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domingo, 12 de setembro de 2010

Caso Pr. Piragibe Jr 1: a separação Igreja–Estado

por Walter Dos Santos*

Um vídeo extremamente polêmico, reunindo temas espinhosos como aborto, política e religião, está alcançando quase 1 milhão de exibições no Youtube. Durante um sermão no fim de agosto passado, o pastor presidente da 1ª Igreja Batista de Curitiba (PR) Paschoal Piragine Jr mostrou uma gravação com cenas fortes sobre aborto e casamento homossexual, dois temas incluídos no Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH) aprovado no governo Lula. O religioso condenou o conteúdo do PNDH e orientou os fiéis a não votarem nos candidatos que estejam comprometidos na defesa do Plano ou que o apóiem, citando por nome o Partido dos Trabalhadores (PT).

Youtube - Posicionamento do Pr. Paschoal Piragine Jr sobre as eleições 2010


A reação petista veio rápida. Em reportagem da Rádio CBN Curitiba, o presidente do PT no Paraná e deputado estadual Ênio Verri reagiu às declarações do ministro batista. O líder político chamou o pastor de mentiroso, mandou-o para o inferno ("o céu não é o destino futuro desse pastor", segundo ele) e ameaçou processá-lo na Justiça. Ênio Verri disse que os deputados citados pelo Pr. Paschoal Piragine Jr não foram expulsos do partido por votarem contra o aborto. Segundo ele, eles saíram por vontade própria e tinham liberdade para votarem conforme sua consciência nessa questão. Numa outra postagem, mostraremos que os fatos estão do lado do pastor batista, e não do parlamentar petista.

O religioso está em viagem para a Argentina e não foi encontrado pela CBN Curitiba para comentar as declarações do presidente do PT. Também não informado o motivo da viagem, se pessoal ou a serviço da igreja. Mas redes sociais e blogs na internet têm especulado que o pastor Paschoal Piragine Jr. teve de fugir por causa de ameaças recebidas contra ele e sua família desde que proferiu o sermão. Embora tenha recebido muita aprovação de setores conservadores dentro e fora da sua denominação, muitos têm se posicionado contra o pronunciamento do pastor batista. Mas o que a Palavra de Deus ensina sobre a delicada relação entre política e religião?

Batistas e a separação Igreja–Estado

Jesus defendeu a separação dos poderes eclesiástico e governamental em Mt 22:17-21, atribuindo esferas de poder e submissão próprias a César e a Deus. Em Rm 13:1-7 e 1Pe 2:13-17, os apóstolos do Salvador foram bem claros ao ordenar os cristãos a serem submissos ao Estado como instituição ordenada por Deus, ensinando-nos que ele existe para recompensar o bem e refrear o mal.

Respaldados por passagens como essas, a tradição batista em que se insere o Pr. Piragibe Jr tem defendido a separação Igreja–Estado e a liberdade religiosa ao longo dos séculos. Seus antepassados espirituais, os anabatistas já propunham esse princípio em meio à perseguição religiosa provocada pela junção dos poderes civis e religiosos na Europa católica e protestante dos séculos XVI e XVII. Os primeiros dois pastores da primeira igreja batista no mundo, fundada na Inglaterra em 1611, defendiam a separação Igreja–Estado e morreram na prisão por causa de suas crenças. Era um tempo em que a Igreja Anglicana havia trocado o Papa de Roma pelo Rei da Inglaterra como chefe espiritual, mantendo a mesma intolerância herdada do catolicismo e perseguindo os dissidentes: especialmente os católicos, puritanos e batistas.

Com o desejo de liberdade de consciência, os puritanos enfrentaram os perigos de um longa jornada através do mar em direção às praias da América do Norte. Mas embora desejassem "um Estado sem rei e uma Igreja sem papa", os tripulantes do navio Mayflower logo começaram a ser tão intolerantes quanto os seus inimigos na colônia americana de Massachusetts. Eles cruzaram o Atlântico, fugindo da perseguição da igreja oficial da Inglaterra. Contudo, para criar uma igreja oficial deles mesmos na Nova Inglaterra, exigia-se que todos os cidadãos sustentassem o clero, magistrados declararam guerra contra a heresia e a filiação à igreja era critério de admissão em cargos públicos. A liberdade de consciência era sufocada por essa mistura de religião e governo que lembrava o velho mundo.

