbusch (1861-1918) foi o principal articulador teórico do movimento, com livros como O Cristianismo e a Crise Social, Cristianizando a Ordem Social e Uma Teologia para o Evangelho Social. Mas o Evangelho Social alcançou popularidade e expansão sem precedentes com a publicação do livro Em Seus Passos que Faria Jesus? (1897), best-seller escrito pelo pastor congregacional Charles Sheldon. Na obra, um pastor vive uma vida confortável e sem contratempos até o dia em que um homem pobre e necessitado aparece na sua igreja e o leva a rever seus valores, modo de vida e prioridades a partir da questão "O que Jesus faria?". A partir disso, decide propor aos fiéis de sua igreja que se comprometam durante um ano a não fazer nada sem antes perguntar o que Jesus faria na mesma situação. A experiência traz reavivamento e alegria a vários dos paroquianos, bem como renúncias pessoais, conflitos de interesse e choques sociais ao aplicarem o compromisso. 

Nas fileiras católicas, por outro lado, encontraremos a Teologia da Libertação, desenvolvida na América Latina em meados do século 20. Como a região enfrentava um período de grandes tensões políticas, injustiças econômicas e exclusão social, os pensadores católicos articularam uma nova teologia centrada no conceito bíblico de Deus como libertador. Entre as ênfases da Teologia da Libertação podemos citar a visão do reino de Deus numa perspectiva de libertação política e social neste mundo e um forte menosprezo à reflexão e prática cristãs tradicionais devido a seu suposto caráter "alienante" e reacionário.

Igualmente devemos apontar o uso nesse movimento de categorias do pensamento marxista para entender as mazelas da América Latina e o apoio ora ímplicito ora escancarado a movimentos esquerdistas radicais no continente. Embora tenha havido pensadores protestantes na sua formulação, a Teologia da Libertação foi uma iniciativa predominantemente católico-romana. Contudo, setores evangélicos formularam uma alternativa à Teologia da Libertação no conceito de “missão integral” – em que a igreja inclui a ação social como aspecto indispensável de seus esforços missionários. 

Atos não foi um Woodstock comunista 

De onde vêm as bases do discurso dos cristãos que lutam por justiça social? Além do ministério de Cristo em favor dos pobres, os adeptos do cristianismo engajado recorrem ao modelo da igreja primitiva e ao discurso social dos profetas. Alguns leem a vida em comunidade e partilha de bens apresentada em At 2:44-47 e gostam de idealizar a Igreja Primitiva como uma sociedade alternativa, “metade-hippie” e “metade-crente”. Muitos vão ao extremo de afirmar que essa foi uma experiência socialista/marxista na História da Igreja. Nada mais distante dos fatos. A comunidade cristã primeva era tão complexa em sua dinâmica interna quanto a igreja moderna: extremamente liberal para os conservadores, extremamente conservadora para os liberais. Peço a licença de citar dois parágrafos do livro Cristianismo Puro e Simples, de C.S. Lewis, pág. 31:
"Do mesmo modo, o Novo Testamento, sem entrar em detalhes, nos pinta um quadro bastante claro do que seria uma sociedade plenamente cristã. Talvez exija de nós mais do que estamos dispostos a dar. Informa-nos que, nessa sociedade, não há lugar para parasitas ou passageiros clandestinos: aquele que não trabalhar não deve comer. Cada qual deve trabalhar com suas próprias mãos e, mais ainda, o trabalho de cada qual deve dar frutos bons: não se devem produzir artigos tolos e supérfluos, nem, muito menos, uma publicidade ainda mais tola para nos persuadir a adquiri-los. Não há lugar para a ostentação, pata a fanfarronice nem para quem queira empinar o nariz. Nesse sentido, uma sociedade crista seria o que se chama hoje em dia "de esquerda". 
"Por outro lado, ela insiste na obediência — na obediência (acompanhada de sinais exteriores de reverência) de todos nós para com os magistrados legitimamente constituídos, dos filhos para com os pais e (acho que esta parte não será muito popular) das esposas para com os maridos. (...) Se existisse uma sociedade assim e nós a visitássemos, creio que sairíamos de lá com uma impressão curiosa. Teríamos a sensação de que sua vida econômica seria bastante socialista e, nesse sentido, "avançada", mas sua vida familiar e seu código de boas maneiras seriam, ao contrário, bastante antiquados — talvez até cerimoniosos e aristocráticos. Cada um de nós apreciaria um aspecto dela, mas poucos a apreciariam por inteiro. Isso é o que se deve esperar de um cristianismo como projeto integral para o mecanismo da sociedade humana."
O Antigo Israel não é a Igreja 

Outra pretensa base para os adeptos e simpatizantes do Evangelho Social e da Teologia da Libertação é o discurso social dos profetas do Antigo Testamento contra a acumulação de terras, a justiça corrompida e a opressão social. Mas essa leitura ignora completamente o contexto histórico e o propósito original das mensagens dos profetas do do Antigo Testamento. 

Primeiramente, o Antigo Israel não pode ser confundido com a Igreja. Os israelitas eram um povo nacional distinto que vivia sob uma teocracia, com instituições e leis civis direta ou indiretamente apontadas por Deus na lei mosaica. Quando os profetas condenavam os abusos sociais do povo eleito, eles condenavam desvios de uma “constituição” outorgada por Deus e entregue a governantes, juízes e sacerdotes responsáveis por fazer cumpri-la. 

O Senhor Jeová havia concedido à nação israelita tanto os mandamentos contra o adultério e assassinato (morais) quanto as leis contra o acúmulo de terras e a opressão do estrangeiro e do órfão (sociais). Quebrar tanto estas quanto aquelas era pecado, pois constituía rebelião contra uma ordem moral e social expressamente revelada por Deus. Não é este o caso dos cristãos do Novo Testamento em diante, um grupo multicultural e multi-étnico que vive em regimes políticos e sociais os mais diferentes, com governo, instituições e leis criados sem uma revelação direta da parte de Deus. 

