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terça-feira, 11 de julho de 2017

Os adventistas creem que serão os únicos salvos?

Este post é parte de uma série apologética sobre erros comuns que as pessoas 
acreditam e ensinam sobre os adventistas, sua história, suas crenças e suas práticas.

Erro comum: A Igreja Adventista é exclusivista, acreditando ser a única igreja verdadeira e/ou os únicos que serão salvos. 

Primeiro, é preciso reconhecer que muitos pastores e membros adventistas acreditam assim, pois enfatizam mais as doutrinas e práticas que separam os adventistas de outros grupos cristãos. Mas eles não estão seguindo a orientação e teologia da Igreja Adventista do Sétimo Dia ao agirem e pensarem dessa maneira.

Vejam, por exemplo, o que diz o Prof. Leandro Quadros, do programa Na Mira da Verdade (TV Novo Tempo), ao responder se somente os adventistas serão salvos: 




Cremos que Deus tem fiéis salvos em todas as igrejas. Que a salvação vem apenas pela fé, independentemente de qualquer obra que o homem possa fazer – incluindo o sábado. Embora haja alguns membros fanáticos e preconceituosos em nosso meio – como em todas as igrejas – os adventistas não são esse grupo sectário e julgador que muitos foram acostumados a acreditar que somos.

Ellen White uma vez inclusive aprovou o aluguel de uma de nossas igrejas a uma igreja presbiteriana – sem que isso envolvesse qualquer crítica ou condenação sobre eles por sua guarda do domingo (ver abaixo).

Vejam também algumas declarações oficiais dos adventistas sobre o assunto:

“A igreja invisível, também conhecida como igreja universal, é composta dos filhos de Deus em todo o mundo. Inclui os crentes que estão dentro da Igreja visível e muitos outros que, embora não pertencendo à Igreja visível, têm seguido a luz que Cristo lhes concedeu (João 1:9). Este último grupo inclui aqueles que jamais tiveram a oportunidade de aprender a respeito de Jesus Cristo, mas que têm respondido ao Espírito Santo e têm procedido “por natureza, de acordo com a lei” (Rom. 2:14)." 
Nisto Cremos: 28 ensinos bíblicos dos adventistas do sétimo dia, p. 199.

“O Senhor tem Seus representantes em todas as igrejas. A essas pessoas as decisivas verdades especiais para estes últimos dias não foram apresentadas sob circunstâncias que trouxessem convicção ao coração e à mente; portanto, ao rejeitar a luz, elas não romperam sua ligação com Deus.”
– Ellen G. White, “Testemunhos para a Igreja”, vol. 6, p. 71.

“Deus tem filhos, muitos deles nas igrejas protestantes, e um grande número nas igrejas católicas, que são mais fiéis para obedecer à luz e para proceder de acordo com o seu conhecimento do que um grande número entre os adventistas observadores do sábado que não andam na luz.”
– Ellen G. White, “Mensagens Escolhidas”, vol. 3, p. 386.

"A luz que me foi dada por Deus coloca este importante assunto acima de qualquer dúvida em minha mente. A justificação é inteiramente de graça, não sendo obtida por nenhuma obra que o homem caído possa efetuar."
– Ellen G. White, “Fé e Obras", p. 18. 

"Há uma semana do último sábado, cumpri um compromisso para falar na igreja em São Francisco. Tivemos uma excelente reunião. Parecia haver ardente desejo de ouvir e interesse nas palavras proferidas. (...) A igreja está alugada aos presbiterianos, para cultos aos domingos. Isto às vezes é um pouco inconveniente para nós, mas como sua casa de culto foi destruída, eles se sentem muito agradecidos pelo privilégio de usar a nossa."
– Ellen G. White, “Mensagens Escolhidas", vol. 3. p. 322-323.

"Entre eles [os católicos] existem muitos que são conscienciosíssimos cristãos, que andam em toda a luz que sobre eles brilha, e Deus operará em seu favor."
— Ellen G. White, "Obreiros Evangélicos", 329.