O pastor Roger Williams, perseguido pelos anglicanos na Inglaterra, chegou à colônia de Massachusetts em 1631. Ele viveu por algum tempo na fazenda Plymouth, um museu vivo do primeiro povoado permanente inglês na América. Apesar de ter tido uma recepção calorosa e ser convidado a pastorear a única igreja existente em Boston, Williams logo se tornou um pregador exilado e fugitivo. Ele lera os escritos dos primeiros pastores batistas citados anteriormente e ensinava que a união Igreja–Estado era insustentável, que o poder civil não pode legislar sobre questões religiosas e que o salário pastoral deve ser pago pelos membros que o contratam e não por impostos governamentais.

Os líderes puritanos de Massachusetts não podiam tolerar aquelas novas e perigosas opiniões. Durante um julgamento formal, eles condenaram Williams e ordenaram que fosse exilado. Banido de Boston, ele vagou pela neve por 14 semanas floresta adentro, mal conseguindo sobreviver até que encontrou refúgio com os índios. Comprando terra deles, Roger Williams fundou a colônia de Providence, onde agora fica Rhode Island. Ali o pastor estabeleceu o primeiro governo moderno, oferecendo total liberdade de consciência. Williams convidou todos os oprimidos e perseguidos a buscarem refúgio em Providence, qualquer que fosse a sua fé. Mesmo que não tivessem qualquer fé, eles seriam bem-vindos. E nesse reduto de liberdade, foi fundada em 1638 a primeira Igreja Batista em terras americanas. Providence se tornou a capital da liberdade no Novo Mundo e o esboço da Constituição Americana um século e meio depois, defendendo a liberdade religiosa e a separação Igreja–Estado. 

Graças a pioneiros batistas do começo de sua história, a Igreja Adventista do Sétimo Dia herdou a defesa desses dois grandes princípios. Organizada por líderes adventistas no ano de 1893, a Associação Internacional de Liberdade Religiosa (IRLA, em inglês) trabalha para defender, proteger e promover a liberdade religiosa em todos os lugares para todas as pessoas. Seu foco primário é organizar congressos, simpósios, conferências e seminários, e atuar junto a legisladores, governos e líderes religiosos, estimulando a liberdade religiosa e ajudando as vítimas de intolerância religiosa. Afiliada a parceiros em 80 países, a IRLA recebeu em 2000 status de ONG consultiva na Organização das Nações Unidas.


Implicações da separação Igreja–Estado

Voltando ao caso do Pr. Piragibe Jr: ao contrário de muitos ministros populares (no pior sentido do termo), ele não vendeu o voto da sua denominação para este ou aquele candidato, nem promoveu qualquer candidato como "o homem escolhido por Deus, ou do sonho de Deus, o homem de Deus para este cargo etc". Ele apenas valeu-se do seu direito bíblico e constitucional de orientar espiritualmente sua congregação conforme uma legítima preocupação sua sobre questões sociais e morais. 

A separação Igreja–Estado não significa que as duas esferas jamais possam interagir de quaisquer formas ou por quaisquer meios. Igrejas são entidades civis e jurídicas submetidas a algumas leis específicas do governo civil, compostas por membros que são cidadãos do país em que residem e que desfrutam de direitos e deveres políticos assegurados pelo mesmo Estado. Este por sua vez decreta feriados baseados em comemorações religiosas, concede liberdade de crença e reunião, protege os locais de culto e suas liturgias e permite capelania religiosa em presídios e quartéis, entre outras garantias. 