Dois fatos comprovam essa tese, retirando o embasamento dos cristãos modernos que se apoiam no discurso social do Antigo Testamento. Primeiro, os profetas condenavam tanto os crimes sociais quanto os morais do povo judeu, mas apenas os desvios morais dos povos pagãos ao redor de Israel. Nenhum profeta maior ou menor condena a acumulação de terras, a justiça corrompida e a opressão social dos assírios, egípcios, babilônios ou filisteus. 

Segundo, o mesmo padrão de dupla moralidade se repete nas páginas do Novo Testamento. Paulo condena a devassidão moral de pagãos, judeus e cristãos igualmente (Rm 1-3; 1Co 5, 10); mas propõe normas de ética social apenas à comunidade dos crentes (Rm 12-14; 1Co 6-8). Tiago é, sem sombra de dúvidas, o escritor com o discurso social mais enfático do Novo Testamento. Suas reprovações, porém, contra a discriminação social (Tg 2) e o enriquecimento ilícito pela opressão dos trabalhadores são dirigidas aos crentes em Jesus (Tg 5). Pedro ordena a todos os crentes que se submetam às autoridades e, fazendo o bem, suportem as provações e calem os adversários pela prática do bem (1Pe 2-3). 

Quatro verdades esquecidas 

Isso significa então que a Igreja deve ignorar o sofrimento e a desigualdade no mundo, sem nada fazer para melhorar a condição das pessoas? Não, de maneira nenhuma! Os defensores e simpatizantes do Evangelho Social e da Teologia da Libertação incluem cristãos sinceros e comprometidos com a melhoria e ascensão das classes menos favorecidas. Contudo, o ensino de ambos os Testamentos apresenta conceitos e ênfases diferentes das formuladas pelos assim chamados Evangelho Social e Teologia da Libertação.

Primeiramente, a Palavra de Deus coloca uma forte ênfase nas questões morais e não nas sociais. Usando jargões esquerdistas, podemos atrever a dizer que ela é bastante "direitista, conservadora, burguesa, retrógrada e reacionária", para o desgosto de muitos dos partidários do Evangelho Social e da Teologia da Libertação – dentro e fora da Igreja. Com isso não queremos dizer que a mensagem bíblica é elitista ou que defenda as propostas daqueles que se encaixam nesses rótulos. Apenas queremos enfatizar que os valores bíblicos identificam-se mais com os ditos valores burgueses do que com os valores normalmente defendidos por socialistas e comunistas.

Se lermos ainda que superficialmente os Dez Mandamentos (Ex 20), o Sermão do Monte (Mt 5), a profecia sobre a condição social nos últimos dias (2Tm 3:1-9) e as listas de vícios no Novo Testamento (1Co 6:9-11; Gl 5:19-21; Ap 22:14-15), observaremos rapidamente que a Lei Moral de Deus condena explicita, demorada e repetidamente os crimes e pecados contra a honestidade, a vida humana, a propriedade privada, a moderação pessoal, a ordem social e o casamento heterosssexual.

Em segundo lugar, a Bíblia é enfática ao apresentar a natureza má e pecaminosa do ser humano, não necessariamente do sistema sócio-político em que ele vive (Jó 14:4; Pv 20:9; Sl 51:5; Is 64:6; Je 17:9; Mt 15:19; Rm 7:14-20; 8:5-8). Desta maneira, qualquer tentativa de melhorar as condições de uma determinada sociedade precisa passar necessariamente pelo chamado individual ao arrependimento (At 3:19; 5:30-31; Rm 2:4) e conversão a Jesus Cristo (Ez 18:30-32; At 17:30-31). A menos que haja a regeneração sobrenatural do coração por meio da reconciliação com Deus em Cristo (Jo 3:3-8; 8:34-36; Ef 2:1-5; 2Co 5:17), qualquer tentativa de eliminar a o egoísmo, a corrupção, a desigualdade e o conflito no interior de uma sociedade será provisória e inútil.

Terceiro, a ação de Jesus e Seus apóstolos contraria radicalmente o plano de trabalho proposto pelos simpatizantes do Evangelho Social e da Teologia da Prosperidade. Na tentativa de implementar o Reino de Deus na Terra anunciado pelo Salvador, os defensores de tais propostas apresentam um discurso de mobilização sócio-política em defesa dos excluídos, combate ao sistema institucional opressor e denúncia das injustiças sociais. Escravidão, idolatria, jogos violentos e sanguinários, opressão política, ganância, impostos abusivos, execucões em massa em caso de rebeliões e golpes de Estado eram abusos frequentes dentro das fronteiras do Império Romano. Contudo, nem Jesus nem os Doze empenharam bandeiras, fizeram discursos ou promoveram mobilizações contra as injustiças sociais do Império Romano, embora elas existissem – e existissem numa proporção alarmante. 

Na parábola dos bodes e ovelhas, Jesus elogiou e prometeu entrada no Céu aos que discretamente visitavam os presos, alimentavam os famintos e vestiam os nus (Mt 25:31-46), não aos que usavam a voz em favor deles. Jesus nunca fez nenhuma mobilização ou propôs leis em favor dos excluídos, nem das vítimas dos impostos abusivos dos publicanos, do sistema de saúde precário da Palestina ou da dominação estrangeira feita por Roma. 

Isso não significa, é claro, que a Igreja no Novo Testamento não tivesse preocupação com os infortúnios dos mais frágeis e menos favorecidos na sociedade. Mas isso nos leva ao último ponto de nossa revisão sobre o ensino da Palavra de Deus a esse respeito: em vez de elaborar e proclamar um discurso social, a Igreja é chamada a oferecer uma ação alternativa ao modelo social externo. Os evangelhos mostram que Jesus recebeu, chamou, curou, abençoou e elogiou viúvas e crianças pobres, estrangeiros discriminados e pescadores desassistidos. E mandou Seus seguidores fazerem o mesmo. Ele ilustrou a natureza da verdadeira religião cristã ao contar a parábola do bom samaritano (Lc 10:30-37): não consiste em sistemas, credos ou ritos, mas no cumprimento de atos de amor e genuína bondade, sem distinção de raça, classe social ou confissão religiosa. 