Eu e os demais adventistas dizemos a todos as palavras da bela canção abaixo, cantada e gravada pelo grupo adventista Prisma Brasil em 1987: 

"A mim não importa o nome que tu tens / Pois sinto que se crês em Cristo ao meu lado estás / E seu amor podemos repartir, por seu poder mudar o mundo / Conhecerão que Cristo é Rei / Meu irmão e minha irmã as mãos nos demos / Pois, lutemos com Jesus contra o mal / Os perigos e temores não mais nos assolarão / O amor de Cristo nos susterá"



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Quantos nomes têm os adventistas?


Este post é parte de uma série apologética sobre erros comuns que as pessoas 
acreditam e ensinam sobre os adventistas, sua história, suas crenças e suas práticas.

Erro comum: A Igreja Adventista teve vários nomes ao longo de sua História.

 O Movimento Milerita, ocorrido no século XIX nos EUA, deu origem a várias denominações adventistas:

1) a Igreja Evangélica Adventista (formalizada em 1845),
2) a Igreja Cristã do Advento (1860),
3) a União do Advento e Vida (1863),
4) a Igreja de Deus (Sétimo Dia) (1858) e
5) a Igreja Adventista do Sétimo Dia (1863).

Essas 5 igrejas não são diferentes nomes da mesma igreja, são denominações diferentes com doutrinas e administração diferentes. 

As igrejas 1, 2 e 3 guardavam o domingo; 4 e 5, o sábado.

A maior, 1, acreditava na consciência na morte e no inferno de tormento eterno; as outras não.

As igrejas 4 e 5 aceitaram o dom de profecia em Ellen White, mas a 4 deixou isso de lado e foi seguir seu próprio caminho.

A 1 desapareceu em 1916, a 3 separou-se da 2 em 1863 e desapareceu um século depois quando se uniu com a 2 de novo, em 1964.

A 5 era o patinho feio do grupo: a menor, mais esquisita e menos popular igreja de toda a ninhada milerita, mas se tornou a maior de todas elas. Essa, liderada por Joseph Bates, Ellen G. White e seu esposo Tiago White, foi fundada em 1863 com o nome de Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Também é importante informar que a Igreja Adventista do Sétimo Dia não possui "convenções" ou "ministérios" independentes e reconhecidos entre si, tal como acontece na Assembléia de Deus (Missão, Madureira, Belém, Betesda etc.) ou na Presbiteriana (do Brasil, Independente, Renovada, Conservadora, Unida etc.).


A Igreja Adventista da Promessa (de origem brasileira, linha pentecostal) e Igreja Adventista do Sétimo Dia Movimento de Reforma (de origem alemã, com crenças e práticas baseadas mais em Ellen G. White do que na Bíblia) são dissidências à parte e movimentos rivais, tendo sido fundadas após expulsão motivada por ensinos e práticas incompatíveis com a compreensão bíblica da denominação da qual saíram. Eles não devem ser confundidos com a Igreja Adventista do Sétimo Dia fundada em 1863.

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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

35 anos sem Elis

Hoje, 35 anos sem Elis Regina - a maior (não na altura: 1,53 m) e melhor intérprete da música brasileira de todos os tempos. Ela faleceu em 19 de janeiro de 1982.

Elis Regina - Como Nossos Pais

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segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

O amor domina e vence outra vez!

por Walter Mendes

Escolher música de casamento é uma tarefa bem difícil! Atendendo ao pedido de um amigo muito querido, montei uma seleção este fim de semana para o casamento religioso dele e percebi a pouca variedade de opções na praça.

Consultei algumas listas na internet e lembrei de músicas do meu acervo e memória para atender a seu desejo: uma seleção que fugisse do comum. Tarefa árdua, acreditem. Lutar contra o divórcio deve ser mais fácil que lutar contra a "Marcha Nupcial" na trilha sonora do casamento! Música erudita é confortável como uma samba-canção ou lingerie bege, mas as três coisas em excesso podem deixar tudo sem graça e sem charme num casamento.