A separação Igreja–Estado significa que o Estado não deve favorecer nem prejudicar nenhuma organização religiosa em detrimento de outra, e a Igreja não deve interferir nos negócios do Estado nem (idealmente) se envolver na política partidária como uma organização coletiva. Uma coisa é o membro ou o ministro evangélico expor sua opinião sobre o momento político, outra diferente é a Igreja local ou a denominação apoiar ou condenar oficialmente este ou aquele candidato ou projeto político.

Uma das consequências lógicas da separação Igreja–Estado defendida pela Bíblia é que a Igreja não deve impor sua moralidade aos não-cristãos, muito menos usar a força de lei para forçar as pessoas a seguir suas normas e crenças. Contudo, a Palavra de Deus aconselha os cristãos a não se conformarem aos padrões corrompidos deste mundo hostil a Deus e à Sua vontade (Mt 5:13; Jo 17:14-16; Rm 12:1-2; Fp 2:14-16; Tg 4:4; 1Pe 2:11-12; 1Jo 2:15-17). Nas sociedades democráticas ocidentais, os diferentes grupos sociais usam o espaço do debate público e a arena política para defender seus interesses e promover seus valores. Nesse caso, a Igreja pode e deve usar os meios ao seu alcance e ao seu dispor para defender e promover um padrão moral mínimo para o bem-estar dela mesma e do resto da sociedade. 

Cristãos protestantes trabalharam com sucesso nesse caminho ao lutar pelo fim da escravidão e em favor das crianças órfãs na Inglaterra, contra o estímulo aos vícios do álcool e do fumo, a escravatura e a segregação racial nos EUA e contra o infanticídio e o enterro de viúvas com seus maridos na Índia. Batistas como o missionário à Índia William Carrey e o pastor Martin Luther King não violaram a separação Igreja–Estado defendida por sua denominação ao apoiarem essas bandeiras pelo exemplo e pela voz, embora tenham confrontado interesses partidários e leis estabelecidas pelo Estado de então.

Portanto, o Pr. Piragibe apenas coloca-se numa lista de ministros cristãos a usar sua influência contra questões morais de repercussão social. 

*Walter Dos Santos é um jornalista apaixonado por Cristo e pela literatura que mantém o Portal Escrivão Caminha (escrivaocaminha.blogspot.com). A reprodução deste texto é autorizada desde que seja mencionado este crédito.

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sexta-feira, 23 de abril de 2010

O Deus de Manassés

por Jorge de Oliveira*


Manassés foi um dos reis mais perversos de Israel. Começou a reinar aos doze anos e num abrir e fechar destruiu tudo o que o seu pai tinha feito de bom – é sempre muito mais fácil e rápido estragar o que de bom se faz. Manassés cometeu idolatrias, bruxarias, infâmias e abominações, chegando ao cúmulo de queimar e sacrificar os seus próprios filhos aos falsos deuses. Judá era considerada muito pior que todas as outras nações. Alguém poderia pensar que este Hitler cruel do Velho Testamento (como alguém o apelidou) estaria perdido para sempre. Mas não.

Deus enviou-lhe o exército inimigo da Assíria para o prender e levar cativo, tal qual uma besta (que ele era). E é precisamente neste terrível cativeiro, que, angustiado, Manassés ora ao "Deus de seus pais" e se arrepende do seu grande pecado e da sua vã maneira de viver. E ao contrário do que alguns podiam esperar, Deus ouve-o e perdoa-lhe. 
A história do rei Manassés pode ser lida em 2 Crônicas 33: 1-20
Erlo Braun - Ele vai Te Alcançar

Começa a restauração da sua vida e de Jerusalém. Reedifica o muro da cidade, constitui líderes para a protegerem dos ataques e ciladas dos inimigos, remove todos os ídolos e deuses estranhos que ele tinha anteriormente implantado, e começa a reparação do altar do Senhor, incentivando o povo a adorar e servir O único e verdadeiro Deus e Senhor.