Com ensinos como esse, a comunidade cristã primeva lutou contra a injustiça social no Império Romano durante e depois dos tempos do Novo Testamento diferentemente do que os cristãos de “direita”, “esquerda” ou “centro” fazem hoje. Sem muita teoria e com muita prática. Os primeiros cristãos ofereciam um modelo de sociedade em que os excluídos eram aceitos e bem-recebidos, as diferenças sociais eram apagadas nas interações da comunidade interna e onde escravos e senhores eram irmãos na vida da Igreja. Mais tarde, foram os cristãos que fundaram os primeiros orfanatos, lares para idosos e hospitais no mundo ocidental por valorizarem e acolherem os membros mais frágeis da sociedade. 

O Reino de Deus não é deste mundo 

Voltando ao caso do Pr. Piragibe Jr., ele tem a Palavra de Deus a seu favor ao defender como "iniquidade institucionalizada" a possível aprovação legal de questões morais contrárias à Lei de Deus revelada na Bíblia. A tarefa da Igreja é defender os valores atemporais e transnacionais ensinados na Palavra de Deus.

Verdade seja dita, nada impede que cristãos sinceros e consagrados lutem contra as mazelas e problemas sociais e políticos do país em que vivem, exercendo suas atividades para a glória de Deus e o bem do próximo. Mas ele ou ela deve ter a consciência de que a agenda sócio-política não deve nem pode ser confundida com a agenda do Reino de Deus. Não existe uma ação sócio-política cristã, nem um candidato do coração de Deus, muito menos uma causa partidária a serviço do evangelho. Da mesma maneira que não existe uma medicina cristã, ou um mecânico do coração de Deus ou uma ação contábil a serviço do evangelho. Portanto, não confunda o evangelho com a política.

*Walter Dos Santos é um jornalista apaixonado por Cristo e pela literatura que mantém o Portal Escrivão Caminha (escrivaocaminha.blogspot.com). A reprodução deste texto é autorizada desde que seja mencionado este crédito.

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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Como os adventistas encaram a política

por Alberto Ronald Timm*


Notícias sobre crises políticas e corrupções governamentais acabam polarizando a opinião pública dos países afetados. É curioso ver, de um lado, políticos questionáveis se fazendo de vítimas para continuar recebendo o apoio popular e, do outro lado, oposicionistas que aproveitando a situação para se autoproclamarem os únicos salvadores da pátria. Ao mesmo tempo em que vários políticos tradicionais vão perdendo a credibilidade, algumas denominações evangélicas têm-se mobilizado politicamente, a ponte de montarem sua próprias bancadas em câmaras de vereadores, nas assembléias legislativas na Câmara dos Deputados e mesmo no Senado Federal, sob o pretexto de que os políticos evangélicos são mais honestos e confiáveis.

A crescente militância política evangélica tem suscitado algumas indagações importantes entre os próprios adventistas:
1ª) Deveriam os adventistas continuar politicamente passivos ou assumir uma postura mais agressiva diante das crises governamentais?
2ª) Como a Igreja Adventista do Sétimo Dia encara a candidatura de alguns de seus membros a cargos políticos através de eleições públicas?
3ª) Que critérios devem ser usados na escolha dos candidatos em quem votar?
No capítulo "Nossa Atitude Quanto à Política” do livro Obreiros Evangélicos, págs. 391-396 (ver também Fundamentos da Educação Cristã, págs. 475-484), podem ser encontradas importantes orientações sobre o não envolvimento de obreiros denominacionais em questões políticas. Já o presente artigo menciona alguns conceitos básicos sobre a posição dos adventistas como cidadãos, candidatos e eleitores políticos.

Organização apolítica

Existem pelo menos três princípios fundamentais que regem a posição da Igreja Adventista do Sétimo Dia sobre a política. Um deles é o princípio da separação entre Igreja e Estado, levando cada uma dessas entidades a cumprir suas respectivas funções sem interferir nos negócios da outra. A Igreja crê que só poderá preservar esse princípio por meio de uma postura denominacional apolítica, não se posicionando nem a favor e nem contra quaisquer regimes ou partidos políticos. Essa postura deve caracterizar, não apenas a organização adventista em todos os seus níveis, mas também todas as instituições por ela mantidas, todas as congregações adventistas locais, bem como todos os obreiros assalariados pela organização.

A Igreja encontra nos ensinos de Cristo e dos apóstolos base suficiente para evitar qualquer militância política institucional. O cristianismo apostólico cumpria sua missão evangélica sob as estruturas opressoras do Império Romano sem se voltar contra elas. O próprio Cristo afirmou que o Seu reino "não é deste mundo" e que, por conseguinte, os Seus "ministros" não empunham bandeiras políticas (João 18:36). Qualquer com promisso político ou partidário por parte da denominação dificultaria a pregação do "evangelho eterno" a todos os seres humanos indistintamente (Mat. 24:14; Apoc. 14:6).

Outro princípio fundamental é que o nível de justiça social de um país é diretamente proporcional ao nível de justiça individual de cada um dos seus cidadãos, e que esta justiça individual, por sua vez, deriva do interior da própria pessoa. Reconhecendo as dimensões sociais do pecado, a Igreja apóia e mesmo participa de projetos so ciais e educacionais que beneficiam a vida comunitária sem conflitarem com os princípios bíblicos. Muitos desses projetos são levados a efeito em nome da ADRA - Agência de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais. No entanto, a Igreja não participa de quaisquer greves e passeatas de índole política e partidária que acabariam com prometendo sua postura apolítica.

A validade de uma perspectiva que parta do interior para o exterior do ser humano é destacada por Cristo ao afirmar que "de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura" (Mar. 7:21, 22). Consequentemente, a solução cabal para esses problemas não está na mera formulação de novas leis ou no ativismo revolucionário, e sim, na conversão interior do ser humano. Nas palavras de Cristo, "limpa primeiro o interior do copo, para que também o seu exterior fique limpo!" Mat. 23:26.

Um terceiro princípio fundamental é que cada cristão adventista possui uma dupla cidadania ele é, acima de tudo, cidadão do reino de Deus e, em segundo plano, cidadão do país em que nasceu ou do qual obteve a cidadania. Consequentemente, deve exercer sua cidadania terrestre com base nos princípios cristãos de respeito ao próximo. Mesmo desaprovando situações de injustiça e exploração social, a Igreja Adventista do Sétimo Dia procura se relacionar respeitosamente com o governo civil e os partidos políticos de cada país em que exerce suas atividades, sem com isso comprometer os princípios bíblicos.