Temas instrumentais seculares sempre vêm à tona, ainda mais aqueles retirados de grandes filmes. Contudo, eles precisam ser escolhidos a dedo. Afinal, a música perfeita para embalar a festa ou a noite de núpcias quase sempre não é a mais adequada para a cerimônia na igreja. Glorinha Khalil deve ter algo escrito em algum lugar sobre isso. Se não tem, deveria estar. Uma pequena e discreta ousadia aqui e ali pode até passar, mas é de bom tom não profanar o caráter sagrado da cerimônia religiosa.   

Falando nisso, música religiosa de qualidade e bom gosto para casamento é rara como um milagre. Apesar de muitas igrejas católicas e evangélicas exigirem apenas música religiosa/erudita dentro dos templos, as composições cristãs para casamento não crescem nem se multiplicam. Por exemplo, no momento mais sagrado da cerimônia espiritual, a bênção das alianças pelo padre/pastor, não há praticamente nada fora da versão musicada do Pai-Nosso ou Ave-Maria que se iguale em grandeza, espiritualidade e beleza a essas canções. Fica a dica para os músicos e cerimoniais.

Cá entre nós: não é difícil entender por que trilha sonora de casamento é tão cheia de repetições e modismos! As mesmas canções em todas as cerimônias. Encontrar a alma gêmea cantada na música do Fábio Júnior é "facim, facim". Disso não existe dúvida, haja vista que ele já se casou 6 vezes. Difícil é encontrar música diferente para casar-se tantas vezes.

Mas nada se compara, é claro, ao recorde de 17 - sim, dezessete! - casamentos da cantora Gretchen. Se ela ainda sabe o nome de cada ex-marido, não posso dizer. Mas ela deve saber cantarolar pelo menos 10 músicas inteiras de casamento, tocadas e cantadas pelo menos 5 vezes ao longo das ocasiões em que ela subiu ao altar. As mesmas dez músicas que tocam em 9 de cada 10 cerimônias de casamentos em que você estiver. Inclusive a sua.

Já pensou se a Gretchen aproveita sua "expertise" para gravar um CD e vira a Simone das canções de casamento? "Então é real / perante vocês / o amor domina / e vence outra vez!" 

Pensando bem, é melhor não dar ideia...


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quinta-feira, 9 de julho de 2015

Sobre o resultado da ordenação de mulheres

Público presente na Conferência Geral 2015
por Walter Mendes

Foi votada ontem (8/07/2015) a ordenação de mulheres ao pastorado na 60a Conferência Geral dos Adventistas do Sétimo Dia. Por 1381 votos contra, 977 a favor e 5 abstenções, os delegados da Igreja mundial decidiram que as divisões (os escritórios continentais da denominação) não devem fazer provisões para que mulheres sejam ordenadas ao ministério pastoral.

Gostaria de tecer alguns comentários sobre os debates e votação de ontem neste post, mas preciso, antes de mais nada, fazer alguns esclarecimentos:

1. Não estou faltando com a ética ao fazer os comentários e observações abaixo, nem estou vazando quaisquer informações secretas. A assembleia da Conferência Geral é e sempre foi aberta ao público, além de estar sendo divulgada de forma oficial e ao vivo pela administração da Igreja.

2. As observações abaixo não têm relação  com minha opinião a favor da ordenação de mulheres. Se o voto final tivesse sido igual ao meu desejo, ainda assim as observações seriam as mesmas.

3. Creio na Igreja Adventista do Sétimo Dia como meu lar na família de Deus. Mas sou forçado a reconhecer o comentário de um pastor amigo meu: apenas um milagre de Deus vai terminar a pregação do evangelho para estarmos em pé no Advento do Rei.

NÃO FIZERAM A LIÇÃO DE CASA
Eu acompanhei ontem à tarde o período de discussões anterior à votação e foi algo deprimente. Os delegados mundiais claramente não leram nem estudaram o relatório de 120 páginas preparado pela comissão que estudou as 3 propostas (sim, não, cada divisão decide). Existe uma cultura da ignorância (mais importante é evangelizar, não perder tempo com estudos e discussões) muito perigosa em nossa Igreja. Um fato que provoca a existência de membros sem firmeza alguma no estudo e interpretação da Bíblia. E isso explica, em parte, a imagem do balde furado usada em um relatório desta Conferência: nós ganhamos muitos membros para a Igreja ano após ano, mas perdemos quase o mesmo número de adeptos pela apostasia ano após ano.