Deus perdoou a Manassés. É certo que as marcas da sua malignidade deixaram rastos no povo e em Amom, o seu filho, que posteriormente vai trilhar o pior caminho do seu pai. Mas importa reter que se Deus perdoou a Manassés, não há pecado ou mal que Deus não consiga perdoar. Jesus também foi trespassado por causa do pecado de Manassés. O Deus de Manassés é o Deus de toda a misericórdia, perdão e compaixão. Ele é poderoso para amar e perdoar o mais vil dos pecadores.

*Jorge Oliveira, residente em Vila Nova de Gaia (um município português na região do Porto), é um cristão evangélico e mantém o blog Canto do Jo
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quarta-feira, 14 de abril de 2010

O que fazem os adventistas do sétimo dia?

Conheça as ações solidárias e projetos sociais da Igreja Adventista do Sétimo Dia na América do Sul, bem como suas iniciativas em prol da educação, saúde e liberdade religiosa. Nossa missão é servir!

OBS.: Para maior conforto ao ler a revista abaixo, clique em View in Fullscreen.
Igreja Adventista do Sétimo Dia – Revista Esperança Viva 

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domingo, 4 de abril de 2010

O significado da Páscoa

Hoje é Domingo de Páscoa, dia em que o mundo cristão celebra e relembra a vitória do Salvador Jesus sobre a morte.

Graças à Sua morte e ressurreição, podemos ter em Jesus uma nova vida, a vida eterna, "uma vida com abundância" (João 10:10). Ele nos concede a certeza de viver para sempre, a paz e alegria em nosso coração e acesso direto ao trono de Deus. Nele temos o perdão dos nossos pecados, esperança e razão para viver, a certeza de Sua presença em nossas vidas.

Abaixo seguem textos bíblicos e músicas cristãs sobre o Domingo de Páscoa, explicando a história e o significado por trás dessa data. Leia, conheça ou relembre, reflita e, acima de tudo, decida-se ao lado de Cristo. Entregue hoje mesmo sua vida a Jesus, aceitando-O como seu Salvador pessoal, e experimente a nova vida que Ele te oferece. Que você tenha uma Feliz Páscoa! – Walter Dos Santos

"Depois do sábado, tendo começado o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro.
E eis que sobreveio um grande terremoto, pois um anjo do Senhor desceu dos céus e, chegando ao sepulcro, rolou a pedra da entrada e assentou-se sobre ela. Sua aparência era como um relâmpago, e suas vestes eram brancas como a neve. Os guardas tremeram de medo e ficaram como mortos.
O anjo disse às mulheres:
'Não tenham medo! Sei que vocês estão procurando Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui; ressuscitou, como tinha dito. Venham ver o lugar onde ele jazia.Vão depressa e digam aos discípulos dele: Ele ressuscitou dentre os mortos e está indo adiante de vocês para a Galiléia. Lá vocês o verão. Notem que eu já os avisei'.
As mulheres saíram depressa do sepulcro, amedrontadas e cheias de alegria, e foram correndo anunciá-lo aos discípulos de Jesus."
Mateus 28:1-8, NVI
Hinário Adventista - Cristo Já Ressuscitou!



Ellas - A Manhã da Ressurreição (apresentação no Musical "O Cristo da Paixão")

"Irmãos, quero lembrar-lhes o evangelho que lhes preguei, o qual vocês receberam e no qual estão firmes. Por meio deste evangelho vocês são salvos, desde que se apeguem firmemente à palavra que lhes preguei; caso contrário, vocês têm crido em vão.
Pois o que primeiramente lhes transmiti foi o que recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou no terceiro dia, segundo as Escrituras, e apareceu a Pedro e depois aos Doze."
1 Coríntios 15:1-5, NVI
Eclair - Foi numa linda manhã