Que o cristianismo não isenta os cristãos dos seus deveres civis é evidente na ordem de Cristo: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.” Mar. 12: 17. O Novo Testamento apresenta várias orientações a respeito do dever cristão de honrar os governos civis como instituídos por Deus (ver Rom. 13:1-7; Tito 3:1 e 2; I Pedro 2:13 17). Somente quando tais governos obrigam seus súditos a transgredirem as leis divinas é que o cristão deve assumir a postura de que "antes, importa obedecer a Deus do que aos homens” (Atos 5:29).

Candidatos adventistas

Entre os direitos do cristão adventista no exercício de sua cidadania, está o de ocupar cargos políticos. O Antigo Testamento menciona vários membros do povo de Deus que exerceram funções de grande projeção no governo de importantes nações pagãs da época. Por exemplo, José foi por muitos anos primeiro-ministro do Egito, a mais importante nação da época (Gên. 41:38-45). Colocado por Deus sobre o trono daquele país (Gên. 45:7, 8), José se manteve "puro e imaculado na corte do rei"; e foi "um representante de Cristo" aos egípcios (Medicina e Salvação, pág. 36; Patriarcas e Profetas, págs. 368-369). Daniel exerceu importantes cargos governamentais em Babilônia sob o reinado de Nabucodonosor, Belsazar, Dario e Ciro (Dan. 2:48, 49; 5:11,12,29; 6:1-3, 28; 8:27). Com um apego incondicional aos princípios divinos, Daniel e seus companheiros foram embaixadores do verdadeiro Deus na corte desses reis (ver Dan. caps. 1, 3 e 6).

A postura de José e Daniel nas cortes pagãs do Egito e de Babilônia, respectivamente, corrobora o fato de que é possível ser cristão sob governos não comprometidos com a religião bíblica. Mas o aprisionamento de José (Gên. 39:7-23), o teste alimentar de Daniel e seus três companheiros (Dan. 1), a passagem desses três companheiros na fornalha de fogo (Dan. 3) e a experiência de Daniel na cova dos leões (Dan. 6) comprovam que há um preço elevado a ser pago por aqueles que ocupam cargos públicos em ambientes hostis à verdadeira religião. O exemplo do rei Salomão deixa claro que boas intenções iniciais (II Crôn. 1:1-13) podem ser corrompidas pela influência de ambientes vulgares (I Reis 11:1-15). Já a atitude do rei Ezequias para com a embaixada de Babilônia comprova que governantes tementes a Deus correm o risco de se orgulharem de suas próprias consecuções (II Reis 20:12-19).

É interessante notarmos que José e Daniel foram nomeados para suas funções públicas pelos próprios monarcas da época. Mas hoje, na maioria das democracias modernas, as pessoas precisam se candidatar e concorrer a tais funções em um processo bem mais competitivo. O fato de existirem políticos corruptos não significa que todo político seja corrupto. Embora a Igreja Adventista do Sétimo Dia, normalmente, não encoraje e nem desestimule a candidatura política dos seus membros, ela também reconhece que a sociedade contemporânea tem sido beneficiada pelo bom exemplo de alguns políticos adventistas que concorrem honestamente a determinados cargos públicos e os exercem dignamente, sem comprometerem com isso os princípios bíblicos. A influência positiva de políticos adventistas tem sido decisiva, em vários países, para o estabelecimento de legislações que facilitem a observância do sábado.

A Igreja espera que os adventistas que se candidatam a cargos políticos elegíveis sejam honestos em sua campanha e, se eleitos, também no exercício de suas funções políticas. Cada candidato deve conduzir o seu processo eleitoral-político:

(1) sem assumir posturas ideológicas e partidárias contrárias aos princípios cristãos; 
(2) sem se valer de recursos financeiros ina propriados; 
(3) sem prometer o que não possa cumprir; 
(4) sem denegrir a reputação de outros candidatos igualmente honestos; 
(5) sem se envolver com coligações não condizentes com a fé cristã-adventista; 
(6) sem jamais comprometer a observância do sábado em suas campanhas; e 
(7) sem minimizar seu compromisso pessoal com o estilo de vida adventista em coquetéis e confraternizações sociais.

Conheço igrejas locais que enfrentaram sérias desavenças internas pelo fato de alguns dos seus membros se candidatarem a vereadores por partidos rivais. É certo que os membros da igreja têm o di­reito, como cidadãos, de se candidatarem e concorrerem a cargos elegíveis, bem como de procurarem convencer outros a neles votarem. Mas nenhuma programação oficial de qualquer congregação adventista deve ser usada como plataforma política que comprometa a postura apolítica da denominação. Candidatos adventistas que usam eventualmente o púlpito devem pregar o evangelho, sem jamais falar sobre política. Deus poderá abençoar ricamente os candidatos que exercerem honestamente sua cidadania, respeitando a posição apolítica da igreja e de seus obreiros, e promoverem a cordialidade e a unidade de nossas congregações.

Eleitores adventistas
Os membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia devem reconhecer ser seu dever individual escolher cons cientemente em quem votar. O princípio básico é sempre votar em candidatos cuja ideologia, crenças, estilo de vida e propostas políticas estejam mais próximos dos princípios adventistas. Entre os princípios mais importantes estão: 

(1) liberdade religiosa, 
(2) separação entre Igreja e Estado, 
(3) observância do sábado, 
(4) conduta moral, 
(5) temperança cristã, 
(6) apoio ao sistema educacional privado mantido pela Igreja, e a 
(6) tentativa de melhorar a qualidade de vida das classes moral e economicamente desfavorecidas. 

A posição da Igreja Adventista do Sétimo Dia sobre algumas dessas questões é enunciada no livro Declarações da Igreja (Tatuí, SP: CPB, 2003).