O (DES)CASO DA AMÉRICA DO SUL
Nenhum delegado ou oficial da Divisão Sul-Americana soltou uma palavra sequer sobre o assunto durante as discussões, tanto no plenário da Conferência Geral quanto em suas contas oficiais no Twitter. Algo bem diferente da representação de outros continentes e regiões, que participaram e contribuíram bastante (às vezes até demais) durante as discussões. Falta de domínio do inglês, falta de estudo da matéria, falta de colhões para ser fiel 'como a bússola o é ao polo'? Faltam explicações e respostas.

MACHO MAN
Não adianta negar: existe um ranço de machismo muito forte na nossa Igreja. Biologia, não teologia, parece dar automaticamente sabedoria e talento para cuidar das coisas de Deus. (Os argumentos ontem para o NÃO giraram em torno da ideia de que a mulher não precisa ser ordenada para fazer o que já faz...) Isso foi visível inclusive no microfone de discussões da Conferência Geral, em que se viu e ouviu dezenas e dezenas de homens e apenas 2 mulheres indo à frente para discutir a ordenação de mulheres...

MEDO E VERGONHA
Sério, tenho medo e vergonha de ser adventista muitas vezes. E ontem foi uma dessas ocasiões, quando percebi que a liderança da Igreja ao redor do mundo sabe tanto quanto ou até menos de Bíblia, Ellen G. White, história do Cristianismo, interpretação de texto, tolerância e empatia, argumentação e lógica do que os membros pobres e sem estudo de igrejas da periferia e interior. Vários delegados contra e favor da ordenação ameaçaram sutilmente ou não que abandonariam a Igreja se o voto final não fosse conforme o que eles desejavam.

PONTOS 'ALTOS' DO DEBATE
Um delegado americano a favor da ordenação falou na cara dura que a América do Norte tem menos membros, mas tem mais dízimo. Uma delegada contra a ordenação sugeriu que a discussão fosse aberta apenas para os que votariam. Um delegado contra disse que Jesus era a verdade e Ele nunca ordenou mulheres, esquecendo-se que o Salvador nunca ordenou ninguém, nem homens, nem mulheres. Um delegado a favor lembrou que os irmãos da África e da Ásia deveriam respeitar a cultura da América do Norte e Europa, pois a Igreja respeitou a cultura da África e da Ásia ao permitir e tolerar a poligamia - sim, poligamia - nesses lugares por razões culturais.

A VOZ DO POVO É A VOZ DE DEUS?
A maioria votou e a questão foi decidida: "é a vontade do Senhor!". Doze espias votaram e 10 foram contra a tomada da Terra Prometida no tempo de Josué e Calebe. A nação inteira votou e escolheu um rei sobre Israel no tempo de Samuel. A multidão votou na sexta-feira e escolheu Barrabás em vez de Jesus. A história sagrada deveria mostrar que a decisão da maioria não significa necessariamente "a vontade de Deus".

PONTOS NOS IS
Que fique bem claro: o voto ontem não foi sobre mulheres pastoras (elas já existem e continuarão a existir), nem sobre ordenar mulheres (diaconisas já são ordenadas). O voto de ontem foi sobre ordenar mulheres pastoras (o que não existe ainda e não vai existir por alguns anos). A Igreja Adventista do Sétimo Dia faz diferença entre "pastores comissionados" (caso das mulheres) e "pastores ordenados" (caso dos homens, com o ritual da imposição de mãos).

VAI TER MULHERES PASTORAS SIM
A Igreja na América do Norte divulgou nota nesta madrugada em sua página do Facebook. Embora respeitem a decisão da Igreja mundial, eles vão continuar a ter mulheres pastoras e pretendem dobrar o número delas nos próximos anos para poder evangelizar seu território. Rebeldia? Não! A Igreja Adventista do Sétimo Dia tem 320 pastoras nos EUA, Holanda, Alemanha e China e elas vão continuar existindo depois da Conferência Geral de 2015.
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