Leonardo Gonçalves - Ele Vive

"E, se Cristo não ressuscitou, inútil é a fé que vocês têm, e ainda estão em seus pecados. Neste caso, também os que dormiram em Cristo estão perdidos. Se é somente para esta vida que temos esperança em Cristo, somos, de todos os homens, os mais dignos de compaixão.
Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dentre aqueles que dormiram. Visto que a morte veio por meio de um só homem, também a ressurreição dos mortos veio por meio de um só homem. Pois da mesma forma como em Adão todos morrem, em Cristo todos serão vivificados. Mas cada um por sua vez: Cristo, o primeiro; depois, quando ele vier, os que lhe pertencem. Então virá o fim, quando ele entregar o Reino a Deus, o Pai, depois de ter destruído todo domínio, autoridade e poder. Pois é necessário que ele reine até que todos os seus inimigos sejam postos debaixo de seus pés.
O último inimigo a ser destruído é a morte."
1 Coríntios 15:17-26, NVI
Hinário Adventista - Porque Ele Vive

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quinta-feira, 1 de abril de 2010

Verdades sobre a mentira

por Rubem M. Scheffel*

Não furtareis, nem mentireis, nem usareis de falsidade cada um com o seu próximo. Levítico 19:11
Você tem certeza de que nunca mentiu? Nem mesmo para agradar à dona-de-casa, jurando que a sopa de jiló e a salada de berinjela estavam uma delícia? Ou afirmando a um doente terminal que a aparência dele está ótima e que ele logo vai ficar bom? Ou escondendo suas verdadeiras intenções?
Meias-verdades também são mentiras? E exagerar ou diminuir uma verdade? É lícito mentir para salvar a própria vida ou a de outra pessoa? E o que dizer da hipocrisia? Como se pode ver, a mentira tem muitas facetas, e as respostas nem sempre são fáceis. Vejamos alguns casos bíblicos.
Grandes homens de Deus, como Abraão, Isaque, Jacó, Davi, mentiram. E todos eles colheram nesta vida os seus frutos amargos. Ananias e Safira cometeram um delito mais grave, mentindo ao Espírito Santo. E “perderam esta vida e a futura” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 76).
Raabe, a meretriz de Jericó, mentiu para salvar os espias israelitas, e com isso salvou também a própria vida e a de seus familiares. Ela teve a honra de ser ancestral do Salvador do mundo, o seu nome figura na galeria da fé em Hebreus 11. No entanto, a Bíblia não a elogia porque mentiu; apenas relata o que aconteceu. Ela foi elogiada, não por sua mentira, mas por ter acolhido os espias israelitas, fazendo-os partir por outro caminho (Tiago 2:25).
Um episódio curioso é o do profeta Samuel, que por ordem divina deveria ir a Belém com a missão primordial de ungir Davi como rei de Israel, enquanto Saul ainda era rei (1 Samuel 16). Samuel, entretanto, objetou, dizendo a Deus que Saul o mataria quando soubesse disso. Então Deus aliviou-lhe os temores, esclarecendo que a unção de Davi não seria pública, para não enraivecer Saul. Seria um ato doméstico, que não chamaria tanto a atenção. Para isso, Samuel deveria tomar um novilho para ser oferecido como sacrifício, mas sem revelar que, juntamente com o sacrifício, também ocorreria a unção de um novo rei. Não havia nada de errado em agir secretamente, pois Samuel não devia explicações a Saul, nem Deus lhe pediu que contasse a todos sobre a unção de Davi.
Jesus Cristo fez a mesma coisa com os discípulos ao recusar-Se a revelar tudo o que sabia: “Tenho ainda muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora” (João 16:12).
Podemos adotar aqui o seguinte princípio: “Mas, embora a verdade não possa ser dita inteiramente em todas as ocasiões, nunca é necessário nem justificável enganar” (Ellen G. White, A Ciência do Bom Viver, p. 245).
Hoje é o Dia da Mentira, um dia para não ser comemorado pelos que amam a verdade.
*Rubem M. Scheffel é pastor adventista do sétimo dia e ex-editor da Casa Publicadora Brasileira (CPB). O presente texto foi extraído do devocional Com a Eternidade no Coração (Meditações Diárias 2010), escrito por ele e publicado pela CPB.

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