Ellen White adverte contra votar em candidatos sem compromisso com a liberdade religiosa: 
"Não podemos, com segurança, votar por partidos políticos; pois não sabemos em quem votamos. Não podemos, com segurança, tomar parte em nenhum plano político. Não podemos trabalhar para agradar a homens que irão empregar sua influência para reprimir a liberdade religiosa, e pôr em execução medidas opressivas para levar ou compelir seus semelhantes a observar o domingo como sábado. O primeiro dia da semana não é um dia para ser reverenciado. É um falso sábado, e os membros da família do Senhor não podem ter parte com os homens que o exaltam, e violam a lei de Deus, pisando Seu sábado. O povo de Deus não deve votar para colocar tais homens em cargos oficiais; pois assim fazendo, são participantes nos pecados que eles co metem enquanto investidos desses cargos". – Fundamentos da Educação Cristã, pág. 475.
Um dos maiores problemas na escolha de candidatos é a teoria de que "os fins justificam os meios". Se determinado candidato, mesmo sem compromisso com os princípios acima mencionados, promete beneficiar financeira ou politicamente a Igreja, alguns líderes julgam pertinente apoiar tal candidato em troca desses favores. Mas esse tipo de barganha política jamais deveria ser tolerado nos meios adventistas. Acima de quais quer benefícios coletivos ou individuais, deve estar o compromisso com os princípios adventistas.

Outro aspecto de especial interesse para os eleitores adventistas é a votação ou não em candidatos adventistas. Alguns creem equivocadamente que, votando em candidatos adventistas, estariam ao mesmo tempo promovendo a liberdade religiosa e postergando os eventos finais. Mas é dever de todo cristão adventista exercer sua influência em favor da liberdade religiosa (Mensagens Escolhidas, vol. 2, pág. 375; Testemunhos para Ministros, págs. 200-203), contribuir positivamente para a finalização da pregação do evangelho (Mat. 24:14; 28:18-20), e deixar os eventos finais por conta de Deus (Atos 1:6-8).

Como membros do corpo de Cristo (I Cor. 12:12-31), deveríamos acabar com a falsa teoria de que "adventista não deve votar em adventista". Essa teoria só é aplicável a candidatos que não vivem uma vida condizente com os princípios adventistas ou cuja candidatura visa apenas a obter benefícios pessoais, sem uma proposta política adequada. Mas, por outro lado, se os candidatos adventistas são os que mais próximo se encontram dos princípios que sustentamos e se eles possuem boa proposta política, então, não existe qualquer justificativa plausível para se descartar tais candidatos simplesmente por serem adventistas.

Deveria ser considerada também a questão das eleições no sábado em países onde a votação é obrigatória. Este assunto foi tratado por Mário Veloso em seu artigo "Os adventistas e a eleição no sábado" na Revista Adventista (Brasil), julho de 1986, págs. 19-20. Embora a Igreja Adventista do Sétimo Dia não discipline os membros que, por iniciativa pessoal, votem durante as horas do sábado, a recomendação é que isso seja evitado. O referido artigo foi escrito como um apelo aos políticos brasileiros para que houvesse um "prolongamento das horas para o exercício do voto, de tal maneira que os adventistas possam votar depois do pôr-do-sol do sábado". A declaração de que Ellen White votaria até mesmo "no sábado" diz respeito à causa da temperança, ou seja, à lei seca de proibição da venda de bebidas alcoólicas, em Des Moines, Iowa, em 1881 (ver Arthur L. White, Ellen G. White, vol. 3, págs. 158-161). Mas essa declaração não provê qualquer endosso a votação política em dia de sábado.

Conclusão
A Igreja Adventista do Sétimo Dia sempre manteve uma posição oficial apolítica de não se posicionar a favor ou contra qualquer regime ou partido político. Essa posição é mantida em todos os níveis organizacionais e institucionais da denominação, inclusive em suas congregações locais. Os obreiros assalariados pela denominação devem manter a mesma postura. Consequentemente, nenhum púlpito adventista e nenhuma reunião promovida oficialmente pela denominação jamais deveria desfraldar qualquer bandeira política. Ele é um lugar onde o evangelho eterno deve ser proclamado com o propósito de conduzir à salvação em Cristo pessoas de todas as etnias e de todos os partidos políticos, sem preferências e discriminações.

Por contraste, a Igreja faculta aos seus membros o direito individual de exercer sua cidadania, inclusive a de se candidatar a cargos políticos e de exercê-los dignamente. Tanto no processo eleitoral como no exercício da função, espera-se que cada adventista engajado em tais atividades mantenha uma postura digna de verdadeiro cristão adventista. Todos os políticos adventistas deveriam considerar a José e Daniel como seus modelos políticos. Deveriam sentir ser seu dever zelar pessoal e publicamente pela liberdade religiosa e pelos princípios cristãos em um mundo carente dos valores absolutos da verdadeira religião bíblica.

Todos os membros da igreja deveriam votar conscientemente nos candidatos que melhor refletem os ideais adventistas. A escolha dos candidatos não deveria ser tanto por partido político, mas pela ideologia e os valores pessoais de cada um. Candidatos adventistas não deveriam ser discriminados simplesmente por serem adventistas, exceto se não demonstram uma conduta digna ou não possuam um plano de governo adequado. O voto de cada adventista deveria ser um testemunho autêntico a favor da liberdade religiosa que facilite o cumprimento da missão adventista nestes dias finais da história humana.

*O Pr. Alberto Ronald Timm, Ph.D, é professor de Teologia Histórica do Centro Universitário Adventista de São Paulo, Campus Engenheiro Coelho, e diretor do Centro de Pesquisas Ellen G. White. Artigo publicado originalmente no site Advir.com, com o título "Os Adventistas e a Política".

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sexta-feira, 23 de abril de 2010

O Deus de Manassés

por Jorge de Oliveira*


Manassés foi um dos reis mais perversos de Israel. Começou a reinar aos doze anos e num abrir e fechar destruiu tudo o que o seu pai tinha feito de bom – é sempre muito mais fácil e rápido estragar o que de bom se faz. Manassés cometeu idolatrias, bruxarias, infâmias e abominações, chegando ao cúmulo de queimar e sacrificar os seus próprios filhos aos falsos deuses. Judá era considerada muito pior que todas as outras nações. Alguém poderia pensar que este Hitler cruel do Velho Testamento (como alguém o apelidou) estaria perdido para sempre. Mas não.

Deus enviou-lhe o exército inimigo da Assíria para o prender e levar cativo, tal qual uma besta (que ele era). E é precisamente neste terrível cativeiro, que, angustiado, Manassés ora ao "Deus de seus pais" e se arrepende do seu grande pecado e da sua vã maneira de viver. E ao contrário do que alguns podiam esperar, Deus ouve-o e perdoa-lhe. 
A história do rei Manassés pode ser lida em 2 Crônicas 33: 1-20
Erlo Braun - Ele vai Te Alcançar

Começa a restauração da sua vida e de Jerusalém. Reedifica o muro da cidade, constitui líderes para a protegerem dos ataques e ciladas dos inimigos, remove todos os ídolos e deuses estranhos que ele tinha anteriormente implantado, e começa a reparação do altar do Senhor, incentivando o povo a adorar e servir O único e verdadeiro Deus e Senhor.

Deus perdoou a Manassés. É certo que as marcas da sua malignidade deixaram rastos no povo e em Amom, o seu filho, que posteriormente vai trilhar o pior caminho do seu pai. Mas importa reter que se Deus perdoou a Manassés, não há pecado ou mal que Deus não consiga perdoar. Jesus também foi trespassado por causa do pecado de Manassés. O Deus de Manassés é o Deus de toda a misericórdia, perdão e compaixão. Ele é poderoso para amar e perdoar o mais vil dos pecadores.

*Jorge Oliveira, residente em Vila Nova de Gaia (um município português na região do Porto), é um cristão evangélico e mantém o blog Canto do Jo
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domingo, 17 de janeiro de 2010

A Arca de Noé, versão brasileira

(ATUALIZADO em 26/01 - Se você lê em inglês, conheça também a versão americana da Arca de Noé.)

Um dia, o Senhor chamou Noé, que morava no Brasil, e ordenou-lhe:

- Dentro de 6 meses, farei chover ininterruptamente durante 40 dias e 40 noites, até que o Brasil seja coberto pelas águas. Os maus serão destruídos, mas quero salvar os justos e um casal de cada espécie animal. Vai e constrói uma arca de madeira.

No tempo certo, os trovões deram o aviso e os relâmpagos cruzaram o céu. Noé chorava, ajoelhado no quintal de sua casa, quando ouviu a voz do Senhor soar furiosa, entre as nuvens:

- Onde está a arca, Noé?

- Perdoe-me, Senhor suplicou o homem. Fiz o que pude, mas encontrei dificuldades imensas: Primeiro tentei obter uma licença da Prefeitura, mas para isto, além das altas taxas para obter o alvará, me pediram ainda uma contribuição para a campanha para eleição do prefeito. Precisando de dinheiro, fui aos bancos e não consegui empréstimo, mesmo aceitando aquelas taxas de juros...

O Corpo de Bombeiros exigiu um sistema de prevenção de incêndio, mas consegui contornar, subornando um funcionário. Começaram então os problemas com o IBAMA e a FEPAM para a extração da madeira. Eu disse que eram ordens SUAS, mas eles só queriam saber se eu tinha um "Projeto de Reflorestamento" e um tal de "Plano de Manejo". Neste meio tempo ELES descobriram também uns casais de animais guardados em meu quintal.. Além da pesada multa, o fiscal falou em "Prisão Inafiançável" e eu acabei tendo que matar o fiscal, porque, para este crime, a lei é mais branda.

Quando resolvi começar a obra, na raça, apareceu o CREA e me multou porque eu não tinha um Engenheiro Naval responsável pela construção. Depois apareceu o Sindicato exigindo que eu contratasse seus marceneiros com garantia de emprego por um ano. Veio em seguida a Receita Federal, falando em "sinais exteriores de riqueza" e também me multou. Finalmente, quando a Secretaria Municipal do Meio Ambiente pediu o "Relatório de Impacto Ambiental" sobre a zona a ser inundada, mostrei o mapa do Brasil. Aí, quiseram me internar num Hospital Psiquiátrico! Sorte que o INSS estava de greve...

Noé terminou o relato chorando, mas notou que o céu clareava e perguntou:

- Senhor, então não irás mais destruir o Brasil?

- Não! - respondeu a Voz entre as nuvens.

- Pelo que ouvi de ti, Noé, cheguei tarde! O governo já se encarregou de fazer isso...
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sábado, 24 de outubro de 2009

Salmo 23, Nova Tradução na Linguagem Gaúcha


O senhor é meu patrão, em nada me desfalcam

Me apincha sossegado no pampa esverdeado

Me leva na sanga dágua buena

Me refresca o peito

Troteio com Ele na picada dos homem-de-bem porque somos chegado

Mesmo que eu troteie nas valeta dos defunto

Nada me ressabeia nem me envareta porque Tu anda junto

Me guarda com sova de mango

Monta uma churrascada na cara dos argentino

Me lambuza de graxa até enjoá

Até bater com a cola na cerca e descansá a sete palmo

Fico buenacho e sossegado feito agua-de-poço

Porque pro rancho do grande patrão é que to indo

E lá fico até o sol nunca se ponha mais


de Mario Fernandez

Publicado originalmente no Pava Blog.

Leia também: Sarmo 23, Nova Tradução na Linguagem Mineira.

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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Sarmo 23, Nova Tradução na Linguagem Mineira

O Sinhô é meu pastô e nada há de me fartá

Ele me faiz caminhá pelos verde capinzá

Ele tamém me leva pros corgos de água carma

Inda que eu tenha qui andá

nos buraco assombrado

lá pelas encruzinhada do capeta

não careço tê medo di nada

a-modo-de-quê Ele é mais forte que o “coisa-ruim”

Ele sempre nos aprepara uma boa bóia

na frente di tudo quanto é maracutaia

E é assim que um dia

quando a gente tivé mais-pra-lá-do-qui-pra-cá

nóis vai morá no rancho do Sinhô

pra inté nunca mais se acabá...

AMÉIM!


Publicado originalmente no Pava Blog.
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segunda-feira, 16 de março de 2009

Os manuscritos do Antigo Testamento

por Walter Dos Santos*

Partindo do pressuposto de que a Bíblia mereça atenção e importância, ainda assim permanece uma pergunta fundamental: quem garante que não houve algum tipo de adulteração, manipulação ou fraude no percurso da Bíblia dos tempos antigos aos dias de hoje? O Portal Escrivão Caminha inicia hoje uma série de postagens sobre a confiabilidade da Bíblia, examinando a questão dos manuscritos originais, das traduções modernas e da seleção final dos livros.


Ataques ao Antigo Testamento

Durante muitos séculos, muitas tentativas foram feitas para eliminar a Bíblia. Verdade é que os exemplares dela foram preservados em conventos e mosteiros, mas se impedia de todas as formas possíveis que ela parasse nas mãos do grande público. As poucas Bíblias disponíveis eram mantidas em línguas desconhecidas pela maioria, os que se aventuravam a traduzi-la em língua nacional eram queimados junto com seus trabalhos e quem possuísse um exemplar em casa poderia ser preso, torturado e morto pela igreja medieval.

Quando a destruição da Bíblia se tornou impossível devido à sua massiva circulação graças ao sucesso da Reforma e a invenção da imprensa, Satanás e seus agentes humanos tentaram um novo método. Se não podia destruir as próprias Escrituras, ele poderia fazer outra coisa: destruir sua credibilidade. O principal meio foi a Alta Crítica, um esforço acadêmico muito bem-sucedido em destruir a fé na Bíblia como Palavra de Deus.

Comecemos com os manuscritos do Antigo Testamento. Antes, é preciso fazer um esclarecimento. Na época bíblica, os livros não eram como os de hoje: eram na verdade pequenos rolos de couro ou de papiro (uma espécie de papel) que, devido à sua natureza, se desgastavam com o tempo e exigiam o constante e regular trabalho de fazerem-se cópias a partir deles. Não existem mais os autógrafos, isto é, os originais escritos pelas mãos dos autores. O que temos hoje são cópias manuscritas dos livros originalmente escritos pelos profetas do Antigo Testamento e os apóstolos do Novo Testamento.

Por muitos anos, estudiosos da Alta Crítica disseram que não se pode confiar na Bíblia. Afinal, não havia nenhuma cópia completa do Antigo Testamento hebraico (a língua em que ele foi escrito) anterior a 900 d.C. Certamente, sem copiadoras, muitos erros poderiam ter sido introduzidos nos textos. Assim, como se poderia confiar no Antigo Testamento?

Copiando o Antigo Testamento

Até um passado recente, o mais antigo e completo manuscrito hebraico existente havia sido copiado por volta de 900 A.D. Isso representava um intervalo de 1.300 anos entre a composição original do Antigo Testamento (AT) — completado por volta de 400. a.C.— e o manuscrito disponível aos estudiosos. Longe de atentar contra a confiabilidade do texto bíblico, os dados por trás deste manuscrito corroboram a confiablidade do AT. Segundo as leis civis e canônicas dos hebreus, os responsáveis pelas cópias dos exemplares do AT possuíam um sistema bem intricado para transcrever os rolos das sinagogas.

Samuel Davidson (IN: Hebrew Text of the Old Testament. 2.ed. Londres: Samuel Bagster & Sons, 1859) descreve algumas das exigências que estes responsáveis, os talmudistas, deviam seguir em relação às Escrituras: “(1) o rolo de uma sinagoga deve ser escrito em peles de animais puros, (2) preparados por um judeu para o uso específico da sinagoga. (3) Essas peles devem ser presas por meio de barbantes feitos de animais puros. (4) Cada pele deve conter um certo número de colunas, o qual deve se manter igual por todo o códice. (5) O comprimento de cada coluna não deve ser inferior a 48 nem superior a 60 linhas e a largura deve ser de trinta letras. (6) Deve-se primeiramente traçar as linhas de toda a cópia, e se três palavras forem escritas sem linha, a cópia fica inutilizada. (7) A tinta deve ser preta, e não vermelha, verde, nem qualquer outra cor, e deve ser preparada de acordo com uma fórmula específica.

“(8) Deve-se fazer a cópia a partir de uma cópia autêntica, da qual o transcritor não deve se desviar de modo algum. (9) Não se deve escrever nenhuma palavra ou letra, nem mesmo um iode, de memória, isto é, sem o escriba tê-lo visto no códice diante de si... (10) Entre cada consoante deve haver o espaço de um fio de cabelo ou de uma linha; (11) entre cada novo parashah, ou capítulo, deve haver a largura de nove consoantes; (12) entre um livro e outro deve haver três linhas. (13) O quinto livro de Moisés deve terminar exatamente no final de uma linha; mas com os demais isso não é preciso. (14) Além disso, o copista deve estar vestido com trajes judaicos a rigor, (15) lavar o corpo todo, (16) não começar a escrever o nome de Deus com uma pena recém-mergulhada na tinta, (17) e, caso um rei se dirija a ele enquanto está escrevendo o nome de Deus, não deve dar atenção ao rei”.

Davidson acrescenta que “os rolos que não são feitos de acordo com essas especificações estão condenados a ser enterrados ou queimados, ou ser banidos para as escolas, para serem usados como livros de leitura”. Ao comparar as variações de manuscritos do texto hebraico com as da literatura pré-cristã (como o Livro dos Mortos, dos egípcios), Gleason Archer Jr. (IN: Merece Confiança o Antigo Testamento? São Paulo: Vida Nova, 1974) afirma que surpreende o fato de que o texto hebraico não tenha o fenômeno de discrepâncias e de alteração dos manuscritos, presente em outros textos de literatura da mesma época. Os talmudistas tinham tanta certeza de que, ao terminarem de transcrever um manuscrito, eles teriam uma cópia exata, que atribuíam à nova cópia uma autoridade igual à do original.

Mas por que não temos outros manuscritos antigos? A própria ausência de manuscritos antigos, considerando-se as exigências feitas aos copistas e os cuidados que eles tomavam, confirma a credibilidade das cópias que temos hoje. Frederic Kenyon (In: Our Bible and the Ancient Manuscripts. Nova Iorque: Harper & Brothers, 1941) entra em mais detalhes sobre a questão acima e sobre a destruição das cópias mais antigas: “Após um manuscrito ter sido copiado com a exatidão determinada pelo Talmude, e após ter sido devidamente conferido, era aceito como autêntico e considerado como tendo igual valor ao de qualquer outra cópia. Sendo todos igualmente corretos, a idade não significava vantagem para um manuscrito; era uma desvantagem, pois um manuscrito antigo estava sujeito a tornar-se ilegível ou a sofrer algum dano. Uma cópia defeituosa ou imperfeita era imediatamente considerada imprópria para o uso. Por essa razão, a ausência de cópias bem antigas da Bíblia hebraica não precisa causar surpresa ou inquietação.”

O Texto Massorético e os Rolos do Mar Morto

Mais tarde, entre 500 e 900 A.D., os massoretas aceitaram o fatigante trabalho de editar o texto e padronizá-lo. O texto que os massoretas produziram é chamado de texto “massorético”, o texto hebraico padrão hoje. Os massoretas eram bem disciplinados, tendo elaborado um complicado sistema de salvaguardas contra erros de cópia. Por exemplo, eles contavam o número de vezes que cada letra do alfabeto aparecia em cada livro; eles assinalavam a letra que ficava exatamente no meio do Pentateuco e a que ficava exatamente no meio da Bíblia toda; e faziam cálculos ainda mais minuciosos do que esses.

Sir Frederic Kenyon escreve: “Além de registrar as variantes de leitura, a tradição, ou as conjeturas, os massoretas realizaram inúmeros cálculos que não dizem diretamente respeito à crítica textual. Eles contaram os versículos, as palavras e as letras de cada livro. Eles calcularam a palavra e a letra que ficava no meio de cada livro. Fizeram uma lista dos versículos que continham todas as letras do alfabeto, ou um certo número delas; e assim por diante. No entanto, essas trivialidades, como bem poderíamos considerá-las, tiveram o efeito de garantir uma atenção minuciosa à transmissão fiel do texto.”

No início de 1947, o mundo foi informado sobre o que foi considerado "a maior descoberta arqueológica do século". Em cavernas próximas ao Mar Morto, foram descobertos jarros antigos contendo os agora famosos Rolos do Mar Morto, muitos deles datados de aproximadamente 150 a.C. a 70 d.C., o que significa que esses textos bíblicos eram mais de mil anos mais velhos que o Texto Massorético. O achado incluía a cópia manuscrita mais antiga conhecida do livro completo de Isaías e fragmentos de quase todos os livros do Antigo Testamento. Também foram achados, em uma cópia esfarrapada, os livros de Samuel, juntamente com dois capítulos completos de Habacuque. Comparando-se os Rolos do Mar Morto com os outros manuscritos, os estudiosos ficaram pasmos ao descobrir como é precisa nossa Bíblia moderna. Na maioria dos casos, havia apenas pequenas diferenças de ortografia.

O mais antigo manuscrito com o texto hebraico completo que possuíamos fora preparado em 900 A.D. ou depois. Graças à arqueologia e aos Rolos do Mar Morto, um dos rolos era um manuscrito com o texto hebraico completo de Isaías datado de 125 a.C., e mais de mil anos mais antigo do que qualquer outro manuscrito anteriormente conhecido. O impacto dessa descoberta está em que o rolo de Isaías (125 a.C.) corresponde exatamente ao texto massoretico de Isaías (916 A.D.), preparado 1.000 anos depois. Isso demonstra a fidelidade e exatidão incomuns dos copistas pelo período de mil anos.

Sir Frederic Kenyon escreve: “Muito embora as duas cópias de Isaías descobertas em 1947, na caverna número 1 de Qumran (próximo ao mar Morto) fossem mil anos mais antigas que o mais velho manuscrito até então conhecido (980 A.D.), verificou-se que, em mais de 95% do texto, eram idênticas palavra por palavra ao nosso texto hebraico padrão. Os 5% de variação são, principalmente, erros óbvios de cópia e variações de ortografia. Mesmo os fragmentos de Deuteronômio e Samuel, descobertos no mar Morto e que indicam pertencerem a uma família de manuscritos diferente da do nosso texto hebraico conhecido, não apontam para quaisquer diferenças de doutrina ou de ensino. Absolutamente não afetam a mensagem revelada”.

Conclusão


O problema, antes da descoberta dos Rolos do Mar Morto, era sobre a fidelidade das cópias que temos hoje em comparação com o texto do primeiro século. Mas além deles, existem duas outras antigas testemunhas que atestam a precisão dos copistas do Antigo Testamento. Uma delas é a tradução grega do Antigo Testamento, chamada de Septuaginta; outra é o texto que foi preservado pelos samaritanos que vivem hoje na Palestina. Temos grande evidência externa de como é confiável o texto do Antigo Testamento. Podemos pegar o Antigo Testamento nas mãos e saber que ele é o mesmo compilado por Esdras no quarto século antes de Cristo, que ele é o mesmo lido por Jesus na sinagoga em Nazaré no primeiro século da nossa era. "Deus tem testemunhas fiéis, a quem confiou a verdade, e que preservaram a Palavra de Deus. Os manuscritos das Escrituras hebraicas e gregas foram preservados ao longo dos séculos por um milagre de Deus." – Ellen G. White, Carta 32, 1899.

Bibliografia: As informações nos parágrafos acima foram extraídas, condensadas e reordenadas das seguintes fontes: 1) Josh McDowell, Evidência que exige um veredito: evidências históricas da fé cristã. 2. ed. - São Paulo: Editora Candeia, 1996; e 2) A Bíblia para hoje, Lições da Escola Sabatina, 2º Trimestre de 2007, publicada pela Casa Publicadora Brasileira.

*Walter Dos Santos é um jornalista apaixonado por Cristo e pela literatura que mantém o Portal Escrivão Caminha (escrivaocaminha.blogspot.com). A reprodução deste texto é autorizada desde que seja mencionado este crédito.
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